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A magnanimidade da teoria: interpretar a ética em teoria da literatura

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Resumo:Um dos pressupostos desta tese consiste na ideia segundo a qual o pensamento ético só adquire propriedade conceptual se preliminarmente pudermos definir ‘acção’. Como se procura demonstrar no capítulo I, saber o que é uma acção não se constitui, no entanto, como 3 tarefa que descobre e estabelece propriedades intrínsecas e estáveis, mas como descrição de certas ocorrências, nos termos das pessoas que procuram explicar e descrever acções. Assim, o pensamento ético é algo que se constitui a partir da coerência e racionalidade de certas descrições de acções particulares e não um sistema de regras ou prescrições. Defende-se que a coerência estrutural destas descrições determina não apenas a consideração moral das acções, mas também a possibilidade do conhecimento entre as pessoas e a certeza, mais poética do que epistemológica, da sua existência. Se uma certa estabilidade do texto ético e uma certeza suficiente acerca do conhecimento humano dependem da configuração mais ou menos padronizada das acções humanas e do funcionamento mental, assumem especial relevância cognitiva e ética os casos e fenómenos de irracionalidade na realização de acções e formação de crenças. De facto, como se sugere no capítulo II, estes casos suscitam perplexidades éticas e cognitivas e assinalam o carácter provisório e conceptualmente circunscrito das nossas descrições sobre acções e pessoas, no contexto restrito do pensamento filosófico e ético. Importa por isso considerar outros textos em que a acção se constitui como motivo de estrutura argumentativa e objecto de análise. A consideração da tragédia e, sobretudo, a análise da teorização poética de Aristóteles acerca do texto trágico formam o capítulo III desta tese. A determinação ética da argumentação técnica da Poética é tão relevante para o entendimento da tragédia quanto, para a ética, conduta moral e compreensão da irracionalidade, é de absoluta pertinência uma particular descrição da acção trágica e da peculiaridade de certas actividades interpretativas exigidas não só por esse entendimento trágico de acção, mas por qualquer texto.
Autores principais:Antunes, David João Neves,1969-
Assunto:Filosofia literária Ética Filosofia da acção Teses de doutoramento - 2003
Ano:2002
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Um dos pressupostos desta tese consiste na ideia segundo a qual o pensamento ético só adquire propriedade conceptual se preliminarmente pudermos definir ‘acção’. Como se procura demonstrar no capítulo I, saber o que é uma acção não se constitui, no entanto, como 3 tarefa que descobre e estabelece propriedades intrínsecas e estáveis, mas como descrição de certas ocorrências, nos termos das pessoas que procuram explicar e descrever acções. Assim, o pensamento ético é algo que se constitui a partir da coerência e racionalidade de certas descrições de acções particulares e não um sistema de regras ou prescrições. Defende-se que a coerência estrutural destas descrições determina não apenas a consideração moral das acções, mas também a possibilidade do conhecimento entre as pessoas e a certeza, mais poética do que epistemológica, da sua existência. Se uma certa estabilidade do texto ético e uma certeza suficiente acerca do conhecimento humano dependem da configuração mais ou menos padronizada das acções humanas e do funcionamento mental, assumem especial relevância cognitiva e ética os casos e fenómenos de irracionalidade na realização de acções e formação de crenças. De facto, como se sugere no capítulo II, estes casos suscitam perplexidades éticas e cognitivas e assinalam o carácter provisório e conceptualmente circunscrito das nossas descrições sobre acções e pessoas, no contexto restrito do pensamento filosófico e ético. Importa por isso considerar outros textos em que a acção se constitui como motivo de estrutura argumentativa e objecto de análise. A consideração da tragédia e, sobretudo, a análise da teorização poética de Aristóteles acerca do texto trágico formam o capítulo III desta tese. A determinação ética da argumentação técnica da Poética é tão relevante para o entendimento da tragédia quanto, para a ética, conduta moral e compreensão da irracionalidade, é de absoluta pertinência uma particular descrição da acção trágica e da peculiaridade de certas actividades interpretativas exigidas não só por esse entendimento trágico de acção, mas por qualquer texto.