Publicação
Influência do corte de cauda na prevalência de lesões provocadas por mordedura nas fases de recria e engorda em suínos
| Resumo: | O corte de cauda é o método mais utilizado em Portugal para prevenir as mordeduras de cauda, porém não é totalmente eficaz. A caudofagia (CAU) tem uma etiologia multifatorial, as ocorrências são esporádicas e imprevisíveis, não afetando todos os parques de uma sala. No entanto, a intensificação dos sistemas de produção e o melhoramento genético dos suínos agravaram o problema. Este estudo visa determinar a influência do corte de cauda na incidência de caudofagia em suínos. Avaliaram-se outros parâmetros como o grau de lesões de canibalismo, o ganho médio diário de peso, a taxa de mortalidade e de refugo, a frequência de patologias em vida, o tipo de rejeições e de lesões pulmonares observadas no matadouro, e as repercussões económicas das mordeduras de cauda. O estudo decorreu durante 26 semanas no ano de 2019, em duas suiniculturas sem histórico de lesões de caudofagia. Foram registadas as lesões de canibalismo em dois grupos de animais, com corte de cauda (CC) e sem corte de cauda (CI), e posteriormente calculadas as incidências de caudofagia, sendo que não foram registados casos no Grupo CC enquanto o Grupo CI teve incidências compreendidas ente 19,5% e 56,6%. As perdas devido a mortalidade e refugo por CAU foram de 6,52% e 13,27% no Grupo CI enquanto que no Grupo CC foram nulas. O Grupo CI teve uma maior frequência de pleuropneumonia suína por Actinobacillus pleuropneumoniae na exploração A e de meningite estreptocócica na exploração B, assim como de rejeições em matadouro que corresponderam a 1,15% no grupo CI enquanto que no grupo CC foram 0%. Os animais do grupo CI da exploração B, apresentaram um ganho médio diário de peso inferior em 3 g/dia. As perdas finais no Grupo CI em relação ao Grupo CC, foram superiores entre 8,70% e 17,93%. Devido às lesões de CAU, gastos extra em tratamentos e outras doenças, o Grupo CI teve um prejuízo superior entre 8,85% e 18,17% relativamente ao Grupo CC. O preço final da carcaça foi inferior no Grupo CI em relação ao Grupo CC, entre 0,54€ e 1,56€. Concluímos que a incidência de lesões de mordedura de cauda é superior aos valores registados em matadouro pois existem animais que morrem ou são sujeitos a eutanásia devido às lesões. A magnitude do impacto económico calculado reforça a necessidade de melhorar a monitorização, o controlo e a prevenção da caudofagia. |
|---|---|
| Autores principais: | Lopes, Rute Tereso |
| Assunto: | Canibalismo Corte Cauda Mordedura da cauda Osteomielite Suíno Cannibalism Tail docking Tail biting Osteomyelitis Pigs |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O corte de cauda é o método mais utilizado em Portugal para prevenir as mordeduras de cauda, porém não é totalmente eficaz. A caudofagia (CAU) tem uma etiologia multifatorial, as ocorrências são esporádicas e imprevisíveis, não afetando todos os parques de uma sala. No entanto, a intensificação dos sistemas de produção e o melhoramento genético dos suínos agravaram o problema. Este estudo visa determinar a influência do corte de cauda na incidência de caudofagia em suínos. Avaliaram-se outros parâmetros como o grau de lesões de canibalismo, o ganho médio diário de peso, a taxa de mortalidade e de refugo, a frequência de patologias em vida, o tipo de rejeições e de lesões pulmonares observadas no matadouro, e as repercussões económicas das mordeduras de cauda. O estudo decorreu durante 26 semanas no ano de 2019, em duas suiniculturas sem histórico de lesões de caudofagia. Foram registadas as lesões de canibalismo em dois grupos de animais, com corte de cauda (CC) e sem corte de cauda (CI), e posteriormente calculadas as incidências de caudofagia, sendo que não foram registados casos no Grupo CC enquanto o Grupo CI teve incidências compreendidas ente 19,5% e 56,6%. As perdas devido a mortalidade e refugo por CAU foram de 6,52% e 13,27% no Grupo CI enquanto que no Grupo CC foram nulas. O Grupo CI teve uma maior frequência de pleuropneumonia suína por Actinobacillus pleuropneumoniae na exploração A e de meningite estreptocócica na exploração B, assim como de rejeições em matadouro que corresponderam a 1,15% no grupo CI enquanto que no grupo CC foram 0%. Os animais do grupo CI da exploração B, apresentaram um ganho médio diário de peso inferior em 3 g/dia. As perdas finais no Grupo CI em relação ao Grupo CC, foram superiores entre 8,70% e 17,93%. Devido às lesões de CAU, gastos extra em tratamentos e outras doenças, o Grupo CI teve um prejuízo superior entre 8,85% e 18,17% relativamente ao Grupo CC. O preço final da carcaça foi inferior no Grupo CI em relação ao Grupo CC, entre 0,54€ e 1,56€. Concluímos que a incidência de lesões de mordedura de cauda é superior aos valores registados em matadouro pois existem animais que morrem ou são sujeitos a eutanásia devido às lesões. A magnitude do impacto económico calculado reforça a necessidade de melhorar a monitorização, o controlo e a prevenção da caudofagia. |
|---|