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Doença inflamatória intestinal: o papel dos medicamentos biológicos na terapêutica

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Resumo:A Doença Inflamatória Intestinal é uma patologia crónica que inclui essencialmente a Doença de Crohn e a Colite Ulcerosa. A evolução desta doença é intermitente e inesperada, intercalando-se períodos de exacerbação aguda com períodos de remissão, sendo considerada como uma patologia incapacitante e que diminui drasticamente a qualidade de vida do doente. A sua incidência e prevalência têm sofrido um aumento significativo sugerindo assim o seu aparecimento como doença global. Embora a etiologia desta patologia permaneça desconhecida, existem evidências crescentes de que a Doença Inflamatória Intestinal se desenvolve em indivíduos geneticamente suscetíveis, devido à influência de fatores exógenos e endógenos, que condicionam uma resposta inflamatória inapropriada. Esta patologia tem sido alvo de inúmeras investigações, uma vez que ainda não se conhece a sua cura. O tratamento engloba principalmente a terapêutica farmacológica e cirúrgica, incluindo também a terapêutica nutricional. O objetivo da terapêutica farmacológica é controlar os sintomas e a atividade da doença, induzir a remissão e prevenir as recidivas, otimizar a qualidade de vida dos doentes, minimizar as complicações e evitar a cirurgia. A abordagem farmacológica é constituída pela terapêutica não biológica (antibióticos, aminossalicilatos, corticosteróides e imunomoduladores) e pela terapêutica biológica. Atualmente é utilizada uma abordagem “step-up” e, portanto, os imunomoduladores e os biológicos são utilizados somente quando ocorre resposta inadequada ou intolerância dos doentes à terapêutica convencional, com exceção dos doentes que apresentem um prognóstico mais hostil e, cujos benefícios de um tratamento inicial mais agressivo ultrapasse os riscos que lhes estão associados. Atualmente estão aprovados para a Doença Inflamatória Intestinal os inibidores do TNF-α (Infliximab, Adalimumab, Golimumab, Certolizumab pegol) os inibidores da interleucina (Ustecinumab) e os antagonistas da integrina (Vedolizumab, Natalizumab). A utilização dos biológicos permite a cicatrização da mucosa intestinal, diminuindo as complicações resultantes da doença, as hospitalizações e a necessidade de cirurgia, permitindo assim melhorar significativamente a qualidade de vida dos doentes. Apesar das imensas vantagens associadas aos biológicos enfrentam-se vários desafios como as respostas inadequadas e as falhas no tratamento, sendo por isso essencial a implementação de um programa de monitorização laboratorial, no qual se realiza o doseamento do fármaco e do respetivo anticorpo antifármaco, o que permite garantir a eficácia do tratamento e o uso racional desta terapêutica. Atualmente encontram-se vários biológicos em desenvolvimento para a Doença Inflamatória Intestinal, sendo que a maioria das novas moléculas visam a ativação de células T, moléculas de adesão ou citocinas pró-inflamatórias.
Autores principais:Santos, Cláudia Maria Morgado dos
Assunto:Doença inflamatória intestinal Terapêutica não biológica Medicamentos biológicos Terapêutica anti-TNF-α Inibidores das interleucinas Antagonistas das integrinas Mestrado Integrado - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Doença Inflamatória Intestinal é uma patologia crónica que inclui essencialmente a Doença de Crohn e a Colite Ulcerosa. A evolução desta doença é intermitente e inesperada, intercalando-se períodos de exacerbação aguda com períodos de remissão, sendo considerada como uma patologia incapacitante e que diminui drasticamente a qualidade de vida do doente. A sua incidência e prevalência têm sofrido um aumento significativo sugerindo assim o seu aparecimento como doença global. Embora a etiologia desta patologia permaneça desconhecida, existem evidências crescentes de que a Doença Inflamatória Intestinal se desenvolve em indivíduos geneticamente suscetíveis, devido à influência de fatores exógenos e endógenos, que condicionam uma resposta inflamatória inapropriada. Esta patologia tem sido alvo de inúmeras investigações, uma vez que ainda não se conhece a sua cura. O tratamento engloba principalmente a terapêutica farmacológica e cirúrgica, incluindo também a terapêutica nutricional. O objetivo da terapêutica farmacológica é controlar os sintomas e a atividade da doença, induzir a remissão e prevenir as recidivas, otimizar a qualidade de vida dos doentes, minimizar as complicações e evitar a cirurgia. A abordagem farmacológica é constituída pela terapêutica não biológica (antibióticos, aminossalicilatos, corticosteróides e imunomoduladores) e pela terapêutica biológica. Atualmente é utilizada uma abordagem “step-up” e, portanto, os imunomoduladores e os biológicos são utilizados somente quando ocorre resposta inadequada ou intolerância dos doentes à terapêutica convencional, com exceção dos doentes que apresentem um prognóstico mais hostil e, cujos benefícios de um tratamento inicial mais agressivo ultrapasse os riscos que lhes estão associados. Atualmente estão aprovados para a Doença Inflamatória Intestinal os inibidores do TNF-α (Infliximab, Adalimumab, Golimumab, Certolizumab pegol) os inibidores da interleucina (Ustecinumab) e os antagonistas da integrina (Vedolizumab, Natalizumab). A utilização dos biológicos permite a cicatrização da mucosa intestinal, diminuindo as complicações resultantes da doença, as hospitalizações e a necessidade de cirurgia, permitindo assim melhorar significativamente a qualidade de vida dos doentes. Apesar das imensas vantagens associadas aos biológicos enfrentam-se vários desafios como as respostas inadequadas e as falhas no tratamento, sendo por isso essencial a implementação de um programa de monitorização laboratorial, no qual se realiza o doseamento do fármaco e do respetivo anticorpo antifármaco, o que permite garantir a eficácia do tratamento e o uso racional desta terapêutica. Atualmente encontram-se vários biológicos em desenvolvimento para a Doença Inflamatória Intestinal, sendo que a maioria das novas moléculas visam a ativação de células T, moléculas de adesão ou citocinas pró-inflamatórias.