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Avaliação da qualidade de vida de cães com leishmaniose

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A qualidade de vida é um conceito relevante quando abordamos a leishmaniose. De facto, sendo esta uma doença crónica que afeta diversos órgãos e tecidos, originando sinais e quadros clínicos diversos e muitas vezes graves, apresenta o potencial para afetar significativamente o bem-estar dos animais. Existem inúmeros estudos acerca do diagnóstico, tratamento, estadiamento e prognóstico mas, tanto quanto sabemos, até à data nenhum que inclua a avaliação da qualidade de vida destes animais, tal como existe noutras doenças crónicas. Assim sendo, pretendendo avaliar a qualidade de vida destes doentes, adaptou-se um questionário, que fora utilizado para o mesmo efeito noutros com cancro, de forma a avaliar a qualidade de vida dos animais antes e após o tratamento para a leishmaniose. Este foi posteriormente administrado a titulares de cães com leishmaniose que foram atendidos no Hospital VetSet em Palmela sendo que no total sete detentores cumpriram os critérios do estudo tendo respondido às questões propostas. De uma forma geral, a qualidade de vida antes do tratamento era boa tendo em consideração que 57,14% dos cães apresentavam uma qualidade de vida excelente, no entanto, para os outros detetou-se uma diminuição deste parâmetro que, com a realização do tratamento se colmatou, visto que 85,71% destes animais passou a ter uma qualidade de vida excelente. O estadiamento foi também realizado nos casos em que existiam dados para tal, tendo-se observado que todos os animais pertenciam ao estadio II e que, mais de metade destes, apresentava uma qualidade de vida excelente ou muito boa. Além disso, avaliou-se o impacto que esta doença teve na vida dos detentores, tendo-se verificado que, neste estudo em que os casos de leishmaniose são ligeiros, esta teve pouca influência, exceptuando no que concerne à administração intramuscular que foi apontada como sendo um fator de ansiedade adicional. Assim, concluiu-se que, nestes pacientes, existiu perda de qualidade de vida associada à leishmaniose mesmo apresentando eles formas discretas da doença, e que esta pôde ser recuperada após uma boa resposta à terapêutica. É provável que estadios mais avançados da doença sejam acompanhados de um maior impacto no bem-estar dos animais. Seria interessante estudar qual o impacto da doença e terapêutica específica nestes casos, contribuindo assim para um conhecimento mais aprofundado sobre o impacto da doença nestes pacientes.
Autores principais:Gameiro, Débora Alexandra Anjos Salvado
Assunto:Leishmaniose Leishmania infantum Cão Qualidade de vida Leishmaniasis Leishmania infantum Dog Quality of life
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A qualidade de vida é um conceito relevante quando abordamos a leishmaniose. De facto, sendo esta uma doença crónica que afeta diversos órgãos e tecidos, originando sinais e quadros clínicos diversos e muitas vezes graves, apresenta o potencial para afetar significativamente o bem-estar dos animais. Existem inúmeros estudos acerca do diagnóstico, tratamento, estadiamento e prognóstico mas, tanto quanto sabemos, até à data nenhum que inclua a avaliação da qualidade de vida destes animais, tal como existe noutras doenças crónicas. Assim sendo, pretendendo avaliar a qualidade de vida destes doentes, adaptou-se um questionário, que fora utilizado para o mesmo efeito noutros com cancro, de forma a avaliar a qualidade de vida dos animais antes e após o tratamento para a leishmaniose. Este foi posteriormente administrado a titulares de cães com leishmaniose que foram atendidos no Hospital VetSet em Palmela sendo que no total sete detentores cumpriram os critérios do estudo tendo respondido às questões propostas. De uma forma geral, a qualidade de vida antes do tratamento era boa tendo em consideração que 57,14% dos cães apresentavam uma qualidade de vida excelente, no entanto, para os outros detetou-se uma diminuição deste parâmetro que, com a realização do tratamento se colmatou, visto que 85,71% destes animais passou a ter uma qualidade de vida excelente. O estadiamento foi também realizado nos casos em que existiam dados para tal, tendo-se observado que todos os animais pertenciam ao estadio II e que, mais de metade destes, apresentava uma qualidade de vida excelente ou muito boa. Além disso, avaliou-se o impacto que esta doença teve na vida dos detentores, tendo-se verificado que, neste estudo em que os casos de leishmaniose são ligeiros, esta teve pouca influência, exceptuando no que concerne à administração intramuscular que foi apontada como sendo um fator de ansiedade adicional. Assim, concluiu-se que, nestes pacientes, existiu perda de qualidade de vida associada à leishmaniose mesmo apresentando eles formas discretas da doença, e que esta pôde ser recuperada após uma boa resposta à terapêutica. É provável que estadios mais avançados da doença sejam acompanhados de um maior impacto no bem-estar dos animais. Seria interessante estudar qual o impacto da doença e terapêutica específica nestes casos, contribuindo assim para um conhecimento mais aprofundado sobre o impacto da doença nestes pacientes.