Publicação
Mulheres e Tatuagens: construção de identidades
| Resumo: | Nas sociedades ocidentais, os assuntos corporais têm sido motivo de interesse e investigação sobretudo a partir da década de 1980. O corpo tende a tornar-se uma matéria prima pronta a moldar, uma construção pessoal elaborada pelo sujeito que o transforma. Associada a essa construção estão diversas modificações corporais, como as tatuagens. As tatuagens sofreram uma renovação a nível gráfico, simbólico e social conduzindo a uma padronização do universo das modificações corporais e ao surgimento de novas práticas de consumo. Tanto homens como mulheres foram sendo cada vez mais atraídos para inscreverem tatuagens nas suas peles, à medida que a sua associação às dissidências sociais se foi diluindo e surgiram novos significados. Numa sociedade de consumo com regras de comportamento rígidas, os sujeitos são encorajados a seguirem determinados projectos corporais pré-definidos. Por isso, quando falamos em tatuagens extensas estamos a falar de práticas desviantes a esses padrões previamente definidos. No entanto, as mulheres parecem esquecidas como participantes nesta prática, especialmente se estivermos a falar de corpos femininos extensamente tatuados, constituindo desse modo um fenómeno silencioso numa sociedade de consumo com regras de comportamento feminino rígidas. O cenário apresentado torna pertinente o estudo acerca deste fenómeno, de forma a contribuir para suscitar, à sua escala, mais interesse académico a nível nacional. O presente trabalho pretende interrogar-se sobre o papel que as tatuagens têm na construção das identidades femininas. Propondo-se a responder aos objectivos: identificar os motivos que levam as mulheres a tatuar os seus corpos; caracterizar a importância e visibilidade destas modificações corporais nas suas vidas; descrever os seus contextos sociais, profissionais e familiares. Com uma metodologia assente nos procedimentos qualitativos, com recurso às técnicas da entrevista semi-estruturada a mulheres com tatuagens extensivas pelo corpo em zonas visíveis, ou seja, tatuagens onde a exposição pública é mais difícil de camuflar. Estas mulheres quando se tatuam extensivamente ganham novos projectos corporais que não se encontram registados na sociedade. As tatuagens são assim uma representação do eu, uma exteriorização de um self planeado tendo em conta as pressões sociais e os problemas que daí podem advir. As modificações corporais mudam a imagem que as mulheres têm do seu corpo e a auto-estima aumenta. Prevalece a vontade de continuar o projecto e resistir às normas de comportamento e beleza ocidentais. |
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| Autores principais: | Alves, Lina Beatriz Pires |
| Assunto: | Corpo Tatuagem Identidade Mulheres Projectos corporais Body Tattoos Identity Women Body projects |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Nas sociedades ocidentais, os assuntos corporais têm sido motivo de interesse e investigação sobretudo a partir da década de 1980. O corpo tende a tornar-se uma matéria prima pronta a moldar, uma construção pessoal elaborada pelo sujeito que o transforma. Associada a essa construção estão diversas modificações corporais, como as tatuagens. As tatuagens sofreram uma renovação a nível gráfico, simbólico e social conduzindo a uma padronização do universo das modificações corporais e ao surgimento de novas práticas de consumo. Tanto homens como mulheres foram sendo cada vez mais atraídos para inscreverem tatuagens nas suas peles, à medida que a sua associação às dissidências sociais se foi diluindo e surgiram novos significados. Numa sociedade de consumo com regras de comportamento rígidas, os sujeitos são encorajados a seguirem determinados projectos corporais pré-definidos. Por isso, quando falamos em tatuagens extensas estamos a falar de práticas desviantes a esses padrões previamente definidos. No entanto, as mulheres parecem esquecidas como participantes nesta prática, especialmente se estivermos a falar de corpos femininos extensamente tatuados, constituindo desse modo um fenómeno silencioso numa sociedade de consumo com regras de comportamento feminino rígidas. O cenário apresentado torna pertinente o estudo acerca deste fenómeno, de forma a contribuir para suscitar, à sua escala, mais interesse académico a nível nacional. O presente trabalho pretende interrogar-se sobre o papel que as tatuagens têm na construção das identidades femininas. Propondo-se a responder aos objectivos: identificar os motivos que levam as mulheres a tatuar os seus corpos; caracterizar a importância e visibilidade destas modificações corporais nas suas vidas; descrever os seus contextos sociais, profissionais e familiares. Com uma metodologia assente nos procedimentos qualitativos, com recurso às técnicas da entrevista semi-estruturada a mulheres com tatuagens extensivas pelo corpo em zonas visíveis, ou seja, tatuagens onde a exposição pública é mais difícil de camuflar. Estas mulheres quando se tatuam extensivamente ganham novos projectos corporais que não se encontram registados na sociedade. As tatuagens são assim uma representação do eu, uma exteriorização de um self planeado tendo em conta as pressões sociais e os problemas que daí podem advir. As modificações corporais mudam a imagem que as mulheres têm do seu corpo e a auto-estima aumenta. Prevalece a vontade de continuar o projecto e resistir às normas de comportamento e beleza ocidentais. |
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