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Ciclicidade numa tendência geral regressiva: uma abordagem integrada a uma sucessão marinha rasa do Jurássico Superior a Norte de São Martinho do Porto (Bacia Lusitânica)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O presente trabalho consiste na análise integrada de uma sucessão sedimentar do Jurássico superior que aflora na praia da Gralha (zona central da Bacia Lusitânica). Com base na integração da descrição de litofácies e no resultado das análises laboratoriais em amostras foi possível interpretar o paleoambiente deposicional, assim como propor uma evolução estratigráfica detalhada dentro do contexto regional dos depósitos aflorantes na zona de São Martinho do Porto. Foram estudados 64m de sucessão, na qual diversas litofácies foram identificadas e agrupadas em 4 associações de fácies, nomeadamente Arenitos de shoreface inferior a plataforma interna, seguidos de Lutitos de shoreface inferior a plataforma interna, Paleossolos e Depósitos carbonatados de plataforma interna. Diversos procedimentos laboratoriais foram realizados, tais como, calcimetria, difração de Raio-X, triagem de ostracodos, foraminíferos e carófitas, nanofósseis calcários e petrografia, num total de 144 amostras, permitiram integrar uma grande quantidade de dados que possibilitou maior robustez das interpretações realizadas neste trabalho. As evidências indicam um paleoambiente deposicional marinho raso de baixa a muito baixa energia e de baixo pendor, com atuação de ondas e provavelmente próxima de uma região costeira pantanosa, com episódios de variação climática quente com algum contraste sazonal. Esta interpretação foi baseada na observação de estruturas sedimentares geradas por onda (e.g. wave ripples e swaley/hummocky) aliado à presença de rochas carbonatadas (wackestones e margas), microfósseis (nanofósseis calcários, foraminíferos, ostracodos e carófitas), macrofósseis (bivalves e gastrópodes), fragmentos de equinodermes, Thalassinoides, Ophiomorpha?, Rhizocorallium? e razão Ilite/Caulinite. As frequentes flutuações métricas do nível relativo do mar com alternância entre períodos de deposição com períodos de exposição sub-aérea justificam assim um substrato de baixo pendor. A parte inferior da sucessão tem um teor mais carbonatado materializada pela presença de depósitos carbonatados e fósseis marinhos. A parte superior da sucessão apresenta uma sedimentação siliciclástica caracterizada pela maior abundância de lutitos, arenitos oxidados e paleossolos. A integração de dados permitiu também identificar sequências deposicionais e T-R de diferentes frequências. As discordâncias sub-aéreas estão localizadas no topo dos Paleossolos e as superfícies máximas de inundação nos wackestones, posicionados no topo de uma sucessão composta por fácies mais proximais. Foram interpretadas sequências deposicionais de alta, média e baixa frequência. Em todas elas predominam tendências regressivas em direção ao topo. Através da integração deste trabalho no contexto regional verifica-se que a sucessão estudada está posicionada inicialmente num domínio mais siliciclástico a Sul que passa a um domínio mais carbonatado a Norte, onde ocorrem barras oncolíticas na praia dos Salgados.
Autores principais:Barros, Diogo Batista
Assunto:Bacia lusitânica Jurássico superior Integração de dados Paleoambiente deposicional marinho raso Ciclicidade Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O presente trabalho consiste na análise integrada de uma sucessão sedimentar do Jurássico superior que aflora na praia da Gralha (zona central da Bacia Lusitânica). Com base na integração da descrição de litofácies e no resultado das análises laboratoriais em amostras foi possível interpretar o paleoambiente deposicional, assim como propor uma evolução estratigráfica detalhada dentro do contexto regional dos depósitos aflorantes na zona de São Martinho do Porto. Foram estudados 64m de sucessão, na qual diversas litofácies foram identificadas e agrupadas em 4 associações de fácies, nomeadamente Arenitos de shoreface inferior a plataforma interna, seguidos de Lutitos de shoreface inferior a plataforma interna, Paleossolos e Depósitos carbonatados de plataforma interna. Diversos procedimentos laboratoriais foram realizados, tais como, calcimetria, difração de Raio-X, triagem de ostracodos, foraminíferos e carófitas, nanofósseis calcários e petrografia, num total de 144 amostras, permitiram integrar uma grande quantidade de dados que possibilitou maior robustez das interpretações realizadas neste trabalho. As evidências indicam um paleoambiente deposicional marinho raso de baixa a muito baixa energia e de baixo pendor, com atuação de ondas e provavelmente próxima de uma região costeira pantanosa, com episódios de variação climática quente com algum contraste sazonal. Esta interpretação foi baseada na observação de estruturas sedimentares geradas por onda (e.g. wave ripples e swaley/hummocky) aliado à presença de rochas carbonatadas (wackestones e margas), microfósseis (nanofósseis calcários, foraminíferos, ostracodos e carófitas), macrofósseis (bivalves e gastrópodes), fragmentos de equinodermes, Thalassinoides, Ophiomorpha?, Rhizocorallium? e razão Ilite/Caulinite. As frequentes flutuações métricas do nível relativo do mar com alternância entre períodos de deposição com períodos de exposição sub-aérea justificam assim um substrato de baixo pendor. A parte inferior da sucessão tem um teor mais carbonatado materializada pela presença de depósitos carbonatados e fósseis marinhos. A parte superior da sucessão apresenta uma sedimentação siliciclástica caracterizada pela maior abundância de lutitos, arenitos oxidados e paleossolos. A integração de dados permitiu também identificar sequências deposicionais e T-R de diferentes frequências. As discordâncias sub-aéreas estão localizadas no topo dos Paleossolos e as superfícies máximas de inundação nos wackestones, posicionados no topo de uma sucessão composta por fácies mais proximais. Foram interpretadas sequências deposicionais de alta, média e baixa frequência. Em todas elas predominam tendências regressivas em direção ao topo. Através da integração deste trabalho no contexto regional verifica-se que a sucessão estudada está posicionada inicialmente num domínio mais siliciclástico a Sul que passa a um domínio mais carbonatado a Norte, onde ocorrem barras oncolíticas na praia dos Salgados.