Publicação
Biocompatibilidade do inserto ineye® em cães
| Resumo: | A administração tópica de fármacos é a via mais usada para o tratamento de doenças oculares. Porém, esta via requer uma frequência elevada de administrações ao longo do dia, devido à baixa biodisponibilidade do fármaco no local alvo – o bulbo ocular, tornando-se por isso pouco prático e dificultando a adesão à terapêutica pelos detentores dos animais. Por isso, são necessárias novas formas farmacêuticas para administração tópica que possibilitem uma absorção continua dos fármacos. Com este propósito, foi desenvolvido, por uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra, um inserto ocular designado de ineye®. Este inserto, de base polimérica, tem demonstrado elevada biocompatibilidade in vitro, isto em cultura de células de epitélio da córnea. Este estudo propôs-se a avaliar a biocompatibilidade nas vertentes da biofuncionalidade e da tolerância do inserto ocular ineye® in vivo. Para tal, foram selecionados 27 cães mesocefálicos, todos com exames oftalmológicos normais. Os insertos oculares testados, com um tamanho máximo de 4 mm e um peso máximo de 40 mg, podiam ter formato esférico (n=14), hemisférico (n=3), oblongo (n=3) ou formato feijão (n=7). Antes da sua aplicação, foram esterilizados e, em alguns casos, o inserto foi hidratado ou revestido por ácido hialurónico. Os insertos foram colocados no saco conjuntival superior (n=6) ou inferior (n=21) e foram programados exames oftálmicos para as 6 horas, 24 horas e diariamente, até 7 dias pós colocação, para detetar sinais de desconforto ou inflamação ocular (hiperémia conjuntival, congestão, quemose, lesões da córnea, secreções oculares ou prurido). Os resultados demonstraram que em 11,1% (3/27) dos casos, os insertos foram expulsos em poucos minutos após a colocação, em 59,3% (16/27) dos casos num período de tempo inferior a 6 horas e em 25,9 % (7/27) dos casos o inserto permaneceu mais de 6 horas, mas menos de 24 horas e num caso (3,6%) permaneceu mais de 48, mas menos de 72 horas. Em nenhum dos casos foram observados sinais de inflamação ou desconforto. Pode então concluir-se que nas condições experimentais utilizadas, a biofuncionalidade do ineye® foi baixa, o que se poderá ser explicado pela presença da membrana nictitante nos cães e pelas diferenças morfológicas entre as raças de cães incluídas neste estudo. No entanto e devido ás diferenças anatómicas existentes, este resultado não invalida que o inserto possa ser biofuncional na espécie humana. Não se observaram quaisquer efeitos adversos decorrentes da presença do inserto, o que demonstra uma boa tolerância da espécie canina ao ineye®. |
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| Autores principais: | Marques, Catarina Dinis da Fonseca Martins |
| Assunto: | biocompatibilidade biofuncionalidade tolerância oftalmologia inserto cão biocompatibility biofunctionality tolerance ophthalmology insert dog |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A administração tópica de fármacos é a via mais usada para o tratamento de doenças oculares. Porém, esta via requer uma frequência elevada de administrações ao longo do dia, devido à baixa biodisponibilidade do fármaco no local alvo – o bulbo ocular, tornando-se por isso pouco prático e dificultando a adesão à terapêutica pelos detentores dos animais. Por isso, são necessárias novas formas farmacêuticas para administração tópica que possibilitem uma absorção continua dos fármacos. Com este propósito, foi desenvolvido, por uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra, um inserto ocular designado de ineye®. Este inserto, de base polimérica, tem demonstrado elevada biocompatibilidade in vitro, isto em cultura de células de epitélio da córnea. Este estudo propôs-se a avaliar a biocompatibilidade nas vertentes da biofuncionalidade e da tolerância do inserto ocular ineye® in vivo. Para tal, foram selecionados 27 cães mesocefálicos, todos com exames oftalmológicos normais. Os insertos oculares testados, com um tamanho máximo de 4 mm e um peso máximo de 40 mg, podiam ter formato esférico (n=14), hemisférico (n=3), oblongo (n=3) ou formato feijão (n=7). Antes da sua aplicação, foram esterilizados e, em alguns casos, o inserto foi hidratado ou revestido por ácido hialurónico. Os insertos foram colocados no saco conjuntival superior (n=6) ou inferior (n=21) e foram programados exames oftálmicos para as 6 horas, 24 horas e diariamente, até 7 dias pós colocação, para detetar sinais de desconforto ou inflamação ocular (hiperémia conjuntival, congestão, quemose, lesões da córnea, secreções oculares ou prurido). Os resultados demonstraram que em 11,1% (3/27) dos casos, os insertos foram expulsos em poucos minutos após a colocação, em 59,3% (16/27) dos casos num período de tempo inferior a 6 horas e em 25,9 % (7/27) dos casos o inserto permaneceu mais de 6 horas, mas menos de 24 horas e num caso (3,6%) permaneceu mais de 48, mas menos de 72 horas. Em nenhum dos casos foram observados sinais de inflamação ou desconforto. Pode então concluir-se que nas condições experimentais utilizadas, a biofuncionalidade do ineye® foi baixa, o que se poderá ser explicado pela presença da membrana nictitante nos cães e pelas diferenças morfológicas entre as raças de cães incluídas neste estudo. No entanto e devido ás diferenças anatómicas existentes, este resultado não invalida que o inserto possa ser biofuncional na espécie humana. Não se observaram quaisquer efeitos adversos decorrentes da presença do inserto, o que demonstra uma boa tolerância da espécie canina ao ineye®. |
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