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Análise da expressão e produção de enterotoxinas e toxina emética de Bacillus cereus

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Resumo:As doenças transmitidas por alimentos (DTA) têm vindo a emergir como um problema importante no domínio da saúde pública, com importantes implicações de ordem económica. O Bacillus cereus é uma bactéria Gram-positiva, β-hemolítica, em forma de bastonete, anaeróbia facultativa formadora de endósporos, capazes de resistir a diversos fatores físicos e químicos, como variações de temperatura, desidratação, agentes oxidantes, entre outros. Esta bactéria é responsável por dois tipos de toxinfeção: Uma síndrome diarreica, causada pelas enterotoxinas não-hemolítica e hemolisina BL, produzidas durante o crescimento vegetativo no hospedeiro, que provocam diarreia aguda, náuseas e dores abdominais; uma síndrome emética, provocada pela toxina termorresistente cereulida, produzida pela bactéria nos alimentos, responsável por náuseas e vómitos. Estas toxinfeções apresentam baixa mortalidade e moderada morbilidade, existindo no entanto vários registos de mortes associadas a elas, em especial à síndrome emética. No presente trabalho foram estudadas 23 estirpes de B.cereus, provenientes de isolados obtidos a partir de amostras alimentares colhidas entre 2008 e 2010, no Exército Português. Foi realizada uma análise de expressão génica por PCR quantitativo com o objetivo de avaliar os padrões de expressão dos genes que codificam os componentes das três toxinas. Foram realizados testes de deteção indireta das três toxinas em estudo e foi realizada deteção e quantificação direta da toxina cereulida através de espectrometria de massa. Os resultados da prevalência dos genes que codificam os componentes das toxinas não-hemolítica e hemolisina BL através da pesquisa por PCR são coincidentes com vários estudos já publicados. No entanto, concluiu-se que a utilização dos resultados do qPCR para confirmar a produção destas toxinas por uma dada estirpe deve ser abordada com cautela. Foi desenvolvido e aplicado um teste de deteção de β-hemólise dupla para ser utilizado como teste indirecto de deteção da toxina hemolisina BL. Os resultados deste método foram promissores e apontam para um possível emprego na vertente de diagnóstico. Foi possível constatar que todas as estirpes estudadas possuem potencial toxinogénico para uma ou mais das toxinas em estudo. Estes resultados demonstram o impacto que este microorganismo pode ter no âmbito da Saúde Pública.
Autores principais:Fonseca, Pedro Henrique Dobrões da
Assunto:Bacillus cereus Enterotoxina não-hemolítica Hemolisina BL Cereulida qPCR HPLC-MS Teses de mestrado - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As doenças transmitidas por alimentos (DTA) têm vindo a emergir como um problema importante no domínio da saúde pública, com importantes implicações de ordem económica. O Bacillus cereus é uma bactéria Gram-positiva, β-hemolítica, em forma de bastonete, anaeróbia facultativa formadora de endósporos, capazes de resistir a diversos fatores físicos e químicos, como variações de temperatura, desidratação, agentes oxidantes, entre outros. Esta bactéria é responsável por dois tipos de toxinfeção: Uma síndrome diarreica, causada pelas enterotoxinas não-hemolítica e hemolisina BL, produzidas durante o crescimento vegetativo no hospedeiro, que provocam diarreia aguda, náuseas e dores abdominais; uma síndrome emética, provocada pela toxina termorresistente cereulida, produzida pela bactéria nos alimentos, responsável por náuseas e vómitos. Estas toxinfeções apresentam baixa mortalidade e moderada morbilidade, existindo no entanto vários registos de mortes associadas a elas, em especial à síndrome emética. No presente trabalho foram estudadas 23 estirpes de B.cereus, provenientes de isolados obtidos a partir de amostras alimentares colhidas entre 2008 e 2010, no Exército Português. Foi realizada uma análise de expressão génica por PCR quantitativo com o objetivo de avaliar os padrões de expressão dos genes que codificam os componentes das três toxinas. Foram realizados testes de deteção indireta das três toxinas em estudo e foi realizada deteção e quantificação direta da toxina cereulida através de espectrometria de massa. Os resultados da prevalência dos genes que codificam os componentes das toxinas não-hemolítica e hemolisina BL através da pesquisa por PCR são coincidentes com vários estudos já publicados. No entanto, concluiu-se que a utilização dos resultados do qPCR para confirmar a produção destas toxinas por uma dada estirpe deve ser abordada com cautela. Foi desenvolvido e aplicado um teste de deteção de β-hemólise dupla para ser utilizado como teste indirecto de deteção da toxina hemolisina BL. Os resultados deste método foram promissores e apontam para um possível emprego na vertente de diagnóstico. Foi possível constatar que todas as estirpes estudadas possuem potencial toxinogénico para uma ou mais das toxinas em estudo. Estes resultados demonstram o impacto que este microorganismo pode ter no âmbito da Saúde Pública.