Publicação
Epidemiologia molecular da infeção em recém-nascidos por Streptococcus agalactiae em Portugal (2016-2019)
| Resumo: | A infeção causada por S. agalactiae consiste em uma das principais causas de doença invasiva neonatal em todo o mundo. Este trabalho teve como objetivo fazer uma análise fenotípica e genotípica de uma coleção de 83 estirpes de S. agalactiae isoladas de recém-nascidos e bebés até os três meses de idade com doença invasiva, provenientes de diferentes instituições de saúde de Portugal entre o período de 2016 e 2019. Todas as estirpes foram caracterizadas por sequenciação genómica incluindo a técnica de Multilocus sequence typing (MLST). Os serotipos III e Ib foram os mais dominantes, juntos representando cerca de 80% de toda a coleção de estirpes. Comparativamente com o estudo anterior, houve uma mudança na prevalência dos serotipos causando infeção invasiva entre recém-nascidos com o serotipo Ib sobrepondo o serotipo inicialmente dominante Ia. Mais de metade das estirpes foram agrupadas no CC17, com destaque para a linhagem genética hipervirulenta representada pelo ST17/III/rib/PI-1+PI-2b. Um subconjunto destas estirpes apresentando apenas PI-2b, observado anteriormente em estirpes do CC17 de recém-nascidos em Portugal (2015), foi novamente encontrado também apresentando vários genes de resistência antimicrobiana. Todas as estirpes do estudo eram sensíveis a penicilina, apesar de um pequeno número de estirpes (3,6%) apresentarem a substituição G398A na PBP2x que geralmente é associada a diminuição de suscetibilidade à penicilina. A resistência à eritromicina e clindamicina foi de 29% para ambos entre 2016 e 2019, maior que a observada no estudo anterior em Portugal (2015). O aumento da resistência aos macrólidos está associado ao aumento da nova linhagem genética do Ib/ST1, resultado de um processo de substituição capsular, um fenómeno raro mas que tem sido observado em Portugal. A expansão de clones emergentes com resistência aos macrólidos e lincosamidas e de estirpes multirresistentes aos antimicrobianos destacam a necessidade urgente de vigilância contínua das infeções invasivas e não invasivas causadas por S. agalactiae. |
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| Autores principais: | Rodrigues, Milani Sibell |
| Assunto: | Streptococcus agalactiae Infeção invasiva neonatal Epidemiologia molecular Resistência antimicrobiana Teses de mestrado - 2021 |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A infeção causada por S. agalactiae consiste em uma das principais causas de doença invasiva neonatal em todo o mundo. Este trabalho teve como objetivo fazer uma análise fenotípica e genotípica de uma coleção de 83 estirpes de S. agalactiae isoladas de recém-nascidos e bebés até os três meses de idade com doença invasiva, provenientes de diferentes instituições de saúde de Portugal entre o período de 2016 e 2019. Todas as estirpes foram caracterizadas por sequenciação genómica incluindo a técnica de Multilocus sequence typing (MLST). Os serotipos III e Ib foram os mais dominantes, juntos representando cerca de 80% de toda a coleção de estirpes. Comparativamente com o estudo anterior, houve uma mudança na prevalência dos serotipos causando infeção invasiva entre recém-nascidos com o serotipo Ib sobrepondo o serotipo inicialmente dominante Ia. Mais de metade das estirpes foram agrupadas no CC17, com destaque para a linhagem genética hipervirulenta representada pelo ST17/III/rib/PI-1+PI-2b. Um subconjunto destas estirpes apresentando apenas PI-2b, observado anteriormente em estirpes do CC17 de recém-nascidos em Portugal (2015), foi novamente encontrado também apresentando vários genes de resistência antimicrobiana. Todas as estirpes do estudo eram sensíveis a penicilina, apesar de um pequeno número de estirpes (3,6%) apresentarem a substituição G398A na PBP2x que geralmente é associada a diminuição de suscetibilidade à penicilina. A resistência à eritromicina e clindamicina foi de 29% para ambos entre 2016 e 2019, maior que a observada no estudo anterior em Portugal (2015). O aumento da resistência aos macrólidos está associado ao aumento da nova linhagem genética do Ib/ST1, resultado de um processo de substituição capsular, um fenómeno raro mas que tem sido observado em Portugal. A expansão de clones emergentes com resistência aos macrólidos e lincosamidas e de estirpes multirresistentes aos antimicrobianos destacam a necessidade urgente de vigilância contínua das infeções invasivas e não invasivas causadas por S. agalactiae. |
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