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O cuidado informal a pessoas idosas dependentes no autocuidado após um acidente vascular cerebral : avaliação do impacto do programa InCARE na capacitação dos cuidadores

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Em Portugal o acidente vascular cerebral (AVC) representa a principal causa de incapacidade nas pessoas idosas. Apesar dos avanços nos cuidados de saúde permitirem que mais sobreviventes deste acidente neurológico vivam no domicílio cuidados pelas famílias, a evidência sugere que os cuidadores pouco capacitados sofrem elevados níveis de sobrecarga, reportam insatisfação com a quantidade e qualidade da informação e com o suporte recebido. A investigação foi realizada com base em três estudos que, embora distintos, são complementares. O Estudo 1, de natureza qualitativa, pretendeu explorar conceitos associados ao autocuidado, tendo sido desenvolvido com recurso à metodologia Focus Group e integrado um painel de nove enfermeiros peritos. O estudo 2, metodológico, teve por objetivo construir e validar um instrumento de aferição das capacidades de cuidadores informais (n=186) de pessoas idosas dependentes no autocuidado após um AVC. O estudo 3, quasi-experimental, foi desenvolvido em contexto comunitário e pretendeu avaliar o impacto do programa de intervenção (InCARE) na capacitação, na redução da sobrecarga e melhoria do estado de saúde dos cuidadores informais de pessoas idosas dependentes no autocuidado após um AVC, bem como, no índice de funcionalidade, no número de readmissões hospitalares e na institucionalização dos sobreviventes deste acidente neurológico (n=174), distribuídos pelo grupo experimental (n=85) e pelo grupo controlo (n=89). Da análise das narrativas das entrevistas dos participantes no estudo 1 emergiram 7 tipologias por semelhança, a partir das quais se construiu, no estudo 2 a Escala de Capacidades do Prestador Informal de Cuidados a Idosos Dependentes por AVC (ECPICID-AVC), a qual traduz consistência interna de α=0,838 e fidelidade de ICC=0,988. Os resultados do programa implementado no Estudo 3 revelam melhor capacitação, melhor estado de saúde (domínio mental) e menor sobrecarga no 1º (M1) e 3º (M2) mês após a intervenção no grupo de cuidadores informais que integraram o grupo experimental quando comparados com os do grupo controlo, contudo a variável funcionalidade dos sobreviventes de AVC que integraram o grupo experimental não revelou uma evolução favorável. No que diz respeito à institucionalização e ao número de internamentos hospitalares das pessoas mais velhas, os resultados não foram claros quanto ao impacto do programa InCARE (M1 e M2) na redução destes indicadores Os dados permitem concluir sobre o contributo e a prioridade da implementação de programas de intervenção estruturada na capacitação dos cuidadores de pessoas idosas dependentes após um AVC, programas que devem ser entendidos, também, como estratégias de intervenção terapêutica para melhorar a saúde e a redução de sobrecarga dos cuidadores informais em geral e dos cuidadores de sobreviventes de AVC, em particular, bem como a saúde, independência e a qualidade de vida das pessoas mais velhas dependentes no autocuidado, após um AVC ou outro evento gerador de dependência neste domínio.
Autores principais:Araújo, Odete
Assunto:Cuidadores Acidente vascular cerebral Idosos Teses de doutoramento - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Em Portugal o acidente vascular cerebral (AVC) representa a principal causa de incapacidade nas pessoas idosas. Apesar dos avanços nos cuidados de saúde permitirem que mais sobreviventes deste acidente neurológico vivam no domicílio cuidados pelas famílias, a evidência sugere que os cuidadores pouco capacitados sofrem elevados níveis de sobrecarga, reportam insatisfação com a quantidade e qualidade da informação e com o suporte recebido. A investigação foi realizada com base em três estudos que, embora distintos, são complementares. O Estudo 1, de natureza qualitativa, pretendeu explorar conceitos associados ao autocuidado, tendo sido desenvolvido com recurso à metodologia Focus Group e integrado um painel de nove enfermeiros peritos. O estudo 2, metodológico, teve por objetivo construir e validar um instrumento de aferição das capacidades de cuidadores informais (n=186) de pessoas idosas dependentes no autocuidado após um AVC. O estudo 3, quasi-experimental, foi desenvolvido em contexto comunitário e pretendeu avaliar o impacto do programa de intervenção (InCARE) na capacitação, na redução da sobrecarga e melhoria do estado de saúde dos cuidadores informais de pessoas idosas dependentes no autocuidado após um AVC, bem como, no índice de funcionalidade, no número de readmissões hospitalares e na institucionalização dos sobreviventes deste acidente neurológico (n=174), distribuídos pelo grupo experimental (n=85) e pelo grupo controlo (n=89). Da análise das narrativas das entrevistas dos participantes no estudo 1 emergiram 7 tipologias por semelhança, a partir das quais se construiu, no estudo 2 a Escala de Capacidades do Prestador Informal de Cuidados a Idosos Dependentes por AVC (ECPICID-AVC), a qual traduz consistência interna de α=0,838 e fidelidade de ICC=0,988. Os resultados do programa implementado no Estudo 3 revelam melhor capacitação, melhor estado de saúde (domínio mental) e menor sobrecarga no 1º (M1) e 3º (M2) mês após a intervenção no grupo de cuidadores informais que integraram o grupo experimental quando comparados com os do grupo controlo, contudo a variável funcionalidade dos sobreviventes de AVC que integraram o grupo experimental não revelou uma evolução favorável. No que diz respeito à institucionalização e ao número de internamentos hospitalares das pessoas mais velhas, os resultados não foram claros quanto ao impacto do programa InCARE (M1 e M2) na redução destes indicadores Os dados permitem concluir sobre o contributo e a prioridade da implementação de programas de intervenção estruturada na capacitação dos cuidadores de pessoas idosas dependentes após um AVC, programas que devem ser entendidos, também, como estratégias de intervenção terapêutica para melhorar a saúde e a redução de sobrecarga dos cuidadores informais em geral e dos cuidadores de sobreviventes de AVC, em particular, bem como a saúde, independência e a qualidade de vida das pessoas mais velhas dependentes no autocuidado, após um AVC ou outro evento gerador de dependência neste domínio.