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Plano de erradicação de Xenopus laevis (Daudin 1802) em Portugal

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Resumo:A perda da biodiversidade mundial tem como uma das principais causas a introdução de espécies exóticas. O controlo e a erradicação dessas espécies geram tanto mais benefício quanto mais cedo são utilizados. Em Portugal foi constatada recentemente a presença de um anuro endémico de África, Xenopus laevis, em duas ribeiras no concelho de Oeiras – Lage e Barcarena. Esta espécie possui uma elevada capacidade de dispersão, causou impactos ecológicos noutros locais onde foi introduzida, e pode ser vector de Batracochytrium dendrobatidis, um fungo responsável pelo declínio de muitas espécies de anfíbios. Assim, torna-se importante o controlo e erradicação desta espécie, antes que esta se consiga propagar por outros locais do país. Em 2010 foi iniciado o programa de erradicação de X. laevis em Portugal. Um dos principais objectivos desta tese é avaliar o sucesso do primeiro ano do plano; o outro é tentar detectar a presença de B. dendrobatidis nos indivíduos de X. laevis. Na primeira fase do plano de erradicação foi feita a prospecção de posturas e de girinos, bem como sessões de captura de adultos utilizando armadilhas de garrafa iscadas e pesca eléctrica. Capturou-se no total 102 X. laevis, 86 na Lage e 16 em Barcarena. Não houve correlação entre o número de animais capturados e o número de sessões de captura. O sexratio foi de 0,5 fêmeas por macho. O comprimento focinho-uróstilo das fêmeas foi 94,69±9,31 mm, e o dos machos 73,51±4,72 mm. Os animais capturados por métodos diferentes não diferiram em tamanho. Aparentemente o programa de erradicação ainda não teve efeitos mensuráveis na população de X. laevis. As capturas crescentes ao longo da época podem indicar que há animais escondidos ou em locais não visitados nas duas ribeiras, que podem recolonizar os locais de remoção. É importante a continuação do plano de erradicação e a expansão da campanha às regiões ainda não visitadas das ribeiras. Foram escolhidas amostras de alguns indivíduos de ambas as ribeiras para ensaios para a detecção do fungo. Seguiu-se um protocolo para obtenção de DNA e foram desenvolvidos e aplicados perfis de amplificação por PCR com diferentes pares de primers que amplificavam regiões ribossomais. Algumas amostras de X. laevis foram amplificadas em reacções de PCR com primers específicos para B. dendrobatidis. Os produtos de PCR obtidos foram sequenciados, mas as sequências obtidas não revelaram alguma identidade com as sequências deste fungo. A continuidade da pesquisa da presença de B. dendrobatidis nas populações de X. laevis existentes em Portugal ainda é importante, visto que se este fungo provoca uma patologia mortal em anfíbios de outras espécies, podendo conduzi-los até mesmo à extinção.
Autores principais:Vale, Priscilla Aparecida da Silva
Assunto:Anfíbios Biodiversidade Espécies exóticas Oeiras - Portugal Teses de mestrado - 2010
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A perda da biodiversidade mundial tem como uma das principais causas a introdução de espécies exóticas. O controlo e a erradicação dessas espécies geram tanto mais benefício quanto mais cedo são utilizados. Em Portugal foi constatada recentemente a presença de um anuro endémico de África, Xenopus laevis, em duas ribeiras no concelho de Oeiras – Lage e Barcarena. Esta espécie possui uma elevada capacidade de dispersão, causou impactos ecológicos noutros locais onde foi introduzida, e pode ser vector de Batracochytrium dendrobatidis, um fungo responsável pelo declínio de muitas espécies de anfíbios. Assim, torna-se importante o controlo e erradicação desta espécie, antes que esta se consiga propagar por outros locais do país. Em 2010 foi iniciado o programa de erradicação de X. laevis em Portugal. Um dos principais objectivos desta tese é avaliar o sucesso do primeiro ano do plano; o outro é tentar detectar a presença de B. dendrobatidis nos indivíduos de X. laevis. Na primeira fase do plano de erradicação foi feita a prospecção de posturas e de girinos, bem como sessões de captura de adultos utilizando armadilhas de garrafa iscadas e pesca eléctrica. Capturou-se no total 102 X. laevis, 86 na Lage e 16 em Barcarena. Não houve correlação entre o número de animais capturados e o número de sessões de captura. O sexratio foi de 0,5 fêmeas por macho. O comprimento focinho-uróstilo das fêmeas foi 94,69±9,31 mm, e o dos machos 73,51±4,72 mm. Os animais capturados por métodos diferentes não diferiram em tamanho. Aparentemente o programa de erradicação ainda não teve efeitos mensuráveis na população de X. laevis. As capturas crescentes ao longo da época podem indicar que há animais escondidos ou em locais não visitados nas duas ribeiras, que podem recolonizar os locais de remoção. É importante a continuação do plano de erradicação e a expansão da campanha às regiões ainda não visitadas das ribeiras. Foram escolhidas amostras de alguns indivíduos de ambas as ribeiras para ensaios para a detecção do fungo. Seguiu-se um protocolo para obtenção de DNA e foram desenvolvidos e aplicados perfis de amplificação por PCR com diferentes pares de primers que amplificavam regiões ribossomais. Algumas amostras de X. laevis foram amplificadas em reacções de PCR com primers específicos para B. dendrobatidis. Os produtos de PCR obtidos foram sequenciados, mas as sequências obtidas não revelaram alguma identidade com as sequências deste fungo. A continuidade da pesquisa da presença de B. dendrobatidis nas populações de X. laevis existentes em Portugal ainda é importante, visto que se este fungo provoca uma patologia mortal em anfíbios de outras espécies, podendo conduzi-los até mesmo à extinção.