Publicação
A infecção por Staphylococcus aureus resistente à meticilina
| Resumo: | Objectivos: Caracterizar a infecção por Staphylococccus aureus resistente à meticilina, nomeadamente a sua prevalência e tratamento em duas Unidades de Cuidados Intensivos do Hospital Pulido Valente. Avaliar a prática da análise das concentrações plasmáticas de vancomicina, administrada em perfusão contínua no tratamento da infecção por Staphylococcus aureus resistente à meticilina. Metodologia: Foram avaliados os dados e os resultados referentes a 29 doentes (68 ± 14 anos) internados na Unidade de Cuidados Intensivos Médico-Cirúrgicos e na Unidade de Cuidados Intensivos de Pneumologia entre 1 de Abril de 2005 e 1 de Outubro de 2006, com um isolamento de Staphylococcus aureus resistente à meticilina e tratados com vancomicina em perfusão contínua com ou sem dose de carga. Em todos os doentes foram monitorizadas as concentrações plasmáticas de vancomicina. Foram comparados os resultados obtidos nos doentes com ajustamentos posológicos promovidos empiricamente, apenas com base nos resultados da monitorização plasmática do fármaco, com os obtidos nos doentes para os quais se recorreu a ajustamentos posológicos baseados na sua avaliação farmacocinética através da utilização do programa farmacocinético PKS (Abbottbase Pharmacokinetics System). Foi também analisada a importância da dose de carga no início do tratamento. Resultados: O tempo médio de tratamento foi de 253 ± 121 horas. O tempo médio para alcançar a concentração plasmática mínima pretendida de 15 μg/mL de vancomicina entre o grupo de doentes que recebeu uma dose de carga de 1000 mg e o grupo que recebeu 500 mg foi de 4,02 vs 29,93 horas. Os doentes tratados com vancomicina sem ajustamento baseado no seu estudo farmacocinético tiveram concentrações em steady state mais elevadas, uma maior flutuação entre a concentração mínima e a concentração máxima e uma maior percentagem de concentrações medidas superiores a 25 μg/mL (concentração plasmática máxima pretendida). Neste mesmo grupo de doentes, 16,7% interromperam temporariamente o tratamento de modo a diminuir a concentração plasmática da vancomicina e 33,33% suspenderam o tratamento com concentrações plasmáticas tóxicas. Conclusões: A administração de uma dose de carga de 1000 mg traduz-se numa diminuição significativa do tempo necessário para atingir a concentração mínima desejada em steady state, quando comparada com a administração 500 mg de dose de carga de vancomicina. A análise farmacocinética individualizada com base nos valores de concentração da vancomicina permite fazer ajustamentos de posologia mais adequados e ter uma melhor previsão das concentrações plasmáticas terapêuticas, evitando o risco de toxicidade induzida. Na optimização da terapêutica com vancomicina verifica-se a importância de uma equipa multidisciplinar de cuidados de saúde, na qual o farmacêutico desempenha um papel fundamental na análise farmacocinética. |
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| Autores principais: | Ascensão, Maria Inês Antunes de |
| Assunto: | Microbiologia Epidemiologia Farmacocinética Teses de Mestrado |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Objectivos: Caracterizar a infecção por Staphylococccus aureus resistente à meticilina, nomeadamente a sua prevalência e tratamento em duas Unidades de Cuidados Intensivos do Hospital Pulido Valente. Avaliar a prática da análise das concentrações plasmáticas de vancomicina, administrada em perfusão contínua no tratamento da infecção por Staphylococcus aureus resistente à meticilina. Metodologia: Foram avaliados os dados e os resultados referentes a 29 doentes (68 ± 14 anos) internados na Unidade de Cuidados Intensivos Médico-Cirúrgicos e na Unidade de Cuidados Intensivos de Pneumologia entre 1 de Abril de 2005 e 1 de Outubro de 2006, com um isolamento de Staphylococcus aureus resistente à meticilina e tratados com vancomicina em perfusão contínua com ou sem dose de carga. Em todos os doentes foram monitorizadas as concentrações plasmáticas de vancomicina. Foram comparados os resultados obtidos nos doentes com ajustamentos posológicos promovidos empiricamente, apenas com base nos resultados da monitorização plasmática do fármaco, com os obtidos nos doentes para os quais se recorreu a ajustamentos posológicos baseados na sua avaliação farmacocinética através da utilização do programa farmacocinético PKS (Abbottbase Pharmacokinetics System). Foi também analisada a importância da dose de carga no início do tratamento. Resultados: O tempo médio de tratamento foi de 253 ± 121 horas. O tempo médio para alcançar a concentração plasmática mínima pretendida de 15 μg/mL de vancomicina entre o grupo de doentes que recebeu uma dose de carga de 1000 mg e o grupo que recebeu 500 mg foi de 4,02 vs 29,93 horas. Os doentes tratados com vancomicina sem ajustamento baseado no seu estudo farmacocinético tiveram concentrações em steady state mais elevadas, uma maior flutuação entre a concentração mínima e a concentração máxima e uma maior percentagem de concentrações medidas superiores a 25 μg/mL (concentração plasmática máxima pretendida). Neste mesmo grupo de doentes, 16,7% interromperam temporariamente o tratamento de modo a diminuir a concentração plasmática da vancomicina e 33,33% suspenderam o tratamento com concentrações plasmáticas tóxicas. Conclusões: A administração de uma dose de carga de 1000 mg traduz-se numa diminuição significativa do tempo necessário para atingir a concentração mínima desejada em steady state, quando comparada com a administração 500 mg de dose de carga de vancomicina. A análise farmacocinética individualizada com base nos valores de concentração da vancomicina permite fazer ajustamentos de posologia mais adequados e ter uma melhor previsão das concentrações plasmáticas terapêuticas, evitando o risco de toxicidade induzida. Na optimização da terapêutica com vancomicina verifica-se a importância de uma equipa multidisciplinar de cuidados de saúde, na qual o farmacêutico desempenha um papel fundamental na análise farmacocinética. |
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