Publicação
Catatonia associated with epileptic seizures : a systematic review
| Resumo: | A catatonia é uma síndrome neuropsiquiátrica com múltiplas causas secundárias. A sua associação com crises epilépticas é um fenómeno raro e pouco compreendido, pelo que o objetivo desta revisão é resumir as características clínicas e a abordagem destes doentes, olhando para a epilepsia como uma possível causa de catatonia. Esta revisão sistemática incluiu todos os casos clínicos de doentes com catatonia com critérios da ICD-11 associada com crises epiléticas, publicados até dezembro de 2021 na PubMed. Os casos clínicos foram sintetizados e os resultados foram expressos em percentagens. No total, foram incluídos 42 artigos com 52 casos clínicos. A maioria dos doentes eram adultos com idade dispersa (idade média 44,9 ± 19,3), um pouco mais do sexo masculino (59,6%), com história psiquiátrica (76,9%) principalmente de perturbações afetivas (26,9%) ou episódios psicóticos (13,5%) e/ou história neurológica (61,5%) de crises epiléticas (38,5%) ou traumatismo craniano (13,5%). A sua apresentação clínica consistiu principalmente em atividade psicomotora diminuída (mutismo: 94,2%; estupor: 78,8%; olhar fixo: 57,7%; negativismo: 36,5%), com alguma atividade psicomotora anormal (catalepsia: 40,4%; rigidez: 40,4%; flexibilidade cérea: 23,1%; postura: 21,2%) e foi comum a ocorrência de crises epiléticas clínicas (51,9%), principalmente tónico-clónicas generalizadas (23,1%). Quase todos os eletroencefalogramas (97,9%) e quase metade dos exames de imagem cerebral (47,4%) realizados apresentaram achados anormais. A atividade epilética foi principalmente generalizada (50%) e associada a epilepsia primária (30,8%), iatrogenia (23,1%), outras etiologias secundárias (25%) ou causas desconhecidas (21,2%). A maioria melhorou com terapêutica antiepilética (87,5%) e teve remissão completa (86,5%). A catatonia secundária a crises epiléticas tem uma apresentação clínica muitas vezes inespecífica e surge frequentemente em doentes com diagnósticos psiquiátricos prévios, pelo que qualquer doente com catatonia deve ser investigado adequadamente de modo a evitar diagnósticos errados e tratamentos pouco eficazes. |
|---|---|
| Autores principais: | Gadelho, Luís Miguel da Silva |
| Assunto: | Catatonia Síndrome de Kahlbaum Epilepsia Convulsão Ictal Psiquiatria |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A catatonia é uma síndrome neuropsiquiátrica com múltiplas causas secundárias. A sua associação com crises epilépticas é um fenómeno raro e pouco compreendido, pelo que o objetivo desta revisão é resumir as características clínicas e a abordagem destes doentes, olhando para a epilepsia como uma possível causa de catatonia. Esta revisão sistemática incluiu todos os casos clínicos de doentes com catatonia com critérios da ICD-11 associada com crises epiléticas, publicados até dezembro de 2021 na PubMed. Os casos clínicos foram sintetizados e os resultados foram expressos em percentagens. No total, foram incluídos 42 artigos com 52 casos clínicos. A maioria dos doentes eram adultos com idade dispersa (idade média 44,9 ± 19,3), um pouco mais do sexo masculino (59,6%), com história psiquiátrica (76,9%) principalmente de perturbações afetivas (26,9%) ou episódios psicóticos (13,5%) e/ou história neurológica (61,5%) de crises epiléticas (38,5%) ou traumatismo craniano (13,5%). A sua apresentação clínica consistiu principalmente em atividade psicomotora diminuída (mutismo: 94,2%; estupor: 78,8%; olhar fixo: 57,7%; negativismo: 36,5%), com alguma atividade psicomotora anormal (catalepsia: 40,4%; rigidez: 40,4%; flexibilidade cérea: 23,1%; postura: 21,2%) e foi comum a ocorrência de crises epiléticas clínicas (51,9%), principalmente tónico-clónicas generalizadas (23,1%). Quase todos os eletroencefalogramas (97,9%) e quase metade dos exames de imagem cerebral (47,4%) realizados apresentaram achados anormais. A atividade epilética foi principalmente generalizada (50%) e associada a epilepsia primária (30,8%), iatrogenia (23,1%), outras etiologias secundárias (25%) ou causas desconhecidas (21,2%). A maioria melhorou com terapêutica antiepilética (87,5%) e teve remissão completa (86,5%). A catatonia secundária a crises epiléticas tem uma apresentação clínica muitas vezes inespecífica e surge frequentemente em doentes com diagnósticos psiquiátricos prévios, pelo que qualquer doente com catatonia deve ser investigado adequadamente de modo a evitar diagnósticos errados e tratamentos pouco eficazes. |
|---|