Publicação
Temperamento afetivo na adição
| Resumo: | O afeto parece desempenhar um papel relevante em comportamentos motivados, na impulsividade e na tomada de decisão. Na adição, o sofrimento emocional, bem como a expectativa de modificações afetivas positivas associam-se ao uso de substâncias e recaída. Os temperamentos afetivos têm fornecido informações sobre os traços individuais relacionados às tendências para o uso de drogas, possuindo também relevância na compreensão e tratamento das adições. Este estudo objetiva examinar a relevância das medidas de temperamento afetivo nos heroinómanos. Comparou-se 38 toxicodependentes estabilizados com metadona e buprenorfina da Unidade de Dependências do Hospital de Santa Maria em Lisboa, em relação aos temperamentos afetivos, de acordo com Akiskal, com 38 controlos saudáveis, emparelhados por condições sociodemográficas. Os toxicodependentes foram ainda analisados correlacionando os seus níveis de temperamento à sua evolução clínica. Utilizou-se o questionário TEMPS-A para avaliar o temperamento. A evolução clínica foi avaliada usando um formulário que caraterizava o paciente face ao seu curso clínico nos últimos 6 meses. Os resultados revelaram que os toxicodependentes apresentam médias significativamente superiores aos controlo, no temperamento depressivo, ciclotímico e ansioso. No temperamento hipertímico, os controlo apresentam médias significativamente superiores aos doentes. Não se observam diferenças significativas de médias entre os grupos, no temperamento irritável. Na comparação entre heroinómanos, os indivíduos com evolução clínica menos boa, apresentam uma média significativamente superior aos doentes com evolução clínica boa, no temperamento hipertímico. Os doentes com evolução clínica boa, apresentam uma média significativamente superior aos com evolução clínica menos boa, no temperamento ansioso. Não se obtiveram resultados significativos relativamente aos restantes temperamentos. Concluindo, caraterísticas de temperamento ciclotímico principalmente, e também as características depressivas, ansiosas e hipertímicas, podem distinguir heroinómanos e controlos neste estudo. Quanto à relação entre os temperamentos afetivos e a evolução clínica dos heroinómanos, conclui-se que uma boa evolução clínica foi associada a níveis de temperamento hipertímico baixos e níveis ansiosos mais elevados. |
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| Autores principais: | Rodrigues, Catarina Amorim, 1994- |
| Assunto: | Temperamento afetivo Heroinómanos Adição Ciclotimia Evolução clínica Teses de mestrado - 2019 |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O afeto parece desempenhar um papel relevante em comportamentos motivados, na impulsividade e na tomada de decisão. Na adição, o sofrimento emocional, bem como a expectativa de modificações afetivas positivas associam-se ao uso de substâncias e recaída. Os temperamentos afetivos têm fornecido informações sobre os traços individuais relacionados às tendências para o uso de drogas, possuindo também relevância na compreensão e tratamento das adições. Este estudo objetiva examinar a relevância das medidas de temperamento afetivo nos heroinómanos. Comparou-se 38 toxicodependentes estabilizados com metadona e buprenorfina da Unidade de Dependências do Hospital de Santa Maria em Lisboa, em relação aos temperamentos afetivos, de acordo com Akiskal, com 38 controlos saudáveis, emparelhados por condições sociodemográficas. Os toxicodependentes foram ainda analisados correlacionando os seus níveis de temperamento à sua evolução clínica. Utilizou-se o questionário TEMPS-A para avaliar o temperamento. A evolução clínica foi avaliada usando um formulário que caraterizava o paciente face ao seu curso clínico nos últimos 6 meses. Os resultados revelaram que os toxicodependentes apresentam médias significativamente superiores aos controlo, no temperamento depressivo, ciclotímico e ansioso. No temperamento hipertímico, os controlo apresentam médias significativamente superiores aos doentes. Não se observam diferenças significativas de médias entre os grupos, no temperamento irritável. Na comparação entre heroinómanos, os indivíduos com evolução clínica menos boa, apresentam uma média significativamente superior aos doentes com evolução clínica boa, no temperamento hipertímico. Os doentes com evolução clínica boa, apresentam uma média significativamente superior aos com evolução clínica menos boa, no temperamento ansioso. Não se obtiveram resultados significativos relativamente aos restantes temperamentos. Concluindo, caraterísticas de temperamento ciclotímico principalmente, e também as características depressivas, ansiosas e hipertímicas, podem distinguir heroinómanos e controlos neste estudo. Quanto à relação entre os temperamentos afetivos e a evolução clínica dos heroinómanos, conclui-se que uma boa evolução clínica foi associada a níveis de temperamento hipertímico baixos e níveis ansiosos mais elevados. |
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