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Studia graeca em Portugal no século XVI : leitores e tradutores de Luciano de Samósata

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Tendo como principal objectivo contribuir para a investigação do estudo da língua grega em Portugal no século XVI, esta dissertação foca-se na disseminação da obra de Luciano de Samósata, mais especificamente nos leitores, comentadores e tradutores portugueses do corpus lucianeum. A primeira parte centra-se na análise de inventários e edições quinhentistas actualmente preservados em bibliotecas portuguesas que fornecem informações sobre a circulação de textos de Luciano em Portugal. O estudo dos marginalia não só revela o interesse suscitado pela sua obra – frequentemente associado ao estudo da língua – mas também indica que instrumenta eram usados para facilitar o acesso ao texto grego, tais como dicionários, enciclopédias ou traduções latinas. Os sinais de censura inquisitorial presentes em muitas destas espécies revelam as vicissitudes inerentes à leitura e interpretação da obra do sofista. A análise da versão latina do De Dea Syria de Jorge Coelho, que constitui o núcleo da segunda parte, proporciona uma compreensão mais profunda acerca do uso pedagógico de Luciano. A existência de um manuscrito anterior à versão final permite uma comparação dos diferentes estádios do texto latino, demonstrando o desenvolvimento das competências de Coelho enquanto tradutor, ao mesmo tempo que proporciona um maior entendimento do processo de revisão e do uso de traduções intermediárias na reformulação da versão final. Por fim, a influência de Luciano de Samósata na Literatura Portuguesa Quinhentista, mais especificamente na obra de João Rodrigues de Sá de Meneses, Gil Vicente e Jorge Ferreira de Vasconcelos, confirma que a leitura do corpus lucianeum não se limitou a círculos académicos. Ainda que a partir de traduções latinas ou de outras formas de transmissão indirecta, nomeadamente imitações latinas ou vernáculas e representações iconográficas, estes textos mostram a utilização de temas e motivos provenientes da obra de Luciano para comentar questões contemporâneas. Ao fornecer uma descrição geral da leitura e interpretação de Luciano, este trabalho confirma que os leitores portugueses não eram muito diferentes dos de outros países europeus e tinham, na verdade, uma abordagem semelhante relativamente aos seus textos.
Autores principais:Resende, Maria Luísa de Oliveira
Assunto:Luciano, de Samosata, 0125?-0192?, Portugal, séc.16 - Apreciação Luciano, de Samosata, 0125?-0192?, Portugal, séc.16 - Influência Luciano, de Samosata, 0125?-0192?, Portugal, séc.16 - Traduções Literatura portuguesa - séc.16 - História e crítica Língua grega - Estudo e ensino - Portugal - séc.16 Teses de doutoramento - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Tendo como principal objectivo contribuir para a investigação do estudo da língua grega em Portugal no século XVI, esta dissertação foca-se na disseminação da obra de Luciano de Samósata, mais especificamente nos leitores, comentadores e tradutores portugueses do corpus lucianeum. A primeira parte centra-se na análise de inventários e edições quinhentistas actualmente preservados em bibliotecas portuguesas que fornecem informações sobre a circulação de textos de Luciano em Portugal. O estudo dos marginalia não só revela o interesse suscitado pela sua obra – frequentemente associado ao estudo da língua – mas também indica que instrumenta eram usados para facilitar o acesso ao texto grego, tais como dicionários, enciclopédias ou traduções latinas. Os sinais de censura inquisitorial presentes em muitas destas espécies revelam as vicissitudes inerentes à leitura e interpretação da obra do sofista. A análise da versão latina do De Dea Syria de Jorge Coelho, que constitui o núcleo da segunda parte, proporciona uma compreensão mais profunda acerca do uso pedagógico de Luciano. A existência de um manuscrito anterior à versão final permite uma comparação dos diferentes estádios do texto latino, demonstrando o desenvolvimento das competências de Coelho enquanto tradutor, ao mesmo tempo que proporciona um maior entendimento do processo de revisão e do uso de traduções intermediárias na reformulação da versão final. Por fim, a influência de Luciano de Samósata na Literatura Portuguesa Quinhentista, mais especificamente na obra de João Rodrigues de Sá de Meneses, Gil Vicente e Jorge Ferreira de Vasconcelos, confirma que a leitura do corpus lucianeum não se limitou a círculos académicos. Ainda que a partir de traduções latinas ou de outras formas de transmissão indirecta, nomeadamente imitações latinas ou vernáculas e representações iconográficas, estes textos mostram a utilização de temas e motivos provenientes da obra de Luciano para comentar questões contemporâneas. Ao fornecer uma descrição geral da leitura e interpretação de Luciano, este trabalho confirma que os leitores portugueses não eram muito diferentes dos de outros países europeus e tinham, na verdade, uma abordagem semelhante relativamente aos seus textos.