Publicação
Qualidade de vida e correlatos emocionais e comportamentais em adolescentes com doença das células falciformes
| Resumo: | Enquadramento: a Doença das Células Falciformes (DCF) é a hemoglobinopatia mais comum em todo o mundo. Embora ainda seja classificada como uma doença rara, a prevalência da DCF vem crescendo na Europa. Adolescentes com DCF experienciam, com frequência, dores agudas e recorrentes, em conjunto com outras complicações físicas. Além disso, apresentam baixa estatura e puberdade tardia. Essas características clínicas tendem a comprometer a qualidade de vida do adolescente e a sua saúde mental. Estudos sobre a qualidade de vida relacionada com a saúde (QVRS) e a saúde mental de adolescentes com DCF ainda são escassos na literatura. Objetivo: identificar e correlacionar os níveis de qualidade de vida e os sintomas psicológicos em adolescentes com DCF. Amostra: 31 adolescentes, entre 13 e 18 anos, e 31 pais/cuidadores. Metodologia: foram utilizados os instrumentos Pediatric Quality of Life Sickle Cell Disease Module (PedsQL-SCD), KIDSCREEN-10 e Pediatric Symptom Checklist-17 (PSC-17). Para a análise estatística, foi utilizado o SPSS, versão 27. Resultados: os adolescentes relataram níveis moderados a baixos de QVRS, com o questionário geral de QVRS (KIDSCREEN-10) apresentando melhores resultados do que o questionário específico (módulo PedsQL-SCD). Os piores resultados foram encontrados nas subescalas Impacto da Dor, Controlo e Gestão da Dor, Preocupação 1, Emoções e Comunicação 2. Ao avaliar a QVRS dos seus filhos, os pais relataram níveis mais elevados do que os sinalizados pelos adolescentes. Comparativamente, não foram encontradas diferenças significativas entre rapazes e raparigas. Os adolescentes com maior número de internamentos tiveram resultados significativamente piores. O screening para problemas psicológicos não mostrou risco para problemas de externalização e de atenção e evidenciou uma proximidade do nível clínico para os problemas de internalização. Os pais relataram melhores resultados do que os adolescentes. Os rapazes apresentaram piores resultados na subescala de externalização. Foram encontradas associações entre os níveis de QVRS e a sintomatologia psicológica, nomeadamente, baixos níveis de QVRS e pontuações mais elevadas de Internalização e entre algumas das subescalas de QVRS e Internalização. A dificuldade em falar sobre a doença com os pares e com os profissionais de saúde foi associada à Internalização. Conclusões: estes resultados são discutidos como uma contribuição para o melhor suporte nas intervenções personalizadas que possam promover a QVRS e a saúde mental desses adolescentes |
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| Autores principais: | Taboada, Giovana Quadrat Guimarães |
| Assunto: | Qualidade de vida Saúde mental Adolescentes Hemoglobinopatias Saúde e bem-estar Dissertações de mestrado - 2022 |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Enquadramento: a Doença das Células Falciformes (DCF) é a hemoglobinopatia mais comum em todo o mundo. Embora ainda seja classificada como uma doença rara, a prevalência da DCF vem crescendo na Europa. Adolescentes com DCF experienciam, com frequência, dores agudas e recorrentes, em conjunto com outras complicações físicas. Além disso, apresentam baixa estatura e puberdade tardia. Essas características clínicas tendem a comprometer a qualidade de vida do adolescente e a sua saúde mental. Estudos sobre a qualidade de vida relacionada com a saúde (QVRS) e a saúde mental de adolescentes com DCF ainda são escassos na literatura. Objetivo: identificar e correlacionar os níveis de qualidade de vida e os sintomas psicológicos em adolescentes com DCF. Amostra: 31 adolescentes, entre 13 e 18 anos, e 31 pais/cuidadores. Metodologia: foram utilizados os instrumentos Pediatric Quality of Life Sickle Cell Disease Module (PedsQL-SCD), KIDSCREEN-10 e Pediatric Symptom Checklist-17 (PSC-17). Para a análise estatística, foi utilizado o SPSS, versão 27. Resultados: os adolescentes relataram níveis moderados a baixos de QVRS, com o questionário geral de QVRS (KIDSCREEN-10) apresentando melhores resultados do que o questionário específico (módulo PedsQL-SCD). Os piores resultados foram encontrados nas subescalas Impacto da Dor, Controlo e Gestão da Dor, Preocupação 1, Emoções e Comunicação 2. Ao avaliar a QVRS dos seus filhos, os pais relataram níveis mais elevados do que os sinalizados pelos adolescentes. Comparativamente, não foram encontradas diferenças significativas entre rapazes e raparigas. Os adolescentes com maior número de internamentos tiveram resultados significativamente piores. O screening para problemas psicológicos não mostrou risco para problemas de externalização e de atenção e evidenciou uma proximidade do nível clínico para os problemas de internalização. Os pais relataram melhores resultados do que os adolescentes. Os rapazes apresentaram piores resultados na subescala de externalização. Foram encontradas associações entre os níveis de QVRS e a sintomatologia psicológica, nomeadamente, baixos níveis de QVRS e pontuações mais elevadas de Internalização e entre algumas das subescalas de QVRS e Internalização. A dificuldade em falar sobre a doença com os pares e com os profissionais de saúde foi associada à Internalização. Conclusões: estes resultados são discutidos como uma contribuição para o melhor suporte nas intervenções personalizadas que possam promover a QVRS e a saúde mental desses adolescentes |
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