Publicação
Estratégias nutricionais na modulação da bioidrogenação ruminal com vista à melhoria do perfil de ácidos gordos da carne de ruminantes
| Resumo: | Foram realizados dois ensaios com o objetivo de avaliar os efeitos de duas estratégias nutricionais no perfil lipídico da carne de borregos alimentados com dietas à base de alimento concentrado suplementadas com óleo (60 g/kg de uma mistura de óleo de girassol e de linhaça, 1:2 v/v) i) diferindo no nível de amido e na degradabilidade ruminal do amido ou ii) incluindo argilas como adsorventes do suplemento lipídico.No primeiro ensaio, as diferenças no nível de amido foram conseguidas substituindo parcialmente os cereais por polpa de citrinos desidratada e as diferenças na degradabilidade ruminal do amido foram alcançadas alterando a proporção de milho e trigo nas dietas. As quatro dietas foram: MSMD (35% amido; 70% degradabilidade), MSHD (35% amido; 80% degradabilidade), HSMD (50% amido; 70% degradabilidade) e HSHD (50% amido; 80% degradabilidade). No segundo ensaio foram utilizadas quatro dietas: C (sem argilas), B (30 g/kg de Bentonite), V (30 g/kg de Vermiculite) e BV (15 g/kg de Bentonite + 15 g/kg de Vermiculite). As estratégias nutricionais utilizadas em ambos os ensaios não tiveram efeito sobre o desempenho produtivo dos animais. No primeiro ensaio o aumento da degradabilidade ruminal do amidodiminuiu(-10,3 N ou 1,05 kg) a FC da carne. No segundo ensaio a dieta BV resultou em carcaças com uma maior proporção de HPJ e músculo e com menos GPR e gordura dissecável total. No primeiro ensaio, o teor em lípidos da carne não foi alterado pelas dietas. A redução do nível de amido diminuiu os t-MUFA na carne, em particular o t10-18:1. Os níveis de t11-18:1 e c9,t11-18:2 na carne permaneceram baixos e os de 18:3n-3 permaneceram altos(0,7, <0,3 e 1,74% do total de AG, respetivamente) e inalterados pelas dietas. Os parâmetros fermentativos do rúmen e o perfil de i-BCFAsugerem que a redução do nível de amido terá resultado num aumento do número ou da atividade das bactérias fibrolíticas. Apesar disso, não foi observado qualquer efeito das dietas sobre a extensão ou a completude da BH. No segundo ensaio, não foram observadas diferenças entre dietas nos AGV e nas contagens de protozoários do rúmen. Aextensão da BH do 18:2n-6 ou 18:3n-3 permaneceu inalterada e o teor e o perfil em AG dos lípidos da carne foram bastante semelhantes entre tratamentos. A carne apresentou teores elevados em t10-18:1 e t10,c15-18:2 (≈11 e ≈2,0 g/100 g do total de AG, respetivamente), enquanto o t11-18:1 e o c9,t11-18:2 (≈0,9 e ≈0,2 g/100 g do total de AG, respetivamente) foram bastante baixos. Não foi observado qualquer efeito sobre o teor de 18:2n-6, 18:3n-3 e LC-PUFA da carne. O enriquecimento da carne de borregos produzidos de forma intensiva com AG benéficos para a saúde suplementando as suas dietas com PUFA é limitado pelo shift trans-10 das vias de BH ruminal. Os resultados do presente trabalho sugerem que as estratégias para mitigar o shift trans-10 em borregos engordados intensivamente com dietas suplementadas com PUFA devem ser dirigidas para a redução da ingestão de amido e não tanto para a utilização de fontes de amido de baixa degradabilidade ruminal. A inclusão de argilas como adsorventes de óleos vegetais em dietas à base de alimentos concentrados foi ineficaz na proteção dos PUFA em relação à BH ruminal e na prevenção do shifttrans-10. |
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| Autores principais: | Oliveira, Maria Alexandra Sobral Pessoa de |
| Assunto: | carne de borrego bioidrogenação shifttrans-10 amido argilas lamb meat biohydrogenation trans-10 shift starch clays |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Foram realizados dois ensaios com o objetivo de avaliar os efeitos de duas estratégias nutricionais no perfil lipídico da carne de borregos alimentados com dietas à base de alimento concentrado suplementadas com óleo (60 g/kg de uma mistura de óleo de girassol e de linhaça, 1:2 v/v) i) diferindo no nível de amido e na degradabilidade ruminal do amido ou ii) incluindo argilas como adsorventes do suplemento lipídico.No primeiro ensaio, as diferenças no nível de amido foram conseguidas substituindo parcialmente os cereais por polpa de citrinos desidratada e as diferenças na degradabilidade ruminal do amido foram alcançadas alterando a proporção de milho e trigo nas dietas. As quatro dietas foram: MSMD (35% amido; 70% degradabilidade), MSHD (35% amido; 80% degradabilidade), HSMD (50% amido; 70% degradabilidade) e HSHD (50% amido; 80% degradabilidade). No segundo ensaio foram utilizadas quatro dietas: C (sem argilas), B (30 g/kg de Bentonite), V (30 g/kg de Vermiculite) e BV (15 g/kg de Bentonite + 15 g/kg de Vermiculite). As estratégias nutricionais utilizadas em ambos os ensaios não tiveram efeito sobre o desempenho produtivo dos animais. No primeiro ensaio o aumento da degradabilidade ruminal do amidodiminuiu(-10,3 N ou 1,05 kg) a FC da carne. No segundo ensaio a dieta BV resultou em carcaças com uma maior proporção de HPJ e músculo e com menos GPR e gordura dissecável total. No primeiro ensaio, o teor em lípidos da carne não foi alterado pelas dietas. A redução do nível de amido diminuiu os t-MUFA na carne, em particular o t10-18:1. Os níveis de t11-18:1 e c9,t11-18:2 na carne permaneceram baixos e os de 18:3n-3 permaneceram altos(0,7, <0,3 e 1,74% do total de AG, respetivamente) e inalterados pelas dietas. Os parâmetros fermentativos do rúmen e o perfil de i-BCFAsugerem que a redução do nível de amido terá resultado num aumento do número ou da atividade das bactérias fibrolíticas. Apesar disso, não foi observado qualquer efeito das dietas sobre a extensão ou a completude da BH. No segundo ensaio, não foram observadas diferenças entre dietas nos AGV e nas contagens de protozoários do rúmen. Aextensão da BH do 18:2n-6 ou 18:3n-3 permaneceu inalterada e o teor e o perfil em AG dos lípidos da carne foram bastante semelhantes entre tratamentos. A carne apresentou teores elevados em t10-18:1 e t10,c15-18:2 (≈11 e ≈2,0 g/100 g do total de AG, respetivamente), enquanto o t11-18:1 e o c9,t11-18:2 (≈0,9 e ≈0,2 g/100 g do total de AG, respetivamente) foram bastante baixos. Não foi observado qualquer efeito sobre o teor de 18:2n-6, 18:3n-3 e LC-PUFA da carne. O enriquecimento da carne de borregos produzidos de forma intensiva com AG benéficos para a saúde suplementando as suas dietas com PUFA é limitado pelo shift trans-10 das vias de BH ruminal. Os resultados do presente trabalho sugerem que as estratégias para mitigar o shift trans-10 em borregos engordados intensivamente com dietas suplementadas com PUFA devem ser dirigidas para a redução da ingestão de amido e não tanto para a utilização de fontes de amido de baixa degradabilidade ruminal. A inclusão de argilas como adsorventes de óleos vegetais em dietas à base de alimentos concentrados foi ineficaz na proteção dos PUFA em relação à BH ruminal e na prevenção do shifttrans-10. |
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