Publicação
Políticas públicas de ciência e a regulação da investigação educacional: estruturas e redes de investigadores
| Resumo: | Esta tese de doutoramento tem como tema as políticas públicas de ciência, tomando como referência a regulação da investigação educacional em Portugal nos últimos cinquenta anos. Tributária dos contributos da análise política numa perspetiva de ação pública e filiada numa conceção interacionista das políticas públicas, a tese tem como objetivo descrever e analisar a existência de modos de regulação de controlo - estudados a partir das estruturas concebidas para coordenar e orientar a atividade científica - e de modos de regulação autónoma - relativos à forma como os investigadores convivem e reinventam essas orientações através das redes que estabelecem entre si. Para o estudo da regulação de controlo, centrei-me em três estruturas consideradas particularmente pertinentes para o estudo e selecionadas sem qualquer pretensão de obedecer a um critério de amostragem: o Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian (1963-1980); o Instituto de Inovação Educacional (1989-2002); a Fundação para a Ciência e a Tecnologia e as Unidades de I&D em Ciências e Políticas da Educação (1997-2007). Neste plano, o trabalho empírico permitiu concluir sobre a crescente centralidade do papel do Estado nas políticas públicas de ciência, acompanhado do desenvolvimento generalizado de instrumentos de controlo da atividade científica. Este fenómeno explica-se, entre outros, pela prevalência de uma perspetiva de “políticas baseadas em conhecimento”, reforçando o caráter instrumental da investigação educacional. Para o estudo dos fenómenos de regulação autónoma, e partindo da ideia que se desenvolve numa lógica reticular, procurei um indicador que permitisse ilustrar modos de regulação resultantes da ação dos investigadores. Com essa finalidade, utilizei os contributos das abordagens das redes sociais para perceber o modo como os investigadores se relacionam entre si e estabelecem redes de colaboração científica. Os resultados mostraram que as redes de investigadores assumem uma grande variedade de configurações, permanecendo à margem das estruturas de regulação de controlo que, em 2007, correspondiam às Unidades de I&D em Ciências e Políticas da Educação. Enquanto indicadores de processos de regulação autónoma, as redes de investigadores sublinham a importância das relações que os investigadores estabelecem entre si na regulação da atividade científica, pondo em evidência a produção do conhecimento como um processo político. O trabalho empírico permitiu reunir evidências da interceção entre a regulação de controlo e a regulação autónoma - a montante e a jusante da ação das estruturas e nas redes de investigadores - mostrando a dificuldade, senão impossibilidade, em isolar cada uma das modalidades de regulação, o que constitui um sinal inequívoco do caráter multirregulado da investigação educacional. |
|---|---|
| Autores principais: | Viseu, Sofia |
| Assunto: | Política educativa Políticas públicas Investigação em educação Investigação científica |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Esta tese de doutoramento tem como tema as políticas públicas de ciência, tomando como referência a regulação da investigação educacional em Portugal nos últimos cinquenta anos. Tributária dos contributos da análise política numa perspetiva de ação pública e filiada numa conceção interacionista das políticas públicas, a tese tem como objetivo descrever e analisar a existência de modos de regulação de controlo - estudados a partir das estruturas concebidas para coordenar e orientar a atividade científica - e de modos de regulação autónoma - relativos à forma como os investigadores convivem e reinventam essas orientações através das redes que estabelecem entre si. Para o estudo da regulação de controlo, centrei-me em três estruturas consideradas particularmente pertinentes para o estudo e selecionadas sem qualquer pretensão de obedecer a um critério de amostragem: o Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian (1963-1980); o Instituto de Inovação Educacional (1989-2002); a Fundação para a Ciência e a Tecnologia e as Unidades de I&D em Ciências e Políticas da Educação (1997-2007). Neste plano, o trabalho empírico permitiu concluir sobre a crescente centralidade do papel do Estado nas políticas públicas de ciência, acompanhado do desenvolvimento generalizado de instrumentos de controlo da atividade científica. Este fenómeno explica-se, entre outros, pela prevalência de uma perspetiva de “políticas baseadas em conhecimento”, reforçando o caráter instrumental da investigação educacional. Para o estudo dos fenómenos de regulação autónoma, e partindo da ideia que se desenvolve numa lógica reticular, procurei um indicador que permitisse ilustrar modos de regulação resultantes da ação dos investigadores. Com essa finalidade, utilizei os contributos das abordagens das redes sociais para perceber o modo como os investigadores se relacionam entre si e estabelecem redes de colaboração científica. Os resultados mostraram que as redes de investigadores assumem uma grande variedade de configurações, permanecendo à margem das estruturas de regulação de controlo que, em 2007, correspondiam às Unidades de I&D em Ciências e Políticas da Educação. Enquanto indicadores de processos de regulação autónoma, as redes de investigadores sublinham a importância das relações que os investigadores estabelecem entre si na regulação da atividade científica, pondo em evidência a produção do conhecimento como um processo político. O trabalho empírico permitiu reunir evidências da interceção entre a regulação de controlo e a regulação autónoma - a montante e a jusante da ação das estruturas e nas redes de investigadores - mostrando a dificuldade, senão impossibilidade, em isolar cada uma das modalidades de regulação, o que constitui um sinal inequívoco do caráter multirregulado da investigação educacional. |
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