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Caracterização das reações adversas hepáticas e renais reportadas à Unidade de Farmacovigilância do Sul durante o período de 2012 e 2016 (5 anos)

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Resumo:Introdução - As reações adversas a medicamentos (RAM) são uma das principais causas atuais de morbilidade e mortalidade, sendo considerado um grande problema de saúde pública. As RAM renais e hepáticas, apesar de não serem muito frequentes, são de extrema gravidade e, por isso, levam frequentemente a retiradas de medicamentos do mercado. Objetivos - Caracterizar o perfil de notificações espontâneas de reações adversas renais e hepáticas, enviadas à Unidade de Farmacovigilância do Sul (UFS) no período entre 2012 e 2016. Métodos - Estudo observacional descritivo, de orientação transversal, para análise das notificações de suspeitas de reações adversas hepáticas e renais, enviadas à UFS, diretamente por profissionais de saúde e utentes, no período de 2012 a 2016. Resultados - Do total de 1713 notificações espontâneas recebidas pela UFS durante os 5 anos em estudo, foram analisadas 19 (1,1%) referentes a RAM hepáticas e 55 (3,2%) referentes a RAM renais. As principais RAM hepáticas reportadas, foram, níveis elevados das enzimas transaminases e hepatotoxicidade. Os doentes afetados eram todos adultos (73,7%) ou idosos (26,3%), com uma média de idades de 52 anos, e principalmente do género feminino (52,63%). O principal notificador foi o farmacêutico e as notificações foram reportadas na maioria do hospital de Beja. O grupo terapêutico mais associado a estas reações foi o J04A anti-micobacterianos (fármacos para o tratamento da tuberculose), e o fármaco mais frequente foi a Isoniazida. Das 19 reações 13 (68%) foram consideradas graves, o principal motivo foi a hospitalização do doente e estiveram associadas, no período de estudo, a 2 mortes. De referir ainda que 15 (79%) das reações estavam descritas no RCM do medicamento suspeito. As principais RAM renais notificadas, foram a incontinência urinária e a falência renal, os doentes eram todos adultos (45,5%) ou idosos (54,5%), com uma média de idades de 64 anos, e principalmente do género masculino (58,18%). O principal notificador foi o farmacêutico e as notificações foram reportadas na maioria do hospital de Évora. O grupo terapêutico mais associado a estas reações foi o M01A dos anti-inflamatórios não esteroides e antirreumáticos não esteroides, mas o fármaco mais frequente foi a Furosemida. Das 55 reações, 37 (67%) foram consideradas graves, o principal motivo foi a hospitalização do doente e, no período em análise, estiveram associadas a 4 mortes. De referir ainda que apenas 21 (38%) estavam descritas no RCM do medicamento suspeito. Conclusões - As reações adversas hepáticas e renais apesar de não apresentarem uma expressão muito acentuada face ao total das notificações enviadas à UFS ou mesmo ao Sistema Nacional de Farmacovigilância (SNF), são na sua maioria graves, implicando a hospitalização dos doentes. Desta forma, é compreensível o facto de constituírem motivo de retirada de alguns fármacos do mercado e a sua verdadeira importância e impacto quer a nível de saúde pública quer no âmbito económico. É assim fundamental a caracterização do perfil hepato e nefrotóxico dos fármacos nas fases pré e pós AIM.
Autores principais:Vitório, Ana Teresa dos Santos
Assunto:Reações adversas a medicamentos Farmacovigilância Nefrotoxicidade Hepatotoxicidade Mestrado Integrado - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução - As reações adversas a medicamentos (RAM) são uma das principais causas atuais de morbilidade e mortalidade, sendo considerado um grande problema de saúde pública. As RAM renais e hepáticas, apesar de não serem muito frequentes, são de extrema gravidade e, por isso, levam frequentemente a retiradas de medicamentos do mercado. Objetivos - Caracterizar o perfil de notificações espontâneas de reações adversas renais e hepáticas, enviadas à Unidade de Farmacovigilância do Sul (UFS) no período entre 2012 e 2016. Métodos - Estudo observacional descritivo, de orientação transversal, para análise das notificações de suspeitas de reações adversas hepáticas e renais, enviadas à UFS, diretamente por profissionais de saúde e utentes, no período de 2012 a 2016. Resultados - Do total de 1713 notificações espontâneas recebidas pela UFS durante os 5 anos em estudo, foram analisadas 19 (1,1%) referentes a RAM hepáticas e 55 (3,2%) referentes a RAM renais. As principais RAM hepáticas reportadas, foram, níveis elevados das enzimas transaminases e hepatotoxicidade. Os doentes afetados eram todos adultos (73,7%) ou idosos (26,3%), com uma média de idades de 52 anos, e principalmente do género feminino (52,63%). O principal notificador foi o farmacêutico e as notificações foram reportadas na maioria do hospital de Beja. O grupo terapêutico mais associado a estas reações foi o J04A anti-micobacterianos (fármacos para o tratamento da tuberculose), e o fármaco mais frequente foi a Isoniazida. Das 19 reações 13 (68%) foram consideradas graves, o principal motivo foi a hospitalização do doente e estiveram associadas, no período de estudo, a 2 mortes. De referir ainda que 15 (79%) das reações estavam descritas no RCM do medicamento suspeito. As principais RAM renais notificadas, foram a incontinência urinária e a falência renal, os doentes eram todos adultos (45,5%) ou idosos (54,5%), com uma média de idades de 64 anos, e principalmente do género masculino (58,18%). O principal notificador foi o farmacêutico e as notificações foram reportadas na maioria do hospital de Évora. O grupo terapêutico mais associado a estas reações foi o M01A dos anti-inflamatórios não esteroides e antirreumáticos não esteroides, mas o fármaco mais frequente foi a Furosemida. Das 55 reações, 37 (67%) foram consideradas graves, o principal motivo foi a hospitalização do doente e, no período em análise, estiveram associadas a 4 mortes. De referir ainda que apenas 21 (38%) estavam descritas no RCM do medicamento suspeito. Conclusões - As reações adversas hepáticas e renais apesar de não apresentarem uma expressão muito acentuada face ao total das notificações enviadas à UFS ou mesmo ao Sistema Nacional de Farmacovigilância (SNF), são na sua maioria graves, implicando a hospitalização dos doentes. Desta forma, é compreensível o facto de constituírem motivo de retirada de alguns fármacos do mercado e a sua verdadeira importância e impacto quer a nível de saúde pública quer no âmbito económico. É assim fundamental a caracterização do perfil hepato e nefrotóxico dos fármacos nas fases pré e pós AIM.