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Regeneração óssea : a relevância dos novos biomateriais nas especialidades de estomatologia e cirurgia maxilo facial

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Resumo:As novas técnicas de reabilitação oral, a necessidade de recuperação da forma e função perdida patologicamente, ou por traumatismos, são condicionadas pela presença ou ausência de osso na área maxilo facial. A utilização de enxertos de osso autólogo é considerada a melhor técnica para a recuperação do osso perdido. A morbilidade associada às técnicas de colheita de enxerto ósseo autólogo e a sua disponibilidade limitada no corpo humano, levou à investigação de novas metodologias de regeneração óssea. Aloenxertos de tecido ósseo, fosfatos cálcicos naturais, materiais sintéticos como as cerâmicas, biovidros, polímeros e compósitos foram utilizados com algum êxito em situações clínicas específicas. A descoberta de agentes indutores, como as BMP, veio trazer algum progresso à regeneração óssea. O preço elevado e o fraco conhecimento da sua acção noutros tecidos impediu até hoje o seu uso generalizado. A expansão e diferenciação celular, possível pelas tecnologias actualmente existentes, abriram o campo para a utilização de células mesenquimais (MSC). Estas células mostraram potencial de diferenciação in vitro, em osteoblastos, fibroblastos, mioblastos e adipocitos. É no âmbito da regeneração óssea com utilização de MSC que situamos o nosso trabalho. Foi nosso objectivo avaliar a regeneração óssea em defeitosósseos cranianos como resposta a dois tipos de materiais de preenchimento: hidroxiapatite reforçada com biovidro (HAGR) e o mesmo material servindo como transportador de MSC parcialmente diferenciadas, in vitro, em osteoblastos (HAGR+MSCOPD). A HAGR utilizada é um produto de patente Portuguesa, comercializada sob o nome Bonelike®. As propriedades da HAGR na regeneração óssea são conhecidas. A capacidade regenerativa óssea da HAG+MSCROPD em animais não tinha sido ainda testada, razão pela qual foi realizado este trabalho. As células foram obtidas da medula óssea da crista ilíaca do coelho através de aspiração com agulha. Depois de recolhidas as células foram isoladas seguindo protocolo de separação mecânica.Cumprido o protocolo de isolamento foi iniciado o processo de culturae subculturas celulares para diferenciação osteogénica. As célulasobtidas foram colocadas em meio de cultura para expansão ediferenciação osteoblástica (alfa-MEM com 1% pen/strep, 2 mM Lglutamina,20% FBS, 10mM Beta-glicerofosfato, 50 µg/ml ácidoascórbico e 100 nM dexametasona), em placas T75, e colocadas emcâmaras de cultura de CO2 à temperatura de 37º C, 7% CO2 ehumidade relativa de 90%-95%. Foram transplantadas para cada defeito 3.000.000 ±1.000.000 de células. Como controlos negativos e positivos foram utilizados respectivamente defeitos sem preenchimento e com osso autólogo. Avaliámos a regeneração óssea em 72 defeitos circulares na calote craniana de 36 coelhos New Zealand White com distribuição aleatória, na primeira, segunda e quarta semana. As peças obtidas após sacrifício dos animais foram: observadas macroscópicamente; radiografadas com radiologia digital directa (Kodak RVG 6000, Eastman Kodak Company, França); preparadas para observação histológica com técnica de osso não descalcificado (sistema Exakt protocolo de Donath) e observadas em estereomicroscópio (Nikon SMZ 1500) e microscópio óptico de campo claro (Nikon Eclipse 600). A quantificação do novo osso formado foi efectuada por histomorfometria (programa Bioquant® Nova) e tratamento estatístico (ANOVA com medições repetidas). Esta avaliação foi efectuada para toda a área do defeito e para uma área central pré definida. Esta última foi escolhida para se minorar o efeito osteogénico dependente das células do hospedeiro presentes nas margens do defeito. Pela avaliação macroscópica e histológica não se observam quaisquer reacções locais ou sistémicas aos materiais utilizados. Os animais recuperaram sem complicações da anestesia e cirurgia. A avaliação com radiologia digital directa mostrou a formação denovo osso, sobretudo nas margens do defeito mas foi pouco discriminativa nos defeitos em que se utilizaram partículas de HAGR que, devido à sua densidade elevada geram imagens de sobreposição. Através do exame histológico, em cortes coronais e horizontaisfoi possível avaliar a evolução temporal da regeneração óssea dosdefeitos. Confirmámos que os defeitos sem preenchimento epreenchidos com osso autógeno se comportaram como controlosnegativos e positivos. Observamos uma maior regeneração óssea nosdefeitos preenchidos com HAGR + MSCOPD quando comparados comos preenchidos apenas com HAGR. Foi confirmada a capacidadeosteocondutora da HAGR uma vez que os resultados obtidos sãosuperiores aos dos defeitos sem qualquer tipo de preenchimento. Aavaliação quantitativa por histomorfometria mostrou valores comdiferenças significativas relativas à relação entre os grupos, no tempo e inter relação grupos/tempo (p<0,005). Deste trabalho poderemos retirar as seguintes conclusões: o modelo animal escolhido pode ser considerado adequado; o material sintético utilizado não desencadeou qualquer reacção local avaliada pela observação macroscópica e histológica; os materiais sintéticos utilizados apresentaram propriedade osteogénicas; a adição de MSC parcialmente diferenciadas in vitro à HAGR melhora a capacidade osteogénica deste material na regeneração óssea de defeitos cranianos criados na calote craniana do coelho.
Autores principais:Salvado, Francisco
Assunto:Regeneração óssea Estomatologia Materiais biocompativeis Cirurgia maxilofacial Teses de doutoramento - 2007
Ano:2007
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As novas técnicas de reabilitação oral, a necessidade de recuperação da forma e função perdida patologicamente, ou por traumatismos, são condicionadas pela presença ou ausência de osso na área maxilo facial. A utilização de enxertos de osso autólogo é considerada a melhor técnica para a recuperação do osso perdido. A morbilidade associada às técnicas de colheita de enxerto ósseo autólogo e a sua disponibilidade limitada no corpo humano, levou à investigação de novas metodologias de regeneração óssea. Aloenxertos de tecido ósseo, fosfatos cálcicos naturais, materiais sintéticos como as cerâmicas, biovidros, polímeros e compósitos foram utilizados com algum êxito em situações clínicas específicas. A descoberta de agentes indutores, como as BMP, veio trazer algum progresso à regeneração óssea. O preço elevado e o fraco conhecimento da sua acção noutros tecidos impediu até hoje o seu uso generalizado. A expansão e diferenciação celular, possível pelas tecnologias actualmente existentes, abriram o campo para a utilização de células mesenquimais (MSC). Estas células mostraram potencial de diferenciação in vitro, em osteoblastos, fibroblastos, mioblastos e adipocitos. É no âmbito da regeneração óssea com utilização de MSC que situamos o nosso trabalho. Foi nosso objectivo avaliar a regeneração óssea em defeitosósseos cranianos como resposta a dois tipos de materiais de preenchimento: hidroxiapatite reforçada com biovidro (HAGR) e o mesmo material servindo como transportador de MSC parcialmente diferenciadas, in vitro, em osteoblastos (HAGR+MSCOPD). A HAGR utilizada é um produto de patente Portuguesa, comercializada sob o nome Bonelike®. As propriedades da HAGR na regeneração óssea são conhecidas. A capacidade regenerativa óssea da HAG+MSCROPD em animais não tinha sido ainda testada, razão pela qual foi realizado este trabalho. As células foram obtidas da medula óssea da crista ilíaca do coelho através de aspiração com agulha. Depois de recolhidas as células foram isoladas seguindo protocolo de separação mecânica.Cumprido o protocolo de isolamento foi iniciado o processo de culturae subculturas celulares para diferenciação osteogénica. As célulasobtidas foram colocadas em meio de cultura para expansão ediferenciação osteoblástica (alfa-MEM com 1% pen/strep, 2 mM Lglutamina,20% FBS, 10mM Beta-glicerofosfato, 50 µg/ml ácidoascórbico e 100 nM dexametasona), em placas T75, e colocadas emcâmaras de cultura de CO2 à temperatura de 37º C, 7% CO2 ehumidade relativa de 90%-95%. Foram transplantadas para cada defeito 3.000.000 ±1.000.000 de células. Como controlos negativos e positivos foram utilizados respectivamente defeitos sem preenchimento e com osso autólogo. Avaliámos a regeneração óssea em 72 defeitos circulares na calote craniana de 36 coelhos New Zealand White com distribuição aleatória, na primeira, segunda e quarta semana. As peças obtidas após sacrifício dos animais foram: observadas macroscópicamente; radiografadas com radiologia digital directa (Kodak RVG 6000, Eastman Kodak Company, França); preparadas para observação histológica com técnica de osso não descalcificado (sistema Exakt protocolo de Donath) e observadas em estereomicroscópio (Nikon SMZ 1500) e microscópio óptico de campo claro (Nikon Eclipse 600). A quantificação do novo osso formado foi efectuada por histomorfometria (programa Bioquant® Nova) e tratamento estatístico (ANOVA com medições repetidas). Esta avaliação foi efectuada para toda a área do defeito e para uma área central pré definida. Esta última foi escolhida para se minorar o efeito osteogénico dependente das células do hospedeiro presentes nas margens do defeito. Pela avaliação macroscópica e histológica não se observam quaisquer reacções locais ou sistémicas aos materiais utilizados. Os animais recuperaram sem complicações da anestesia e cirurgia. A avaliação com radiologia digital directa mostrou a formação denovo osso, sobretudo nas margens do defeito mas foi pouco discriminativa nos defeitos em que se utilizaram partículas de HAGR que, devido à sua densidade elevada geram imagens de sobreposição. Através do exame histológico, em cortes coronais e horizontaisfoi possível avaliar a evolução temporal da regeneração óssea dosdefeitos. Confirmámos que os defeitos sem preenchimento epreenchidos com osso autógeno se comportaram como controlosnegativos e positivos. Observamos uma maior regeneração óssea nosdefeitos preenchidos com HAGR + MSCOPD quando comparados comos preenchidos apenas com HAGR. Foi confirmada a capacidadeosteocondutora da HAGR uma vez que os resultados obtidos sãosuperiores aos dos defeitos sem qualquer tipo de preenchimento. Aavaliação quantitativa por histomorfometria mostrou valores comdiferenças significativas relativas à relação entre os grupos, no tempo e inter relação grupos/tempo (p<0,005). Deste trabalho poderemos retirar as seguintes conclusões: o modelo animal escolhido pode ser considerado adequado; o material sintético utilizado não desencadeou qualquer reacção local avaliada pela observação macroscópica e histológica; os materiais sintéticos utilizados apresentaram propriedade osteogénicas; a adição de MSC parcialmente diferenciadas in vitro à HAGR melhora a capacidade osteogénica deste material na regeneração óssea de defeitos cranianos criados na calote craniana do coelho.