Publicação

Toxoplasmose ocular : série de casos de um centro terciário

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: A toxoplasmose ocular é a manifestação oftalmológica da infeção sistémica pelo parasita Toxoplasma Gondii. Caracteriza-se por uma inflamação local acentuada, principalmente da retina e da coroide e, apesar de não ser uma doença comum, é a principal causa de uveíte posterior a nível mundial. Em Portugal, não existem dados oficiais sobre a prevalência ou apresentação clínica desta patologia. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar dados clínicos e epidemiológicos de doentes com toxoplasmose ocular, seguidos em Portugal. Métodos: Análise restrospetiva de uma série de casos. A amostra foi composta por 26 doentes, seguidos em consulta oftalmológica especializada, de inflamação ocular, num centro de referência terciário, entre janeiro de 2018 e janeiro de 2021. Resultados: Estudaram-se 28 olhos com lesões causadas pelo Toxoplasma Gondii, 24 com lesões em fase ativa. Nestes últimos, o tempo de seguimento foi, em média, de 224 dias. O diagnóstico foi clínico em 81% dos casos. O tratamento de eleição foi a combinação de sulfametoxazol e trimetoprim com corticoide sistémico, em que 14 doentes completaram o esquema terapêutico (grupo A). Os restantes 9 doentes não tinham completado o esquema terapêutico à data da colheita dos dados (Grupo B). No exame objetivo registado, observou-se melhoria das acuidades visuais, da inflamação da câmara anterior e do vítreo. Conclusão: O seguimento nas consultas e a terapêutica com a combinação de sulfametoxazol e trimetoprim com corticoide sistémico, durante pelo menos 3 semanas, mostrou ter eficácia no tratamento da toxoplasmose ocular. A eficácia foi superior nos doentes do grupo A, com tempos de tratamento superiores. A diferença foi estatisticamente significativa na acuidade visual (grupo A, p<0.001), na presença de células da câmara anterior (grupo A, p <0.001; grupo B, p=0.008) e na presença de células no vítreo (grupo A, p<0.001; grupo B, p=0.006).
Autores principais:Góis, Catarina Borges Coelho
Assunto:Toxoplasmose ocular Uveíte Retinocoroidite Diagnóstico Tratamento Acuidade visual Câmara Anterior Vítreo Oftalmologia
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: A toxoplasmose ocular é a manifestação oftalmológica da infeção sistémica pelo parasita Toxoplasma Gondii. Caracteriza-se por uma inflamação local acentuada, principalmente da retina e da coroide e, apesar de não ser uma doença comum, é a principal causa de uveíte posterior a nível mundial. Em Portugal, não existem dados oficiais sobre a prevalência ou apresentação clínica desta patologia. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar dados clínicos e epidemiológicos de doentes com toxoplasmose ocular, seguidos em Portugal. Métodos: Análise restrospetiva de uma série de casos. A amostra foi composta por 26 doentes, seguidos em consulta oftalmológica especializada, de inflamação ocular, num centro de referência terciário, entre janeiro de 2018 e janeiro de 2021. Resultados: Estudaram-se 28 olhos com lesões causadas pelo Toxoplasma Gondii, 24 com lesões em fase ativa. Nestes últimos, o tempo de seguimento foi, em média, de 224 dias. O diagnóstico foi clínico em 81% dos casos. O tratamento de eleição foi a combinação de sulfametoxazol e trimetoprim com corticoide sistémico, em que 14 doentes completaram o esquema terapêutico (grupo A). Os restantes 9 doentes não tinham completado o esquema terapêutico à data da colheita dos dados (Grupo B). No exame objetivo registado, observou-se melhoria das acuidades visuais, da inflamação da câmara anterior e do vítreo. Conclusão: O seguimento nas consultas e a terapêutica com a combinação de sulfametoxazol e trimetoprim com corticoide sistémico, durante pelo menos 3 semanas, mostrou ter eficácia no tratamento da toxoplasmose ocular. A eficácia foi superior nos doentes do grupo A, com tempos de tratamento superiores. A diferença foi estatisticamente significativa na acuidade visual (grupo A, p<0.001), na presença de células da câmara anterior (grupo A, p <0.001; grupo B, p=0.008) e na presença de células no vítreo (grupo A, p<0.001; grupo B, p=0.006).