Publicação
Abordagem cientìfica ao projecto numa perspectiva computacional na arquitectura
| Resumo: | Esta dissertação desenvolve uma análise sobre parte do contexto cultural e tecnológico que contribuiu para o surgimento do pensamento e prática computacional na arquitectura, focando mais especificamente a aproximação do campo científico pela pedagogia do ensino e prática de arquitectura e design entre 1950 e 1970, com base no projecto pedagógico da Hochschule für Gestaltung em Ulm, na Alemanha, (considerado por Kenneth Frampton a Escola mais importante do século XX depois da Bauhaus), local onde convergiram um conjunto de docentes, ideias e trabalhos notáveis deste período. Esta análise, estruturada sequencialmente, considera que a actual utilização de processos de Design computacional em arquitectura compreende conceitos ligados à ciência da computação já iniciados sobretudo na década de 60. Recuando até essa época, tais explorações pioneiras foram marcadas pelo interesse em princípios metodológicos científicos que, com o auxílio dos computadores, foram desenvolvidos em Centros de Investigação, localizados principalmente nos EUA e Reino Unido. Não obstante, esta motivação esteve também presente, uma década antes, na HfG-Ulm, sem o auxílio dos computadores, fundada em 1953 pelo arquitecto suíço Max Bill, encontrando-se pouco estudada. A dissertação pretende assim questionar e demonstrar a relevância da HfG-Ulm no contexto da análise de métodos científicos associados ao projecto, ainda sem a utilização de computadores, argumentando que nesta Escola, através das ideias desenvolvidas por três professores - Tomás Maldonado (Projecto Educativo), Max Bense (Estética da Informação) e Horst Rittel (Metodologia Científica) – criaram-se fundamentos que estão na base das posteriores abordagens computacionais na arquitectura, as quais mais tarde vieram a utilizar a computação não como uma ferramenta de desenho geométrico, mas sim como uma ferramenta de desenho computacional. Algumas destas matérias viriam a ser investigadas e ampliadas anos depois em centros de investigação académicos de departamentos de Arquitectura e Design. O argumento da investigação encontra-se estruturado em três partes: “Pré HfG-Ulm”: a reconstrução do contexto sócio-cultural e filosófico que antecedeu, sustentou e determinou a base teórica da Hochschule für Gestaltung de Ulm; “HfG-Ulm”: a própria génese da Escola; “Post HfG-Ulm”: a sua evolução ideológica, que perante o encerramento inesperado da Escola conduziu à consagração de um projecto incompleto que questionou ideias, a maioria das quais só mais tarde perspectivadas e desenvolvidas. A dissertação contribui para mapear e integrar a HfG-Ulm num contexto mais lato composto por outras Instituições e sistemas de pensamento em emergência, analisando a influência das disciplinas então emergentes da teoria da informação, da Investigação Operacional, e das metodologias científicas no pensamento arquitectónico e na concepção do projecto de arquitectura nas décadas de 50 a 70, revelando contextos culturais, históricos e tecnológicos pouco estudados, que influenciaram o desenvolvimento de uma prática computacional na arquitectura. Para dar resposta às questões levantadas durante a investigação, procedeu-se à análise do material da biblioteca da Escola, encerrada em 1968, que se encontra armazenado no Arquivo e Museu da Hochschule für Gestaltung, sendo que a recolha de material original proveniente desse Arquivo, bem como a realização de entrevistas com teóricos investigadores que leccionaram na HfG-Ulm. A análise de fontes primárias e directas constituem assim dois eixos metodológicos fulcrais do presente trabalho. |
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| Autores principais: | Marques, Isabel Clara Neves da Rocha |
| Assunto: | Hochschule fur Gestaltung-Ulm Projeto educativo Metodologia científica Estética da informação Design computacional |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Esta dissertação desenvolve uma análise sobre parte do contexto cultural e tecnológico que contribuiu para o surgimento do pensamento e prática computacional na arquitectura, focando mais especificamente a aproximação do campo científico pela pedagogia do ensino e prática de arquitectura e design entre 1950 e 1970, com base no projecto pedagógico da Hochschule für Gestaltung em Ulm, na Alemanha, (considerado por Kenneth Frampton a Escola mais importante do século XX depois da Bauhaus), local onde convergiram um conjunto de docentes, ideias e trabalhos notáveis deste período. Esta análise, estruturada sequencialmente, considera que a actual utilização de processos de Design computacional em arquitectura compreende conceitos ligados à ciência da computação já iniciados sobretudo na década de 60. Recuando até essa época, tais explorações pioneiras foram marcadas pelo interesse em princípios metodológicos científicos que, com o auxílio dos computadores, foram desenvolvidos em Centros de Investigação, localizados principalmente nos EUA e Reino Unido. Não obstante, esta motivação esteve também presente, uma década antes, na HfG-Ulm, sem o auxílio dos computadores, fundada em 1953 pelo arquitecto suíço Max Bill, encontrando-se pouco estudada. A dissertação pretende assim questionar e demonstrar a relevância da HfG-Ulm no contexto da análise de métodos científicos associados ao projecto, ainda sem a utilização de computadores, argumentando que nesta Escola, através das ideias desenvolvidas por três professores - Tomás Maldonado (Projecto Educativo), Max Bense (Estética da Informação) e Horst Rittel (Metodologia Científica) – criaram-se fundamentos que estão na base das posteriores abordagens computacionais na arquitectura, as quais mais tarde vieram a utilizar a computação não como uma ferramenta de desenho geométrico, mas sim como uma ferramenta de desenho computacional. Algumas destas matérias viriam a ser investigadas e ampliadas anos depois em centros de investigação académicos de departamentos de Arquitectura e Design. O argumento da investigação encontra-se estruturado em três partes: “Pré HfG-Ulm”: a reconstrução do contexto sócio-cultural e filosófico que antecedeu, sustentou e determinou a base teórica da Hochschule für Gestaltung de Ulm; “HfG-Ulm”: a própria génese da Escola; “Post HfG-Ulm”: a sua evolução ideológica, que perante o encerramento inesperado da Escola conduziu à consagração de um projecto incompleto que questionou ideias, a maioria das quais só mais tarde perspectivadas e desenvolvidas. A dissertação contribui para mapear e integrar a HfG-Ulm num contexto mais lato composto por outras Instituições e sistemas de pensamento em emergência, analisando a influência das disciplinas então emergentes da teoria da informação, da Investigação Operacional, e das metodologias científicas no pensamento arquitectónico e na concepção do projecto de arquitectura nas décadas de 50 a 70, revelando contextos culturais, históricos e tecnológicos pouco estudados, que influenciaram o desenvolvimento de uma prática computacional na arquitectura. Para dar resposta às questões levantadas durante a investigação, procedeu-se à análise do material da biblioteca da Escola, encerrada em 1968, que se encontra armazenado no Arquivo e Museu da Hochschule für Gestaltung, sendo que a recolha de material original proveniente desse Arquivo, bem como a realização de entrevistas com teóricos investigadores que leccionaram na HfG-Ulm. A análise de fontes primárias e directas constituem assim dois eixos metodológicos fulcrais do presente trabalho. |
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