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Percepção e memória sensível em Maurice Merleau-Ponty

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Resumo:Esta investigação lançou a sua âncora no universo de pensamento do fenomenólogo francês Maurice Merleau-Ponty. Ela visa uma análise da percepção e da memória como actos descritivos da facticidade do humano. A fundamentação de uma teoria da memória sensível beneficia aqui da atmosfera sensível onde Merleau-Ponty inscreveu o fenómeno da percepção. Esta dissertação parte num primeiro momento da análise da crise da razão como cisão do universo do saber e oferece uma perspectiva terapêutica que atravessa as temáticas husserlianas da redução e do regresso ao Lebenswelt, para alcançar, enfim, com o pensamento da percepção de Merleau-Ponty, a tão almejada superação do objectivismo subjacente à cisão do universo racional. Se o corpo é o sujeito de percepção, ele é também abertura que se instaura aquém de todas as dicotomias realçadas pelas teses empiristas e intelectualistas. Numa segunda fase, procuraremos explicar como o corpo em Merleau-Ponty supera a teoria ainda subjectivista do pensamento do Leib husserliana e se impõe, ele mesmo, como sujeito de percepção e de horizontes entendendo-se aqui por horizonte, o universo de uma experiência possível, i. e. por um lado, aquilo que se estende para além do meu corpo e que o envolve; e, por outro lado, aquilo que se afunda nele como experiência passada. A sedimentação das vivências constitui um halo de generalidade e de anonimato intencional que aqui descrevemos como memória sensível e que serve de fundo a todo o gesto perceptivo actual. Nesta linha de análise defendemos que a espontaneidade da percepção se perderia no espectáculo do mundo se não fosse apoiada sobre um fundo sensível, uma dinâmica adormecida da memória como horizonte da própria percepção.
Autores principais:Pardelha, Irene Isabel Pinto
Assunto:Merleau-Ponty, Maurice, 1908-1961 Filosofia - França - séc.20 Estética Filosofia da arte Teses de mestrado
Ano:2007
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta investigação lançou a sua âncora no universo de pensamento do fenomenólogo francês Maurice Merleau-Ponty. Ela visa uma análise da percepção e da memória como actos descritivos da facticidade do humano. A fundamentação de uma teoria da memória sensível beneficia aqui da atmosfera sensível onde Merleau-Ponty inscreveu o fenómeno da percepção. Esta dissertação parte num primeiro momento da análise da crise da razão como cisão do universo do saber e oferece uma perspectiva terapêutica que atravessa as temáticas husserlianas da redução e do regresso ao Lebenswelt, para alcançar, enfim, com o pensamento da percepção de Merleau-Ponty, a tão almejada superação do objectivismo subjacente à cisão do universo racional. Se o corpo é o sujeito de percepção, ele é também abertura que se instaura aquém de todas as dicotomias realçadas pelas teses empiristas e intelectualistas. Numa segunda fase, procuraremos explicar como o corpo em Merleau-Ponty supera a teoria ainda subjectivista do pensamento do Leib husserliana e se impõe, ele mesmo, como sujeito de percepção e de horizontes entendendo-se aqui por horizonte, o universo de uma experiência possível, i. e. por um lado, aquilo que se estende para além do meu corpo e que o envolve; e, por outro lado, aquilo que se afunda nele como experiência passada. A sedimentação das vivências constitui um halo de generalidade e de anonimato intencional que aqui descrevemos como memória sensível e que serve de fundo a todo o gesto perceptivo actual. Nesta linha de análise defendemos que a espontaneidade da percepção se perderia no espectáculo do mundo se não fosse apoiada sobre um fundo sensível, uma dinâmica adormecida da memória como horizonte da própria percepção.