Publicação
A arquitectura romanesca em Portagem, de Orlando Mendes
| Resumo: | Uma análise aprofundada do romance Portagem, de Orlando Mendes, auxiliada por um conjunto de textos do Autor publicados em jornais das décadas de quarenta, cinquenta e sessenta, pode conduzir-nos a uma nova abordagem na leitura do texto, dos valores veiculados e dos pressupostos ideológicos inerentes a uma estética realista. Influenciado pelo Neo-Realismo português e pelo romance social americano das décadas de 1920 e 1930, o autor define um projecto, no qual expõe as dificuldades vividas pelo protagonista, o mulato João Xilim, numa sociedade colonial, que se sente marginalizado e discriminado por brancos e negros, vítima da desconfiança de ambas as raças. As dúvidas quanto à dualidade da personagem levam o protagonista a encetar uma busca pela afirmação da sua identidade, que coincide com uma série de obstáculos e de encontros com outras personagens, que lhe vão permitir um crescimento interior e uma consciencialização do seu papel naquela sociedade. O momento da afirmação plena da sua opção, a opção de ser negro, com o reconhecimento dos outros, acontece na cadeia quando toma partido dos negros. Cumpre-se, assim, o pagamento da portagem . A partir deste momento, a personagem está em condições de se tornar num indivíduo consciente, embora ainda necessite de outras aprendizagens, mas capaz de passar à luta colectiva. No processo de composição do enredo, em momentos descritivos que antecedem situações problemáticas, o Autor utiliza procedimentos formais que o aproximam do romance social americano, em especial de As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, ao deixar transparecer a técnica cinematográfica e o afastamento do narrador, convocando o efeito de real. Contudo, este projecto é também um romance de tese, na medida em que é escrito com o propósito de fazer a apologia da mestiçagem cultural e racial e igualmente propor uma nova sociedade baseada na síntese dos valores ancestrais da África tradicional e da mensagem de fraternidade do Novo Humanismo. |
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| Autores principais: | Machado,Susana Maria Norte Saraiva |
| Assunto: | Mendes, Orlando, 1917-1990 Romance moçambicano - séc.20 Análise literária |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Uma análise aprofundada do romance Portagem, de Orlando Mendes, auxiliada por um conjunto de textos do Autor publicados em jornais das décadas de quarenta, cinquenta e sessenta, pode conduzir-nos a uma nova abordagem na leitura do texto, dos valores veiculados e dos pressupostos ideológicos inerentes a uma estética realista. Influenciado pelo Neo-Realismo português e pelo romance social americano das décadas de 1920 e 1930, o autor define um projecto, no qual expõe as dificuldades vividas pelo protagonista, o mulato João Xilim, numa sociedade colonial, que se sente marginalizado e discriminado por brancos e negros, vítima da desconfiança de ambas as raças. As dúvidas quanto à dualidade da personagem levam o protagonista a encetar uma busca pela afirmação da sua identidade, que coincide com uma série de obstáculos e de encontros com outras personagens, que lhe vão permitir um crescimento interior e uma consciencialização do seu papel naquela sociedade. O momento da afirmação plena da sua opção, a opção de ser negro, com o reconhecimento dos outros, acontece na cadeia quando toma partido dos negros. Cumpre-se, assim, o pagamento da portagem . A partir deste momento, a personagem está em condições de se tornar num indivíduo consciente, embora ainda necessite de outras aprendizagens, mas capaz de passar à luta colectiva. No processo de composição do enredo, em momentos descritivos que antecedem situações problemáticas, o Autor utiliza procedimentos formais que o aproximam do romance social americano, em especial de As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, ao deixar transparecer a técnica cinematográfica e o afastamento do narrador, convocando o efeito de real. Contudo, este projecto é também um romance de tese, na medida em que é escrito com o propósito de fazer a apologia da mestiçagem cultural e racial e igualmente propor uma nova sociedade baseada na síntese dos valores ancestrais da África tradicional e da mensagem de fraternidade do Novo Humanismo. |
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