Publicação
Hélio Oiticica e o salto para um novo espaço pictórico
| Resumo: | Hélio Oiticica pautou seu trabalho em uma constante pesquisa, embasamento teórico e referencial filosófico. Com suas origens no Concretismo brasileiro, pontuado por referências no abstracionismo geométrico, neoplasticismo desembocando em proposições que dão origem ao Neoconcretismo, Oiticica inventou uma arte única e que o diferencia de seus pares. Suas experimentações o colocam no patamar de criadores contemporâneos que romperam com o fazer artístico, inovando e criando novas formas da arte. Esse fazer novo, vanguardista, suscita questionamentos para além de uma estética visual trazendo o espectador para uma função de cocriador. Oiticica rompe com a ilusão da representação da pintura; suas experimentações em experimentar o experimental firmaram conceitos onde a estrutura e cor, que são inseparáveis, espaço e tempo num conceito atemporal, fazem parte de dimensões do mesmo fenômeno: o tempo como fator intrínseco na obra, nem estático nem dinâmico, perfaz uma duração, num cruzamento orgânico de arte-vida. O presente trabalho busca compreender, privilegiando os textos de Oiticica e sua multiplicidade de proposições, a assimilação de linguagens e suas influências, origens e continuações. Entender o rompimento de Oiticica com a abstração concretista, desde os Sem Título, Secos e Metaesquemas, seus estudos iniciais, transitando com a cor para o espaço ambiente pelos Bilaterais, Invenções, Relevos Espaciais e Núcleos. Perceber a entrada do corpo numa relação física e imersiva nos Penetráveis até aos contentores de cor Bólides, acionando a pluralidade sensorial da perceção e culminando nos Parangolés, o corpo na obra numa junção com o participador de arte e vida, entre os anos de 1954 a 1966, período que Oiticica desenvolve seu Programa ambiental. Analogias entre Oiticica e seus contemporâneos, situando-o num contexto mundial para, em um segundo momento, compreender suas experimentações da cor e a transformação do quadro, reduzindo a pintura a planos estruturais de cor para o salto para um novo espaço pictórico e, através da própria cor e de suas invenções, num enquadramento histórico, revisar conceitos da arte contemporânea e seu novo lugar institucional. |
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| Autores principais: | Vieira, Paulo Valle |
| Assunto: | Oiticica, Hélio, 1937-1980 Arte - Brasil - séc.21 Arte concreta Suprematismo Neoplasticismo De Stijl Teses de mestrado - 2018 |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Hélio Oiticica pautou seu trabalho em uma constante pesquisa, embasamento teórico e referencial filosófico. Com suas origens no Concretismo brasileiro, pontuado por referências no abstracionismo geométrico, neoplasticismo desembocando em proposições que dão origem ao Neoconcretismo, Oiticica inventou uma arte única e que o diferencia de seus pares. Suas experimentações o colocam no patamar de criadores contemporâneos que romperam com o fazer artístico, inovando e criando novas formas da arte. Esse fazer novo, vanguardista, suscita questionamentos para além de uma estética visual trazendo o espectador para uma função de cocriador. Oiticica rompe com a ilusão da representação da pintura; suas experimentações em experimentar o experimental firmaram conceitos onde a estrutura e cor, que são inseparáveis, espaço e tempo num conceito atemporal, fazem parte de dimensões do mesmo fenômeno: o tempo como fator intrínseco na obra, nem estático nem dinâmico, perfaz uma duração, num cruzamento orgânico de arte-vida. O presente trabalho busca compreender, privilegiando os textos de Oiticica e sua multiplicidade de proposições, a assimilação de linguagens e suas influências, origens e continuações. Entender o rompimento de Oiticica com a abstração concretista, desde os Sem Título, Secos e Metaesquemas, seus estudos iniciais, transitando com a cor para o espaço ambiente pelos Bilaterais, Invenções, Relevos Espaciais e Núcleos. Perceber a entrada do corpo numa relação física e imersiva nos Penetráveis até aos contentores de cor Bólides, acionando a pluralidade sensorial da perceção e culminando nos Parangolés, o corpo na obra numa junção com o participador de arte e vida, entre os anos de 1954 a 1966, período que Oiticica desenvolve seu Programa ambiental. Analogias entre Oiticica e seus contemporâneos, situando-o num contexto mundial para, em um segundo momento, compreender suas experimentações da cor e a transformação do quadro, reduzindo a pintura a planos estruturais de cor para o salto para um novo espaço pictórico e, através da própria cor e de suas invenções, num enquadramento histórico, revisar conceitos da arte contemporânea e seu novo lugar institucional. |
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