Publicação
Estudo hidrogeológico do sinclinal de Ródão (concelho de Vila Velha de Ródão, Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO)
| Resumo: | A presente dissertação de mestrado teve como objetivo a caracterização hidrogeológica do sinclinal de Ródão e a avaliação dos recursos hídricos associados a ele, com vistas à exploração sustentável da água subterrânea local. Para tanto, em julho de 2021 (período de estiagem) e janeiro de 2022 (período úmido), foram conduzidas campanhas de amostragem das águas dos fontanários e nascentes localizados ao longo das cristas quartzíticas das serras das Talhadas e do Perdigão, entre o rio Tejo (a sul) e o rio Ocreza (a norte). A partir das análises realizadas, observou-se que as águas menos mineralizadas, que no geral foram classificadas como sódicas cloretadas, são águas cuja infiltração e percurso se dá predominantemente, ou totalmente, nos quartzitos. Além de menos mineralizadas, as águas associadas aos quartzitos apresentaram pH ligeiramente a moderadamente ácido e elevado teor em sílica. Em relação à idade estimada das águas, as análises de Trítio indicaram que as águas que circulam predominantemente nos quartzitos se infiltraram há cerca de 40 - 50 anos. Os dados isotópicos de δ18O e δ2H indicam águas meteóricas com recarga do aquífero acima de 350 m de elevação. A taxa de recarga foi estimada entre 10% e 20% da precipitação, tendo sido calculada entre 68,5 mm/ano e 137 mm/ano. A área de recarga foi calculada em 13,5 km² e abrange ambas as cristas quartzíticas. Parte das nascentes e fontanários amostrados estão associados às falhas de cavalgamento precoces atribuídas à fase de deformação D1 da Orogenia Varisca, que se formaram quando a estrutura como um todo estava a sofrer deformação dúctil. Portanto, não se considera que esses cavalgamentos cortem o fluxo da água subterrânea entre as cristas. Dessa forma, ambas as cristas contribuem para a recarga e o fluxo de água acompanha a orientação das camadas e estratificação. A partir dos perfis de elevação das serras das Talhadas e do Perdigão, é possível considerar duas direções preferenciais no sentido de fluxo das águas infiltradas: para SE, em direção ao rio Tejo, e para NW, em direção ao rio Ocreza. Com base nos dados apresentados, a água do aquífero quartzítico do sinclinal de Ródão apresenta características semelhantes às dos demais aquíferos quartzíticos atualmente explorados em Portugal. Apesar dos caudais medidos em janeiro de 2022 não serem expressivos, o volume de água que infiltra em profundidade foi calculado entre 353.729 m³/ano e 1.278.479 m³/ano, sendo este último um valor considerável. Dessa forma, uma avaliação mais completa da recarga será fundamental para a estimativa da disponibilidade hídrica local. |
|---|---|
| Autores principais: | Moura, Maria Elisa |
| Assunto: | recursos hídricos subterrâneos aquífero quartzítico taxa de recarga isótopos ambientais modelo conceitual Teses de mestrado - 2023 |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A presente dissertação de mestrado teve como objetivo a caracterização hidrogeológica do sinclinal de Ródão e a avaliação dos recursos hídricos associados a ele, com vistas à exploração sustentável da água subterrânea local. Para tanto, em julho de 2021 (período de estiagem) e janeiro de 2022 (período úmido), foram conduzidas campanhas de amostragem das águas dos fontanários e nascentes localizados ao longo das cristas quartzíticas das serras das Talhadas e do Perdigão, entre o rio Tejo (a sul) e o rio Ocreza (a norte). A partir das análises realizadas, observou-se que as águas menos mineralizadas, que no geral foram classificadas como sódicas cloretadas, são águas cuja infiltração e percurso se dá predominantemente, ou totalmente, nos quartzitos. Além de menos mineralizadas, as águas associadas aos quartzitos apresentaram pH ligeiramente a moderadamente ácido e elevado teor em sílica. Em relação à idade estimada das águas, as análises de Trítio indicaram que as águas que circulam predominantemente nos quartzitos se infiltraram há cerca de 40 - 50 anos. Os dados isotópicos de δ18O e δ2H indicam águas meteóricas com recarga do aquífero acima de 350 m de elevação. A taxa de recarga foi estimada entre 10% e 20% da precipitação, tendo sido calculada entre 68,5 mm/ano e 137 mm/ano. A área de recarga foi calculada em 13,5 km² e abrange ambas as cristas quartzíticas. Parte das nascentes e fontanários amostrados estão associados às falhas de cavalgamento precoces atribuídas à fase de deformação D1 da Orogenia Varisca, que se formaram quando a estrutura como um todo estava a sofrer deformação dúctil. Portanto, não se considera que esses cavalgamentos cortem o fluxo da água subterrânea entre as cristas. Dessa forma, ambas as cristas contribuem para a recarga e o fluxo de água acompanha a orientação das camadas e estratificação. A partir dos perfis de elevação das serras das Talhadas e do Perdigão, é possível considerar duas direções preferenciais no sentido de fluxo das águas infiltradas: para SE, em direção ao rio Tejo, e para NW, em direção ao rio Ocreza. Com base nos dados apresentados, a água do aquífero quartzítico do sinclinal de Ródão apresenta características semelhantes às dos demais aquíferos quartzíticos atualmente explorados em Portugal. Apesar dos caudais medidos em janeiro de 2022 não serem expressivos, o volume de água que infiltra em profundidade foi calculado entre 353.729 m³/ano e 1.278.479 m³/ano, sendo este último um valor considerável. Dessa forma, uma avaliação mais completa da recarga será fundamental para a estimativa da disponibilidade hídrica local. |
|---|