Publicação
Crises econômicas : um contributo da análise econômica comportamental
| Resumo: | A tese procura identificar uma possível conexão entre as crises econômicas e a análise econômica comportamental, partindo do pressuposto de que ambas se constituem como desvios, na realidade empírica e nas formulações teóricas, respectivamente, dos paradigmas vigentes. Enquanto que a ciência econômica tradicionalmente trata as crises como fenômenos anormais e imprevisíveis, o comportamento real das pessoas assinalado pela análise econômica comportamental também desafia o entendimento da racionalidade humana propugnado pela então predominante teoria da escolha racional. Desse modo, a explicação para a ocorrência de crises econômicas encontra campo fértil na análise econômica comportamental. À guisa de contextualização, a tese descreve os principais elementos, características e teorias explicativas das crises econômicas desenvolvidos ao longo da história da ciência econômica. A denominada hipótese dos mercados eficientes, um dos principais arcabouços teóricos da escolha racional no ramo financeiro, é objeto de crítica específica, contrastando com aspectos comportamentais que lançam dúvidas sobre sua robustez e a sua plausibilidade. Com base nessas notas metodológicas, a tese se debruça sobre duas vertentes principais: as crises do sistema financeiro e as crises da dívida pública, procurando descrever como a Europa vem lidando com suas crises específicas, em função dos novos desafios que a união monetária impôs ao bloco regional. No primeiro tipo de crise descrito é analisada a supervisão financeira prudencial sob uma perspectiva de prevenção e controle do risco sistêmico. A partir da identificação do risco sistêmico imposto pela natureza da intermediação financeira e da necessidade de regulação no setor para fazer frente a esse risco, busca-se compreender as origens e o desenvolvimento da regulação financeira internacional, alicerçada fundamentalmente em normas de soft law promovidas por redes regulatórias informais de caráter transnacional. Além disso, a tese identifica as principais deficiências de concepção no atual modelo regulatório do sistema financeiro, contribuindo, sob uma perspectiva comportamental, com as linhas mestras que devem orientar as reformas institucionais tendentes a prevenir o risco sistêmico em escala nacional e global. Por fim, a tese descreve as principais causas do crescente endividamento estatal, explanando de modo crítico sobre a evolução histórica do tratamento da dívida pública no enfrentamento dos ciclos econômicos, com as suas variações ondulares e agregações epistemológicas. Diante do contexto atual, destaca os principais desafios às políticas econômicas em contextos de grande endividamento estatal, com uma análise específica das armadilhas institucionais que privam a União Europeia de se beneficiar de mecanismos de coordenação de políticas para superar a recente crise das dívidas soberanas. A tese enfatiza aspectos comportamentais na geração e na superação das crises, procurando afirmar a necessidade de revisão de constructos teóricos que ainda são prevalecentes para justificar as decisões fundamentais de política econômica, em âmbito nacional, supranacional e internacional, e que, por sua inadequação, produzem importantes distorções na prática empírica. |
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| Autores principais: | Neves, Rogério Telles Correia das |
| Assunto: | Crises econômicas Análise econômica comportamental Crises do capitalismo Crises do sistema financeiro Crises da dívida pública Contribuições da ciência comportamental Economic crises Behavioral law and economics Crises of capitalism Crises of the financial system Public debt crises Contributions of behavioral science |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A tese procura identificar uma possível conexão entre as crises econômicas e a análise econômica comportamental, partindo do pressuposto de que ambas se constituem como desvios, na realidade empírica e nas formulações teóricas, respectivamente, dos paradigmas vigentes. Enquanto que a ciência econômica tradicionalmente trata as crises como fenômenos anormais e imprevisíveis, o comportamento real das pessoas assinalado pela análise econômica comportamental também desafia o entendimento da racionalidade humana propugnado pela então predominante teoria da escolha racional. Desse modo, a explicação para a ocorrência de crises econômicas encontra campo fértil na análise econômica comportamental. À guisa de contextualização, a tese descreve os principais elementos, características e teorias explicativas das crises econômicas desenvolvidos ao longo da história da ciência econômica. A denominada hipótese dos mercados eficientes, um dos principais arcabouços teóricos da escolha racional no ramo financeiro, é objeto de crítica específica, contrastando com aspectos comportamentais que lançam dúvidas sobre sua robustez e a sua plausibilidade. Com base nessas notas metodológicas, a tese se debruça sobre duas vertentes principais: as crises do sistema financeiro e as crises da dívida pública, procurando descrever como a Europa vem lidando com suas crises específicas, em função dos novos desafios que a união monetária impôs ao bloco regional. No primeiro tipo de crise descrito é analisada a supervisão financeira prudencial sob uma perspectiva de prevenção e controle do risco sistêmico. A partir da identificação do risco sistêmico imposto pela natureza da intermediação financeira e da necessidade de regulação no setor para fazer frente a esse risco, busca-se compreender as origens e o desenvolvimento da regulação financeira internacional, alicerçada fundamentalmente em normas de soft law promovidas por redes regulatórias informais de caráter transnacional. Além disso, a tese identifica as principais deficiências de concepção no atual modelo regulatório do sistema financeiro, contribuindo, sob uma perspectiva comportamental, com as linhas mestras que devem orientar as reformas institucionais tendentes a prevenir o risco sistêmico em escala nacional e global. Por fim, a tese descreve as principais causas do crescente endividamento estatal, explanando de modo crítico sobre a evolução histórica do tratamento da dívida pública no enfrentamento dos ciclos econômicos, com as suas variações ondulares e agregações epistemológicas. Diante do contexto atual, destaca os principais desafios às políticas econômicas em contextos de grande endividamento estatal, com uma análise específica das armadilhas institucionais que privam a União Europeia de se beneficiar de mecanismos de coordenação de políticas para superar a recente crise das dívidas soberanas. A tese enfatiza aspectos comportamentais na geração e na superação das crises, procurando afirmar a necessidade de revisão de constructos teóricos que ainda são prevalecentes para justificar as decisões fundamentais de política econômica, em âmbito nacional, supranacional e internacional, e que, por sua inadequação, produzem importantes distorções na prática empírica. |
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