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A aplicação da endoscopia no tratamento da litíase do trato urinário superior em gatos : estudo retrospetivo

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A nefroureterolitíase evidenciou-se nos últimos 20 anos como uma importante causa de doença renal aguda e crónica. A principal indicação para remoção destes urólitos no gato é a presença de obstrução ureteral. Contudo, os procedimentos cirúrgicos tradicionais estão normalmente associados a altas taxas de morbilidade e mortalidade. Os recentes avanços nas técnicas endourológicas interventivas têm permitido uma melhor gestão desta patologia. Este estudo retrospetivo procurou caracterizar do ponto de vista clínico e epidemiológico os casos de nefroureterolitíase em gatos acompanhados no Hospital Escolar da VetAgro Sup (Lyon, França) entre Janeiro de 2008 e Junho de 2012 e ainda avaliar a técnica de nefroscopia associada à hidropropulsão ureteral retrógrada na remoção da litíase do trato urinário superior. A amostra de felinos em estudo (n=31) foi composta maioritariamente por gatos de raça doméstica (68%), de ambos os géneros, esterilizados (87%), com uma idade média de 5,3 anos, que vivem exclusivamente no interior (67%) e cuja alimentação, exclusivamente à base de granulado, é adquirida sobretudo no veterinário (71%). Os sinais clínicos apresentados foram maioritariamente inespecíficos, como, anorexia, prostração, vómito e perda de peso, frequentemente associados a azotemia. Foram identificados 19 casos de nefroureterolitíase, 6 de nefrolitíase e 6 de ureterolitíase. Vinte e quatro destes animais apresentaram obstrução ureteral, evidenciada pela dilatação da pélvis renal e ureter. A nefroscopia associada à cistotomia e à hidropropulsão ureteral retrógrada foi realizada em 13 animais. Em 7 destes foi necessário recorrer adicionalmente à ureterotomia para remover urólitos aderentes à mucosa ureteral. Neste estudo foi observada uma diminuição significativa (p<0,05) das concentrações de creatinina séricas depois da cirurgia. Apesar de registada uma taxa de mortalidade de 31% no período pós-cirúrgico na sequência do desenvolvimento de complicações (fuga de urina, persistência de obstrução ureteral, coagulação intravascular disseminada e peritonite/broncopneumopatia), nenhuma das complicações observadas decorreu diretamente do procedimento de nefroscopia tendo a maioria dos animais tido alta ao fim de 9 dias. Considera-se que este procedimento minimamente invasivo teve um resultado positivo na maioria dos pacientes em estudo, constituindo uma alternativa promissora aos procedimentos tradicionais (nefrectomia, nefrotomia e ureterotomia).
Autores principais:Fernandes, Vanessa Alexandra Fonseca
Assunto:Felinos Trato urinário superior Nefroureterolitíase Obstrução ureteral Nefroscopia Hidropropulsão ureteral retrógrada Feline Upper urinary tract Ureteral obstruction Nephroscopy Retrograde flushing Nephroureterolithiasis
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A nefroureterolitíase evidenciou-se nos últimos 20 anos como uma importante causa de doença renal aguda e crónica. A principal indicação para remoção destes urólitos no gato é a presença de obstrução ureteral. Contudo, os procedimentos cirúrgicos tradicionais estão normalmente associados a altas taxas de morbilidade e mortalidade. Os recentes avanços nas técnicas endourológicas interventivas têm permitido uma melhor gestão desta patologia. Este estudo retrospetivo procurou caracterizar do ponto de vista clínico e epidemiológico os casos de nefroureterolitíase em gatos acompanhados no Hospital Escolar da VetAgro Sup (Lyon, França) entre Janeiro de 2008 e Junho de 2012 e ainda avaliar a técnica de nefroscopia associada à hidropropulsão ureteral retrógrada na remoção da litíase do trato urinário superior. A amostra de felinos em estudo (n=31) foi composta maioritariamente por gatos de raça doméstica (68%), de ambos os géneros, esterilizados (87%), com uma idade média de 5,3 anos, que vivem exclusivamente no interior (67%) e cuja alimentação, exclusivamente à base de granulado, é adquirida sobretudo no veterinário (71%). Os sinais clínicos apresentados foram maioritariamente inespecíficos, como, anorexia, prostração, vómito e perda de peso, frequentemente associados a azotemia. Foram identificados 19 casos de nefroureterolitíase, 6 de nefrolitíase e 6 de ureterolitíase. Vinte e quatro destes animais apresentaram obstrução ureteral, evidenciada pela dilatação da pélvis renal e ureter. A nefroscopia associada à cistotomia e à hidropropulsão ureteral retrógrada foi realizada em 13 animais. Em 7 destes foi necessário recorrer adicionalmente à ureterotomia para remover urólitos aderentes à mucosa ureteral. Neste estudo foi observada uma diminuição significativa (p<0,05) das concentrações de creatinina séricas depois da cirurgia. Apesar de registada uma taxa de mortalidade de 31% no período pós-cirúrgico na sequência do desenvolvimento de complicações (fuga de urina, persistência de obstrução ureteral, coagulação intravascular disseminada e peritonite/broncopneumopatia), nenhuma das complicações observadas decorreu diretamente do procedimento de nefroscopia tendo a maioria dos animais tido alta ao fim de 9 dias. Considera-se que este procedimento minimamente invasivo teve um resultado positivo na maioria dos pacientes em estudo, constituindo uma alternativa promissora aos procedimentos tradicionais (nefrectomia, nefrotomia e ureterotomia).