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Configurações músico-literárias na obra de Paul Bowles : música, violência e política

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A presente tese analisa o trabalho literário e musical de Paul Bowles, dando especial ênfase à complementaridade dessa relação inter-disciplinar, tendo em conta o contexto cultural e musical subjacente à condição de exílio do autor norte-americano em Marrocos e à projecção dessa condição na sua identidade. Examina numa primeira fase, a produção artística do autor, em sua dupla filiação, à luz da corrente modernista e em diálogo com as convulsões culturais e filosóficas euro-americanas, bem como a contribuição da neurociência e da fisiologia do som para o estudo da linguagem e da música. Destaca-se sobretudo, a renovada energia outorgada às artes nos anos 30 e 40, resultante das novas directrizes culturais ao tempo da presidência Roosevelt e do New Deal, tornando-se necessário, dessa forma, perspectivar a obra de Paul Bowles em função das circunstâncias politico-culturais do seu tempo. Procura-se pois, auscultar os sons e a pulsação da cidade de Nova Iorque, em contraponto com o espaço acústico transnacional e alternativo, vindo sobretudo de regiões remotas e originais, entre as quais a marroquina, tais como novas direcções e cruzamentos músico-literários que se reflectem na obra maior do autor e caracterizam a sua ex-cêntrica modernidade. Ao longo do trabalho, a componente contextual ganhará novas formas, particularmente radicais nos últimos romances do autor - The Spider‟s House e Up Above the World - , sob o signo da Música, Violência e Política, permitindo explorar um conjunto de pensamentos originais que, pela sua actualidade, projectam o autor para o centro do debate inter-cultural e músico-literário da sociedade contemporânea. Além disso, ao rejeitar-se a concepção da música como forma exclusiva de entretenimento e/ou de arte, privilegia-se a investigação sobre o fenómeno musical enquanto espaço de agressão, relacionando-o com a guerra, violência e tortura.
Autores principais:Duarte, Anabela Fernandes
Assunto:Bowles, Paul, 1910-1999 - Crítica e interpretação Literatura americana - séc.20 - História e crítica Música - Estados Unidos - séc.20 - História e crítica Música e literatura - Estados Unidos - séc.20
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A presente tese analisa o trabalho literário e musical de Paul Bowles, dando especial ênfase à complementaridade dessa relação inter-disciplinar, tendo em conta o contexto cultural e musical subjacente à condição de exílio do autor norte-americano em Marrocos e à projecção dessa condição na sua identidade. Examina numa primeira fase, a produção artística do autor, em sua dupla filiação, à luz da corrente modernista e em diálogo com as convulsões culturais e filosóficas euro-americanas, bem como a contribuição da neurociência e da fisiologia do som para o estudo da linguagem e da música. Destaca-se sobretudo, a renovada energia outorgada às artes nos anos 30 e 40, resultante das novas directrizes culturais ao tempo da presidência Roosevelt e do New Deal, tornando-se necessário, dessa forma, perspectivar a obra de Paul Bowles em função das circunstâncias politico-culturais do seu tempo. Procura-se pois, auscultar os sons e a pulsação da cidade de Nova Iorque, em contraponto com o espaço acústico transnacional e alternativo, vindo sobretudo de regiões remotas e originais, entre as quais a marroquina, tais como novas direcções e cruzamentos músico-literários que se reflectem na obra maior do autor e caracterizam a sua ex-cêntrica modernidade. Ao longo do trabalho, a componente contextual ganhará novas formas, particularmente radicais nos últimos romances do autor - The Spider‟s House e Up Above the World - , sob o signo da Música, Violência e Política, permitindo explorar um conjunto de pensamentos originais que, pela sua actualidade, projectam o autor para o centro do debate inter-cultural e músico-literário da sociedade contemporânea. Além disso, ao rejeitar-se a concepção da música como forma exclusiva de entretenimento e/ou de arte, privilegia-se a investigação sobre o fenómeno musical enquanto espaço de agressão, relacionando-o com a guerra, violência e tortura.