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Caracterização dos influencers e dos seus conteúdos no âmbito da alimentação saudável em Portugal

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Summary:A utilização de redes sociais e a exposição a conteúdo baseado em imagens tem- -se associado a uma imagem corporal mais negativa e a escolhas alimentares menos saudáveis em jovens adultos vulneráveis à influência das redes sociais. Objetivos: Caracterizar os influencers portugueses que criam conteúdos na área da alimentação e os seus conteúdos. Métodos: Realizado estudo observacional analítico transversal com utilização de conteúdos públicos. Foram avaliados influencers portugueses, com mais de 100000 seguidores, com pelo menos 6 publicações no feed nos últimos 6 meses, sobre alimentação, nutrição e saúde. Os dados foram recolhidos durante um mês e foram analisados os 10 dias com maior número de conteúdos. Após a seleção da amostra, foram analisados 42 influencers e 788 conteúdos. Resultados: Os influencers eram 71,7% do género feminino, 11,9% possuíam licenciatura em dietética e nutrição e 57,1% utilizaram a imagem corporal no feed. Observou-se que o género feminino utilizou mais imagem corporal no feed do que o género masculino. Dos conteúdos avaliados, 92,9% são instastories, 49,4% apresentavam, pelo menos, uma publicidade e 30% das alegações dos conteúdos não tinham evidência científica robusta. Os nutricionistas avaliados foram os que utilizaram menos publicidade. Na avaliação das opções de refeição, as hortícolas, a fruta e os cereais pouco refinados aparecem com uma frequência inferior à recomendada e os grupos da carne, pescado, ovo e gorduras surgem com uma frequência quase quatro vezes superior. Discussão/Conclusão: Os indivíduos avaliados não possuem idoneidade para comunicar nutrição. O algoritmo do Instagram filtra os conteúdos apresentados permitindo às marcas amplificar as suas vendas e perturba os usuários mais sensíveis no que diz respeito à imagem corporal. Orientações mais objetivas relativamente à publicidade nas redes sociais, estratégias digitais para a promoção da alimentação saudável, a explicação do algoritmo e o combate à desinformação por organismos públicos são necessários para uma utilização das redes sociais positiva.
Main Authors:Ramos, Joana Gonçalves
Subject:Instagram Influencers Algoritmo Conteúdos Alimentação Portugal Teses de mestrado - 2022
Year:2023
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Lisboa
Language:Portuguese
Origin:Repositório da Universidade de Lisboa
Description
Summary:A utilização de redes sociais e a exposição a conteúdo baseado em imagens tem- -se associado a uma imagem corporal mais negativa e a escolhas alimentares menos saudáveis em jovens adultos vulneráveis à influência das redes sociais. Objetivos: Caracterizar os influencers portugueses que criam conteúdos na área da alimentação e os seus conteúdos. Métodos: Realizado estudo observacional analítico transversal com utilização de conteúdos públicos. Foram avaliados influencers portugueses, com mais de 100000 seguidores, com pelo menos 6 publicações no feed nos últimos 6 meses, sobre alimentação, nutrição e saúde. Os dados foram recolhidos durante um mês e foram analisados os 10 dias com maior número de conteúdos. Após a seleção da amostra, foram analisados 42 influencers e 788 conteúdos. Resultados: Os influencers eram 71,7% do género feminino, 11,9% possuíam licenciatura em dietética e nutrição e 57,1% utilizaram a imagem corporal no feed. Observou-se que o género feminino utilizou mais imagem corporal no feed do que o género masculino. Dos conteúdos avaliados, 92,9% são instastories, 49,4% apresentavam, pelo menos, uma publicidade e 30% das alegações dos conteúdos não tinham evidência científica robusta. Os nutricionistas avaliados foram os que utilizaram menos publicidade. Na avaliação das opções de refeição, as hortícolas, a fruta e os cereais pouco refinados aparecem com uma frequência inferior à recomendada e os grupos da carne, pescado, ovo e gorduras surgem com uma frequência quase quatro vezes superior. Discussão/Conclusão: Os indivíduos avaliados não possuem idoneidade para comunicar nutrição. O algoritmo do Instagram filtra os conteúdos apresentados permitindo às marcas amplificar as suas vendas e perturba os usuários mais sensíveis no que diz respeito à imagem corporal. Orientações mais objetivas relativamente à publicidade nas redes sociais, estratégias digitais para a promoção da alimentação saudável, a explicação do algoritmo e o combate à desinformação por organismos públicos são necessários para uma utilização das redes sociais positiva.