Publicação
O processamento de orações relativas e pseudorelativas: a concordância de número e fenómeno da atração em português europeu
| Resumo: | Nesta tese examinamos a disponibilidade de construções pseudorelativas (PR) em Português Europeu (PE) e o fenómeno da atração envolvendo concordância de número em tarefas offline e online. Grillo & Costa (2012, 2013) defendem que o trabalho prévio sobre ligação de orações relativas (OR) a sintagmas nominais complexos em posição de objeto (Cuetos & Mitchell, 1988) não controlou a disponibilidade da PR entre línguas e estruturas. A PR é superficialmente idêntica a uma OR, porém apresenta diferente estrutura e interpretação. Os autores também argumentam que a variação não explicada nas preferências de ligação da OR (p. ex., prosódia, referencialidade), provém do facto de a PR estar gramaticalmente forçada a uma aparente ligação não-local. Sobre o processamento da concordância, Lourenço-Gomes (2008) e Lourenço-Gomes, Costa & Maia (2011), comparando o processamento de ligação de ORs desambiguadas por concordância de número e género em PE, observaram que a concordância de número gerava taxas de erros mais altas do que a concordância de género. Lourenço-Gomes & Lindemann (2012) demonstraram um efeito combinado de concordância de número e tipo de segmentação das frases sobre as taxas de erros de perguntas de final de frase. Nós propomos que estes resultados podem ser explicados à luz do fenómeno da atração (Bock & Miller, 1991) mais do que pela preferência de ligação. A atração ocorre quando um SN complexo constituído por dois ou mais nomes com marcação morfológica diferente atrai concordância errada sobre o verbo (Acuña-Fariña, 2009). Para investigar estas questões conduzimos três testes experimentais com medidas offline para comparar preferências de ligação entre construções ORs e PRs , e um estudo de leitura automonitorada (self-paced reading), com medidas online e offline, para comparar essas preferências com o envolvimento da concordância de número. Após refinamentos metodológicos feitos nos testes 1 e 2, os quais mostravam resultados pouco claros ou conflituantes, os testes 3 e 4 mostraram, globalmente, uma preferência maior pela ligação não-local nas condições PR do que OR; menores tempos de resposta nas condições PR do que OR; maior taxa de erro para a ligação local do que não-local nas condições PR, e menores tempos de resposta para a ligação não-local do que local nas condições PR. Estes resultados sustentam a proposta de Grillo & Costa (2012, 2013). Com respeito ao processamento da concordância de número, observamos tempos de resposta mais elevados na condição em que N2 plural intervinha entre N1 singular e a OR, o que nos permite interpretar os resultados com base nas explicações baseadas na atração. |
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| Autores principais: | Tomaz, Maria Margarida da Fonseca |
| Assunto: | Língua portuguesa - Orações relativas Língua portuguesa - Sintaxe Psicolinguística Teses de mestrado - 2014 |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Nesta tese examinamos a disponibilidade de construções pseudorelativas (PR) em Português Europeu (PE) e o fenómeno da atração envolvendo concordância de número em tarefas offline e online. Grillo & Costa (2012, 2013) defendem que o trabalho prévio sobre ligação de orações relativas (OR) a sintagmas nominais complexos em posição de objeto (Cuetos & Mitchell, 1988) não controlou a disponibilidade da PR entre línguas e estruturas. A PR é superficialmente idêntica a uma OR, porém apresenta diferente estrutura e interpretação. Os autores também argumentam que a variação não explicada nas preferências de ligação da OR (p. ex., prosódia, referencialidade), provém do facto de a PR estar gramaticalmente forçada a uma aparente ligação não-local. Sobre o processamento da concordância, Lourenço-Gomes (2008) e Lourenço-Gomes, Costa & Maia (2011), comparando o processamento de ligação de ORs desambiguadas por concordância de número e género em PE, observaram que a concordância de número gerava taxas de erros mais altas do que a concordância de género. Lourenço-Gomes & Lindemann (2012) demonstraram um efeito combinado de concordância de número e tipo de segmentação das frases sobre as taxas de erros de perguntas de final de frase. Nós propomos que estes resultados podem ser explicados à luz do fenómeno da atração (Bock & Miller, 1991) mais do que pela preferência de ligação. A atração ocorre quando um SN complexo constituído por dois ou mais nomes com marcação morfológica diferente atrai concordância errada sobre o verbo (Acuña-Fariña, 2009). Para investigar estas questões conduzimos três testes experimentais com medidas offline para comparar preferências de ligação entre construções ORs e PRs , e um estudo de leitura automonitorada (self-paced reading), com medidas online e offline, para comparar essas preferências com o envolvimento da concordância de número. Após refinamentos metodológicos feitos nos testes 1 e 2, os quais mostravam resultados pouco claros ou conflituantes, os testes 3 e 4 mostraram, globalmente, uma preferência maior pela ligação não-local nas condições PR do que OR; menores tempos de resposta nas condições PR do que OR; maior taxa de erro para a ligação local do que não-local nas condições PR, e menores tempos de resposta para a ligação não-local do que local nas condições PR. Estes resultados sustentam a proposta de Grillo & Costa (2012, 2013). Com respeito ao processamento da concordância de número, observamos tempos de resposta mais elevados na condição em que N2 plural intervinha entre N1 singular e a OR, o que nos permite interpretar os resultados com base nas explicações baseadas na atração. |
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