Publicação

Correntes superficiais na zona costeira ao largo de Sines: variabilidade e forçamento

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O objetivo deste estudo era separar e quantificar as contribuições do vento e da maré para a corrente oceânica à superfície num local perto da costa, utilizando dados de corrente de um correntómetro eletromagnético S4 e dados de vento de um anemógrafo. Os dados foram recolhidos ao largo de Sines, sobre a plataforma continental interna, na costa ocidental de Portugal Continental, no Verão de 2012. Durante a maior parte do período de registo verificaram-se as condições oceanográficas típicas de Verão para este local: o vento soprou sobretudo de norte (“nortada”) e a corrente foi essencialmente de norte para sul. Utilizaram-se vários métodos no processamento dos dados. Começou por se realizar a análise harmónica dos dados de corrente, de modo a tentar estimar a fração da corrente que era forçada pela maré. Esta análise calculou uma corrente de maré com um período predominante diurno; a sua componente mais forte foi K1, com uma amplitude de 3.67 cm/s. Compararam-se os resultados desta análise com os resultados de um modelo numérico dinâmico da maré oceânica (TPXO). Os resultados deste modelo apresentaram várias diferenças em relação aos resultados da análise harmónica. A principal diferença foi que, no modelo TPXO, o período predominante foi semidiurno e a componente M2 foi a mais intensa (amplitude de 0.73 cm/s). Realizou-se também a análise por onduletas (wavelets) dos dados de corrente e do vento. Com base nos resultados obtidos, aplicou-se de novo a análise harmónica aos dados de corrente, agora para um intervalo de tempo mais curto em que o efeito expectável do vento sobre a corrente à superfície fosse mais fraco. Concluiu-se que a corrente, em particular a sua componente norte-sul, foi mais influenciada pelo vento do que pela maré. No entanto, chegou-se também à conclusão que os dados de corrente de maré obtidos com a análise harmónica estavam provavelmente contaminados pelo vento, ou seja, não foi possível separar a frequência do ciclo diurno do vento e a frequência da componente diurna principal da maré (K1). Isso poderá ter levado a que os resultados obtidos com a aplicação da análise harmónica tivessem sempre uma componente diurna maior do que aquela que seria esperada com base nos resultados do modelo TPXO. Finalmente, apresentaram-se algumas sugestões para a resolução deste problema em estudos futuros.
Autores principais:Cadima, Maria Pires
Assunto:Oceanografia costeira Correntes de maré Correntes induzidas pelo vento Teses de mestrado - 2018
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O objetivo deste estudo era separar e quantificar as contribuições do vento e da maré para a corrente oceânica à superfície num local perto da costa, utilizando dados de corrente de um correntómetro eletromagnético S4 e dados de vento de um anemógrafo. Os dados foram recolhidos ao largo de Sines, sobre a plataforma continental interna, na costa ocidental de Portugal Continental, no Verão de 2012. Durante a maior parte do período de registo verificaram-se as condições oceanográficas típicas de Verão para este local: o vento soprou sobretudo de norte (“nortada”) e a corrente foi essencialmente de norte para sul. Utilizaram-se vários métodos no processamento dos dados. Começou por se realizar a análise harmónica dos dados de corrente, de modo a tentar estimar a fração da corrente que era forçada pela maré. Esta análise calculou uma corrente de maré com um período predominante diurno; a sua componente mais forte foi K1, com uma amplitude de 3.67 cm/s. Compararam-se os resultados desta análise com os resultados de um modelo numérico dinâmico da maré oceânica (TPXO). Os resultados deste modelo apresentaram várias diferenças em relação aos resultados da análise harmónica. A principal diferença foi que, no modelo TPXO, o período predominante foi semidiurno e a componente M2 foi a mais intensa (amplitude de 0.73 cm/s). Realizou-se também a análise por onduletas (wavelets) dos dados de corrente e do vento. Com base nos resultados obtidos, aplicou-se de novo a análise harmónica aos dados de corrente, agora para um intervalo de tempo mais curto em que o efeito expectável do vento sobre a corrente à superfície fosse mais fraco. Concluiu-se que a corrente, em particular a sua componente norte-sul, foi mais influenciada pelo vento do que pela maré. No entanto, chegou-se também à conclusão que os dados de corrente de maré obtidos com a análise harmónica estavam provavelmente contaminados pelo vento, ou seja, não foi possível separar a frequência do ciclo diurno do vento e a frequência da componente diurna principal da maré (K1). Isso poderá ter levado a que os resultados obtidos com a aplicação da análise harmónica tivessem sempre uma componente diurna maior do que aquela que seria esperada com base nos resultados do modelo TPXO. Finalmente, apresentaram-se algumas sugestões para a resolução deste problema em estudos futuros.