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Estimulação espinhal transcutânea por corrente directa na modulação da excitabilidade do sistema motor
| Summary: | Introdução: A medula espinhal é uma estrutura complexa, que contém circuitos neuronais próprios, complexos, que estão sob a influência de centros superiores, mas que mantêm relevante autonomia, sendo que os mesmos estão envolvidos em diversos processos patológicos. Recentemente, tem surgido um elevado interesse no estudo de técnicas que possam modular a resposta dos circuitos medulares, em particular pela aplicação de correntes percutâneas de baixa intensidade aplicadas em períodos temporais prolongados, a estimulação transcutânea por corrente directa (tsDCS). Estes estudos seguem historicamente a extensa investigação no uso destas mesmas correntes na modulação da resposta cortical, o que tem sido explorado em diversas condições clínicas, desde a reabilitação às doenças psiquiátricas, incorporando as doenças do movimento e a epilepsia - a estimulação transcraniana por corrente directa (tDCS). Sendo a tsDCS uma técnica recente compreende-se que na literatura os resultados publicados sejam muito diversos na metodologia e nos resultados, embora promissores quanto ao potencial desta técnica na modulação das complexas respostas fisiológicas da medula espinhal. Objectivo: Dado ser a tsDCS uma técnica recente e os resultados já publicados inconsistentes, o nosso principal objectivo foi o de verificar o impacto desta técnica nas respostas motoras medulares, pela aplicação de uma metodologia rigorosa, em particular, evitando viés na observação dos resultados por parte do investigador. Para tal, decidimos pela aplicação da tsDCS na região lombar, uma topografia menos investigada. Metodologia: Realizámos um estudo cross-over, duplamente cego e pseudorandomizado, em que foi aplicado tsDCS durante 15 minutos (Sham, anódica e catódica) distribuída ao nível de L2 (2.5 mA, 15 min, 0.001 A/cm2 e carga total de 90 C/cm2) em 15 sujeitos saudáveis. Por estimulação distal do nervo tibial posterior direito com captação da resposta motora no músculo abductor hallucis e por estimulação proximal do nervo tibial posterior direito com captação da resposta motora no músculo solhar foram estudados os seguintes parâmetros: amplitude e latência da onda M; latências (mímima, média e cronodispersão), frequência e amplitudes das Ondas F; e limiar, razão H/M, latência e curva de recrutamento do reflexo H. Por estimulação magnética transcraniana da área motora do membro inferior, foram estudadas: o limiar, as amplitudes motoras (razão MEP/M), e latências das respostas com captação no abductor hallucis direito; e o período silêncio cortical (com o sinal rectificado e não-rectificado) da resposta no músculo tibial anterior direito. Foi ainda avaliada a resposta simpática cutânea plantar direita obtida por estimulação eléctrica súbita, intensa e distal quer no nervo tibial posterior esquerdo quer no nervo mediano esquerdo, com registo da amplitude e da latência. Foram aplicados métodos estatísticos paramétricos e não-paramétricos com correcção de Bonferroni para comparações múltiplas, um valor de p<0.05 foi considerado como significativo. Resultados: A latência média das ondas F aumentou significativamente após qualquer das intervenções, incluindo a placebo, sem alteração na cronodispersão. Nenhum dos restantes parametros se modificou significativamente após alguma das intervenções (p>0.05 após correcção de Bonferroni). Discussão: O observado aumento das latências das Ondas F associa-se, provavelmente à imobilidade de cerca de 90 minutos que decorria para os sujeitos durante o protocolo experimental. No entanto não podemos excluir algum efeito da redução na temperatura cutânea, cerca de 1-2ºC. Relativamente à estabilidade dos restantes parâmetros, acreditamos que possa derivar das características do protocolo experimental utilizado em relação às características fisiológicas do sistema motor. Conclusão: Concluímos assim que o protocolo utilizado de tsDCS aplicado, de forma a modular os neurónios motores lombo-sagrados, não condiciona alteração da resposta aos estímulos empregues. Futuros estudos requerem protocolos sólidos sustentados em modelos computacionais. |
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| Main Authors: | Pereira, Mariana Fernandes Alves, 1991- |
| Subject: | tsDCS Medula espinal Modulação Neurofisiologia Teses de mestrado - 2016 |
| Year: | 2016 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Summary: | Introdução: A medula espinhal é uma estrutura complexa, que contém circuitos neuronais próprios, complexos, que estão sob a influência de centros superiores, mas que mantêm relevante autonomia, sendo que os mesmos estão envolvidos em diversos processos patológicos. Recentemente, tem surgido um elevado interesse no estudo de técnicas que possam modular a resposta dos circuitos medulares, em particular pela aplicação de correntes percutâneas de baixa intensidade aplicadas em períodos temporais prolongados, a estimulação transcutânea por corrente directa (tsDCS). Estes estudos seguem historicamente a extensa investigação no uso destas mesmas correntes na modulação da resposta cortical, o que tem sido explorado em diversas condições clínicas, desde a reabilitação às doenças psiquiátricas, incorporando as doenças do movimento e a epilepsia - a estimulação transcraniana por corrente directa (tDCS). Sendo a tsDCS uma técnica recente compreende-se que na literatura os resultados publicados sejam muito diversos na metodologia e nos resultados, embora promissores quanto ao potencial desta técnica na modulação das complexas respostas fisiológicas da medula espinhal. Objectivo: Dado ser a tsDCS uma técnica recente e os resultados já publicados inconsistentes, o nosso principal objectivo foi o de verificar o impacto desta técnica nas respostas motoras medulares, pela aplicação de uma metodologia rigorosa, em particular, evitando viés na observação dos resultados por parte do investigador. Para tal, decidimos pela aplicação da tsDCS na região lombar, uma topografia menos investigada. Metodologia: Realizámos um estudo cross-over, duplamente cego e pseudorandomizado, em que foi aplicado tsDCS durante 15 minutos (Sham, anódica e catódica) distribuída ao nível de L2 (2.5 mA, 15 min, 0.001 A/cm2 e carga total de 90 C/cm2) em 15 sujeitos saudáveis. Por estimulação distal do nervo tibial posterior direito com captação da resposta motora no músculo abductor hallucis e por estimulação proximal do nervo tibial posterior direito com captação da resposta motora no músculo solhar foram estudados os seguintes parâmetros: amplitude e latência da onda M; latências (mímima, média e cronodispersão), frequência e amplitudes das Ondas F; e limiar, razão H/M, latência e curva de recrutamento do reflexo H. Por estimulação magnética transcraniana da área motora do membro inferior, foram estudadas: o limiar, as amplitudes motoras (razão MEP/M), e latências das respostas com captação no abductor hallucis direito; e o período silêncio cortical (com o sinal rectificado e não-rectificado) da resposta no músculo tibial anterior direito. Foi ainda avaliada a resposta simpática cutânea plantar direita obtida por estimulação eléctrica súbita, intensa e distal quer no nervo tibial posterior esquerdo quer no nervo mediano esquerdo, com registo da amplitude e da latência. Foram aplicados métodos estatísticos paramétricos e não-paramétricos com correcção de Bonferroni para comparações múltiplas, um valor de p<0.05 foi considerado como significativo. Resultados: A latência média das ondas F aumentou significativamente após qualquer das intervenções, incluindo a placebo, sem alteração na cronodispersão. Nenhum dos restantes parametros se modificou significativamente após alguma das intervenções (p>0.05 após correcção de Bonferroni). Discussão: O observado aumento das latências das Ondas F associa-se, provavelmente à imobilidade de cerca de 90 minutos que decorria para os sujeitos durante o protocolo experimental. No entanto não podemos excluir algum efeito da redução na temperatura cutânea, cerca de 1-2ºC. Relativamente à estabilidade dos restantes parâmetros, acreditamos que possa derivar das características do protocolo experimental utilizado em relação às características fisiológicas do sistema motor. Conclusão: Concluímos assim que o protocolo utilizado de tsDCS aplicado, de forma a modular os neurónios motores lombo-sagrados, não condiciona alteração da resposta aos estímulos empregues. Futuros estudos requerem protocolos sólidos sustentados em modelos computacionais. |
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