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Identificação de novas substâncias de abuso - caracterização por diversas técnicas analíticas

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Resumo:Este trabalho foi realizado entre setembro de 2023 e julho de 2024, no âmbito da colaboração entre o Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária e a Universidade de Lisboa (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Instituto Superior Técnico), com o objetivo de analisar, caracterizar, detetar e identificar Novas Substâncias Psicoativas (NSP). As NSP são substâncias de abuso, não abrangidas pelas convenções internacionais sobre estupefacientes e substâncias psicotrópicas, mas que representam uma ameaça à saúde pública. Estas substâncias podem ser análogas a drogas controladas existentes ou novos produtos químicos sintetizados para mimetizar os efeitos das drogas ilícitas. As autoridades forenses enfrentam desafios na implementação de metodologias analíticas para monitorização das NSP. Nomeadamente, há uma necessidade crescente de desenvolvimento de novas metodologias de análise para acompanhar as frequentes alterações estruturais destas substâncias e facilitar a sua identificação, mesmo na ausência de padrões de referência. Este trabalho envolveu a identificação de NSP em produtos apreendidos em Portugal, utilizando várias metodologias analíticas, incluindo cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa (GC-MS), cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massa de alta resolução em tandem (LC-HRMS/MS) e espectrometria de ressonância magnética nuclear (RMN). A análise de quatro amostras fornecidas pelo LPC-PJ, permitiu a identificação de seis substâncias psicoativas: 2F-DCK e DCK (arilciclo-hexilaminas), dois isómeros de fluoroanfetamina e uma bis(1-(2- fluorfenil)propano-2-il)amina (fenetilaminas), e 4OH-MiPT (triptaminas). Adicionalmente, foi ainda estudado o perfil metabólico de um opioide sintético detetado pela primeira vez na Europa inserido no subgrupo nitazenos, previamente isolado de uma amostra fornecida pelo LPC-PJ. A incubação in vitro deste opioide na fração S9 de fígado humano permitiu identificar apenas um metabolito de Fase I, por LC-HRMS/MS. Os metabolitos poderão ser usados como biomarcadores de exposição, em contextos forenses ou hospitalares, dada a rápida degradação metabólica do opioide que lhes dá origem.
Autores principais:Correia, Mariana de Magalhães António
Assunto:NSP Arilciclo-hexilaminas Fenetilaminas Triptaminas Nitazenos Teses de mestrado - 2024
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este trabalho foi realizado entre setembro de 2023 e julho de 2024, no âmbito da colaboração entre o Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária e a Universidade de Lisboa (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Instituto Superior Técnico), com o objetivo de analisar, caracterizar, detetar e identificar Novas Substâncias Psicoativas (NSP). As NSP são substâncias de abuso, não abrangidas pelas convenções internacionais sobre estupefacientes e substâncias psicotrópicas, mas que representam uma ameaça à saúde pública. Estas substâncias podem ser análogas a drogas controladas existentes ou novos produtos químicos sintetizados para mimetizar os efeitos das drogas ilícitas. As autoridades forenses enfrentam desafios na implementação de metodologias analíticas para monitorização das NSP. Nomeadamente, há uma necessidade crescente de desenvolvimento de novas metodologias de análise para acompanhar as frequentes alterações estruturais destas substâncias e facilitar a sua identificação, mesmo na ausência de padrões de referência. Este trabalho envolveu a identificação de NSP em produtos apreendidos em Portugal, utilizando várias metodologias analíticas, incluindo cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa (GC-MS), cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massa de alta resolução em tandem (LC-HRMS/MS) e espectrometria de ressonância magnética nuclear (RMN). A análise de quatro amostras fornecidas pelo LPC-PJ, permitiu a identificação de seis substâncias psicoativas: 2F-DCK e DCK (arilciclo-hexilaminas), dois isómeros de fluoroanfetamina e uma bis(1-(2- fluorfenil)propano-2-il)amina (fenetilaminas), e 4OH-MiPT (triptaminas). Adicionalmente, foi ainda estudado o perfil metabólico de um opioide sintético detetado pela primeira vez na Europa inserido no subgrupo nitazenos, previamente isolado de uma amostra fornecida pelo LPC-PJ. A incubação in vitro deste opioide na fração S9 de fígado humano permitiu identificar apenas um metabolito de Fase I, por LC-HRMS/MS. Os metabolitos poderão ser usados como biomarcadores de exposição, em contextos forenses ou hospitalares, dada a rápida degradação metabólica do opioide que lhes dá origem.