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Os mercados da imigração: modos de incorporação laboral e problemas de regulação dos imigrantes estrangeiros em Portugal

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Resumo:Tanto no caso das migrações internacionais globais como no da imigração para Portugal, não devemos falar de uma imigração em abstracto, nem de uma incorporação semelhante dos migrantes no mercado de trabalho. De facto, há várias modalidades de mercados de trabalho: mercados primários e secundários, situações de enclave étnico, mercados internos de trabalho. Se relembrarmos as principais características sócio-profissionais da imigração estrangeira em Portugal, fácil é constatar a sua ocupação de vários segmentos: os africanos e europeus de Leste inserem-se nas franjas mais desfavorecidas do mercado secundário de trabalho; os cidadãos da UE preenchem em grande volume o mercado primário, utilizando o canal interno das organizações; e os brasileiros ocupam em muitos casos o mercado primário, mas agindo de modo isolado. Pretendemos argumentar, neste texto, que diferentes modos de incorporação traduzem diferentes características sócio-económicas e solicitam diferentes modos de regulação, e defendemos que outros tipos de mobilidade correspondem a problemas que devem ser regulados, designadamente, as políticas de atracção deliberada de profissionais qualificados; a facilitação dos mecanismos de reconhecimento de competências; e a aproximação das exigências de reconhecimento a migrantes individuais e organizacionais. Em todos estes campos, a iniciativa política portuguesa é escassa, o que opera a contra-ciclo da qualificação crescente das economias e pode eliminar a capacidade concorrencial do país no mercado internacional dos agentes mais qualificados.
Autores principais:Peixoto, João
Assunto:Migrações internacionais Mercado de trabalho Competências Impacto socioeconómico Portugal International Migration Labour Market Skills Socioeconomic Impact Portugal Migration Internationale Marché du travail Compétences impact socio-économique Portugal
Ano:2002
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Tanto no caso das migrações internacionais globais como no da imigração para Portugal, não devemos falar de uma imigração em abstracto, nem de uma incorporação semelhante dos migrantes no mercado de trabalho. De facto, há várias modalidades de mercados de trabalho: mercados primários e secundários, situações de enclave étnico, mercados internos de trabalho. Se relembrarmos as principais características sócio-profissionais da imigração estrangeira em Portugal, fácil é constatar a sua ocupação de vários segmentos: os africanos e europeus de Leste inserem-se nas franjas mais desfavorecidas do mercado secundário de trabalho; os cidadãos da UE preenchem em grande volume o mercado primário, utilizando o canal interno das organizações; e os brasileiros ocupam em muitos casos o mercado primário, mas agindo de modo isolado. Pretendemos argumentar, neste texto, que diferentes modos de incorporação traduzem diferentes características sócio-económicas e solicitam diferentes modos de regulação, e defendemos que outros tipos de mobilidade correspondem a problemas que devem ser regulados, designadamente, as políticas de atracção deliberada de profissionais qualificados; a facilitação dos mecanismos de reconhecimento de competências; e a aproximação das exigências de reconhecimento a migrantes individuais e organizacionais. Em todos estes campos, a iniciativa política portuguesa é escassa, o que opera a contra-ciclo da qualificação crescente das economias e pode eliminar a capacidade concorrencial do país no mercado internacional dos agentes mais qualificados.