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Métodos auxiliares da tosse na esclerose lateral amiotrófica : revisão

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença degenerativa que condiciona a progressiva perda de células motoras na medula espinhal, tronco cerebral e córtex motor. A esperança média de vida entre os 2-5 anos, torna a ELA uma das doenças neuromusculares mais graves. Quase sempre o curso da doença é inevitavelmente rápido até à falência respiratória. A reabilitação dos doentes assume cada vez mais um papel fundamental, nomeadamente através das técnicas de auxílio da tosse, que irão ser analisadas neste trabalho. Objetivos: fazer uma revisão das evidências, disponíveis na literatura médica, sobre a eficácia dos auxiliares da tosse na ALS. Métodos: Foram analisados todos os artigos publicados no período entre 2002 e 2017, com desenho experimental (ensaios clínicos, randomizados ou não) ou observacional (estudos de caso-controlo, estudos de coorte e estudos comparativos nos mesmos sujeitos), realizados em humanos, que incluíram doentes com Esclerose Lateral Amiotrófica, nos quais foram avaliados os seguintes resultados: pico do fluxo de tosse (PCF), testes de função pulmonar, sintomas (fadiga, e dispneia), qualidade de vida, episódios de infeção respiratória, hospitalizações, dias de antibiótico e sobrevida. Foram excluídos artigos de revisão sistemática e casos clínicos. Resultados: Quatorze estudos cumpriram os critérios de inclusão. Vários estudos consideraram ser necessário um valor de PCF superior a 2,70 L/s de forma a prover uma tosse eficaz. As técnicas Breath Air Stacking, Manual Assisted Cough, Mechanical Cough Assist e Intermittent Positive Pressure Breathing foram eficazes a aumentar o PCF para níveis superiores ao limite mínimo considerado como necessário para a tosse eficaz. Por outro lado, as técnicas Coached Cough, Diaphragm Training e High Frequency Oscilantions, não foram úteis. Num estudo, a técnica NPPV+MAC foi eficaz a prolongar a sobrevida dos doentes e atrasou a necessidade de traqueostomia em pelo menos 1 ano. Conclusões: Este tipo de técnicas tem vindo a ganhar importância na prática fisioterapêutica. Apesar dos estudos publicados terem várias limitações, parece provável que várias das técnicas mais utilizadas sejam eficazes no incremento do PCF. Atendendo que a eficácia e a tolerabilidade das várias técnicas varia de doente para doente, a sua aplicação deve ser individualizada, tendo em conta não só os resultados desejados mas também o conforto do doente.
Autores principais:Mascarenhas, Pedro Miguel Teixeira
Assunto:Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) Técnicas de tosse Tecnicas auxiliadoras da tosse Aumento da tosse Neurologia
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença degenerativa que condiciona a progressiva perda de células motoras na medula espinhal, tronco cerebral e córtex motor. A esperança média de vida entre os 2-5 anos, torna a ELA uma das doenças neuromusculares mais graves. Quase sempre o curso da doença é inevitavelmente rápido até à falência respiratória. A reabilitação dos doentes assume cada vez mais um papel fundamental, nomeadamente através das técnicas de auxílio da tosse, que irão ser analisadas neste trabalho. Objetivos: fazer uma revisão das evidências, disponíveis na literatura médica, sobre a eficácia dos auxiliares da tosse na ALS. Métodos: Foram analisados todos os artigos publicados no período entre 2002 e 2017, com desenho experimental (ensaios clínicos, randomizados ou não) ou observacional (estudos de caso-controlo, estudos de coorte e estudos comparativos nos mesmos sujeitos), realizados em humanos, que incluíram doentes com Esclerose Lateral Amiotrófica, nos quais foram avaliados os seguintes resultados: pico do fluxo de tosse (PCF), testes de função pulmonar, sintomas (fadiga, e dispneia), qualidade de vida, episódios de infeção respiratória, hospitalizações, dias de antibiótico e sobrevida. Foram excluídos artigos de revisão sistemática e casos clínicos. Resultados: Quatorze estudos cumpriram os critérios de inclusão. Vários estudos consideraram ser necessário um valor de PCF superior a 2,70 L/s de forma a prover uma tosse eficaz. As técnicas Breath Air Stacking, Manual Assisted Cough, Mechanical Cough Assist e Intermittent Positive Pressure Breathing foram eficazes a aumentar o PCF para níveis superiores ao limite mínimo considerado como necessário para a tosse eficaz. Por outro lado, as técnicas Coached Cough, Diaphragm Training e High Frequency Oscilantions, não foram úteis. Num estudo, a técnica NPPV+MAC foi eficaz a prolongar a sobrevida dos doentes e atrasou a necessidade de traqueostomia em pelo menos 1 ano. Conclusões: Este tipo de técnicas tem vindo a ganhar importância na prática fisioterapêutica. Apesar dos estudos publicados terem várias limitações, parece provável que várias das técnicas mais utilizadas sejam eficazes no incremento do PCF. Atendendo que a eficácia e a tolerabilidade das várias técnicas varia de doente para doente, a sua aplicação deve ser individualizada, tendo em conta não só os resultados desejados mas também o conforto do doente.