Publicação

Modernismo tardio : os romances de José Cardoso Pires, Fernanda Botelho e Augusto Abelaira

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O fim do debate sobre o pós-moderno, que levou a uma profunda reavaliação do conceito de modernismo, abriu o caminho para uma reapreciação das suas diferentes manifestações a nível internacional. Um conceito-chave que emergiu graças à disputa foi modernismo tardio , noção que aponta para a continuação de impulsos modernistas pelo menos até à década de 70 do século XX. Na realidade, as histórias da literatura portuguesa publicadas recentemente tendem a assinalar a existência de dois períodos distintos na segunda metade do século: de 1950 a 1974 e de 1974 a 2000 o último normalmente associado à emergência de tendências pós-modernas e o primeiro descrito como uma espécie de período de transição entre o neo-realismo e a literatura que desponta a partir de 1974. Vários ensaístas, contudo, como Eduardo Lourenço, Liberto Cruz, Nelly Novaes Coelho, Maria Lúcia Lepecki e Fernando Guimarães, desde os anos 60 assinalaram a especificidade da ficção portuguesa desse período intermédio, apontando para a existência de um impulso claramente modernista na literatura que começa a se afirmar a partir de 1950 sem, contudo, utilizarem a palavra modernismo para a descrever. O propósito deste trabalho é demonstrar que a ficção produzida em Portugal por vários escritores cuja obra começa a surgir (ou a se afirmar definitivamente) na década de 50 do século passado revela a configuração temporal básica e características distintivas do modernismo, instituindo um período específico na literatura portuguesa do século XX um período que denominaria de Modernismo Tardio. De modo a demonstrar essa tese, os romances de José Cardoso Pires, Fernanda Botelho e Augusto Abelaira são aqui analisados em termos das concepções temporais neles configuradas uma abordagem que revelará igualmente que, mesmo ao considerarmos as mudanças detectadas nos seus romances após 1974, as suas coordenadas temporais permanecerão essencialmente intactas ao longo do seu percurso.
Autores principais:Oliveira, Marcelo G.
Assunto:Pires, José Cardoso, 1925-1998 Botelho, Fernanda, 1926-2007 Abelaira, Augusto, 1926-2003 Romance português - séc.20 Modernismo - Portugal Análise literária Teses de doutoramento - 2009
Ano:2008
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O fim do debate sobre o pós-moderno, que levou a uma profunda reavaliação do conceito de modernismo, abriu o caminho para uma reapreciação das suas diferentes manifestações a nível internacional. Um conceito-chave que emergiu graças à disputa foi modernismo tardio , noção que aponta para a continuação de impulsos modernistas pelo menos até à década de 70 do século XX. Na realidade, as histórias da literatura portuguesa publicadas recentemente tendem a assinalar a existência de dois períodos distintos na segunda metade do século: de 1950 a 1974 e de 1974 a 2000 o último normalmente associado à emergência de tendências pós-modernas e o primeiro descrito como uma espécie de período de transição entre o neo-realismo e a literatura que desponta a partir de 1974. Vários ensaístas, contudo, como Eduardo Lourenço, Liberto Cruz, Nelly Novaes Coelho, Maria Lúcia Lepecki e Fernando Guimarães, desde os anos 60 assinalaram a especificidade da ficção portuguesa desse período intermédio, apontando para a existência de um impulso claramente modernista na literatura que começa a se afirmar a partir de 1950 sem, contudo, utilizarem a palavra modernismo para a descrever. O propósito deste trabalho é demonstrar que a ficção produzida em Portugal por vários escritores cuja obra começa a surgir (ou a se afirmar definitivamente) na década de 50 do século passado revela a configuração temporal básica e características distintivas do modernismo, instituindo um período específico na literatura portuguesa do século XX um período que denominaria de Modernismo Tardio. De modo a demonstrar essa tese, os romances de José Cardoso Pires, Fernanda Botelho e Augusto Abelaira são aqui analisados em termos das concepções temporais neles configuradas uma abordagem que revelará igualmente que, mesmo ao considerarmos as mudanças detectadas nos seus romances após 1974, as suas coordenadas temporais permanecerão essencialmente intactas ao longo do seu percurso.