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A decisão contra o silêncio: génese e transmissão de testemunhos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A necessidade de contar, que se exacerba quando sucede a experiências extremas, está na origem de todas as histórias. A diferição que ocorre frequentemente entre essas experiências e a narração delas é devida à procura imprescindível de uma linguagem comum ao narrador e ao ouvinte, o que nem sempre se caracteriza pela facilidade. Assim, por exemplo, os sobreviventes do Holocausto tiveram de proceder a traduções de várias ordens para não só construirem o seu testemunho de uma forma adequada à convivência com as suas recordações, como para o poderem transmitir aos outros e obter a sua aceitação; enfim, para conseguirem, de facto, sobreviver. Gerda Weissmann, Primo Levi, Art Spiegelman, Barbara Puschman e alguns outros são casos exemplares da existência destas questões – em que os conceitos de vítima e de culpado não são inconciliáveis – embora cada um deles com a sua especificidade, determinante de narrativas testemunhais genologicamente diferentes. Não obstante a escolha feita por cada um destes narradores da forma de contar as suas experiências, todos eles decidiram, mais cedo ou mais tarde, motivados por um ou outro estímulo, gerar uma história transmissível e fascinante na sua vitória sobre o silêncio.
Autores principais:Graça, Virgínia Pacheco,1948-
Assunto:Narrativa Anti-semitismo - Europa - séc.20 Filosofia literária Teses de doutoramento - 2003
Ano:2003
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A necessidade de contar, que se exacerba quando sucede a experiências extremas, está na origem de todas as histórias. A diferição que ocorre frequentemente entre essas experiências e a narração delas é devida à procura imprescindível de uma linguagem comum ao narrador e ao ouvinte, o que nem sempre se caracteriza pela facilidade. Assim, por exemplo, os sobreviventes do Holocausto tiveram de proceder a traduções de várias ordens para não só construirem o seu testemunho de uma forma adequada à convivência com as suas recordações, como para o poderem transmitir aos outros e obter a sua aceitação; enfim, para conseguirem, de facto, sobreviver. Gerda Weissmann, Primo Levi, Art Spiegelman, Barbara Puschman e alguns outros são casos exemplares da existência destas questões – em que os conceitos de vítima e de culpado não são inconciliáveis – embora cada um deles com a sua especificidade, determinante de narrativas testemunhais genologicamente diferentes. Não obstante a escolha feita por cada um destes narradores da forma de contar as suas experiências, todos eles decidiram, mais cedo ou mais tarde, motivados por um ou outro estímulo, gerar uma história transmissível e fascinante na sua vitória sobre o silêncio.