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O trajecto final da carreira da Índia na torna-viagem (1500-1640) : problemas da navegação entre os Açores e Lisboa : acções e reacções

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Na primeira parte desta tese são identificados e analisados os problemas associados à navegação da carreira da Índia no trajecto entre os Açores e Lisboa, se bem que estando integrados numa problemática mais geral da rota global e das próprias relações políticas e económicas de Portugal com outros reinos europeus. Não esquecendo as debilidades da construção naval, a degradação estrutural das embarcações e a sua sobrecarga com mercadorias, assim como as condicionantes da vida a bordo dos navios, veremos como esses aspectos pesavam fortemente no sucesso das viagens, tornando ainda mais difícil a chegada a Lisboa. Aos perigos ligados ao decurso da navegação e da própria realidade da geografia física, podendo levar a naufrágios e a encalhes, somava-se o risco de encontro com corsários e piratas, cuja presença entre os Açores e a costa portuguesa revelou-se bastante activa. Outros problemas surgiam com o descaminho e o contrabando de mercadorias, não apenas de especiarias mas também de escravos. Por sua vez, na segunda parte estudaremos as medidas adoptadas pela Coroa para tentar combater os problemas atrás indicados. Isso passará pela existência de estruturas de apoio à navegação, de um sistema de defesa e de informação, bem como pela promulgação de legislação. Assim, veremos os Açores como local fundamental de escala da carreira da Índia, mas também Cascais a prestar um apoio final inevitável, inclusive através dos pilotos locais. No plano defensivo as armadas da costa e das ilhas tinham um papel basilar, do mesmo modo que a construção de fortificações ajudou a impedir ataques inimigos e beneficiou a protecção que se pretendia dar aos navios que regressavam a Portugal, marcando a paisagem cultural marítima. Para se estabelecer comunicação entre os Açores e Lisboa e manter actualizado o sistema defensivo, havia um sistema de informação em funcionamento baseado no envio de navios de aviso. Algumas das notícias que circulavam vinham directamente do estrangeiro, onde os espiões ao serviço de Portugal iam recolhendo dados sobre o destino das armadas de corsários ou outras que se preparavam para diferentes territórios ultramarinos. Por fim, veremos a promulgação de legislação como forma de tentar evitar o descaminho e o contrabando de mercadorias, assim como outras medidas tomadas de forma extraordinária.
Autores principais:Borges, Marco Oliveira
Assunto:Rotas comerciais - Ásia - séc.16-17 Comércio - Portugal - Índia - séc.16-17 Pirataria marítima - Atlântico (Oceâno; nordeste) - séc.16-17 Navegação - Portugal - séc.16-17 - História Defesa das costas (Ciência militar) - Portugal - séc.16-17 Portugal - Relações económicas externas - séc.16-17 Descobrimentos geográficos portugueses - séc.16-17 Teses de doutoramento - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Na primeira parte desta tese são identificados e analisados os problemas associados à navegação da carreira da Índia no trajecto entre os Açores e Lisboa, se bem que estando integrados numa problemática mais geral da rota global e das próprias relações políticas e económicas de Portugal com outros reinos europeus. Não esquecendo as debilidades da construção naval, a degradação estrutural das embarcações e a sua sobrecarga com mercadorias, assim como as condicionantes da vida a bordo dos navios, veremos como esses aspectos pesavam fortemente no sucesso das viagens, tornando ainda mais difícil a chegada a Lisboa. Aos perigos ligados ao decurso da navegação e da própria realidade da geografia física, podendo levar a naufrágios e a encalhes, somava-se o risco de encontro com corsários e piratas, cuja presença entre os Açores e a costa portuguesa revelou-se bastante activa. Outros problemas surgiam com o descaminho e o contrabando de mercadorias, não apenas de especiarias mas também de escravos. Por sua vez, na segunda parte estudaremos as medidas adoptadas pela Coroa para tentar combater os problemas atrás indicados. Isso passará pela existência de estruturas de apoio à navegação, de um sistema de defesa e de informação, bem como pela promulgação de legislação. Assim, veremos os Açores como local fundamental de escala da carreira da Índia, mas também Cascais a prestar um apoio final inevitável, inclusive através dos pilotos locais. No plano defensivo as armadas da costa e das ilhas tinham um papel basilar, do mesmo modo que a construção de fortificações ajudou a impedir ataques inimigos e beneficiou a protecção que se pretendia dar aos navios que regressavam a Portugal, marcando a paisagem cultural marítima. Para se estabelecer comunicação entre os Açores e Lisboa e manter actualizado o sistema defensivo, havia um sistema de informação em funcionamento baseado no envio de navios de aviso. Algumas das notícias que circulavam vinham directamente do estrangeiro, onde os espiões ao serviço de Portugal iam recolhendo dados sobre o destino das armadas de corsários ou outras que se preparavam para diferentes territórios ultramarinos. Por fim, veremos a promulgação de legislação como forma de tentar evitar o descaminho e o contrabando de mercadorias, assim como outras medidas tomadas de forma extraordinária.