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A importância do tempo protegido para o ensino : a perspetiva do médico-docente

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Detalhes bibliográficos
Resumo:No paradigma atual da educação médica pré-graduada, o ensino clínico assenta no exer-cício de atividade docente a tempo parcial por parte do médico-docente que exerce atividade clínica assistencial em hospitais universitários. O médico-docente depara-se com um extenso conjunto de desafios no âmbito do ensino clínico, com conflito de responsabilidades e papéis: médico, docente e investigador. Internacionalmente, são diversos os exemplos que reconhecem a importância da atribuição de tempo protegido para o ensino. Em Portugal, apesar da legisla-ção em vigor já contemplar esta figura, não existem ainda dados que atestem e quantifiquem a sua importância para a qualidade do ensino pré-graduado. Com o objetivo de avaliar a importância atribuída ao tempo protegido para o ensino pelos médicos-docentes do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), aplicou-se um questionário no sentido de averiguar quais os fatores promotores de um ensino pré-gra-duado de excelência na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL). Foram recolhidas 51 respostas (taxa de participação de 28%). De acordo com os parti-cipantes, “rácio tutor/aluno adequado no ensino prático” foi o fator institucional mais frequen-temente assinalado como promotor de um ensino de excelência (63,6%) seguido de “tempo protegido para o ensino” (56,8%). “Professores motivam os alunos e aumentam o seu entusi-asmo pela disciplina” foi o fator mais frequentemente assinalado como caracterizador de um ensino de excelência (41,4%). Tal como se verifica internacionalmente, foi atribuída grande importância pelos médi-cos-docentes do CHULN ao tempo protegido para o ensino, o que, até ao momento, ainda não tinha sido demonstrado em Portugal. Como tal, os resultados apresentados reforçam a necessi-dade da efetiva criação de tempo protegido para o ensino, bem como da devida valorização da atividade docente na carreira médica e universitária. Tal requer uma mudança de paradigma, no qual se atribua uma relevância semelhante ao papel de Médico, Investigador e, sobretudo, Professor.
Autores principais:Torres, João Nuno Oliveira
Assunto:Médico-docente Educação médica pré-graduada Ensino clínico Tempo protegido para o ensino Valorização da atividade docente
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:No paradigma atual da educação médica pré-graduada, o ensino clínico assenta no exer-cício de atividade docente a tempo parcial por parte do médico-docente que exerce atividade clínica assistencial em hospitais universitários. O médico-docente depara-se com um extenso conjunto de desafios no âmbito do ensino clínico, com conflito de responsabilidades e papéis: médico, docente e investigador. Internacionalmente, são diversos os exemplos que reconhecem a importância da atribuição de tempo protegido para o ensino. Em Portugal, apesar da legisla-ção em vigor já contemplar esta figura, não existem ainda dados que atestem e quantifiquem a sua importância para a qualidade do ensino pré-graduado. Com o objetivo de avaliar a importância atribuída ao tempo protegido para o ensino pelos médicos-docentes do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), aplicou-se um questionário no sentido de averiguar quais os fatores promotores de um ensino pré-gra-duado de excelência na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL). Foram recolhidas 51 respostas (taxa de participação de 28%). De acordo com os parti-cipantes, “rácio tutor/aluno adequado no ensino prático” foi o fator institucional mais frequen-temente assinalado como promotor de um ensino de excelência (63,6%) seguido de “tempo protegido para o ensino” (56,8%). “Professores motivam os alunos e aumentam o seu entusi-asmo pela disciplina” foi o fator mais frequentemente assinalado como caracterizador de um ensino de excelência (41,4%). Tal como se verifica internacionalmente, foi atribuída grande importância pelos médi-cos-docentes do CHULN ao tempo protegido para o ensino, o que, até ao momento, ainda não tinha sido demonstrado em Portugal. Como tal, os resultados apresentados reforçam a necessi-dade da efetiva criação de tempo protegido para o ensino, bem como da devida valorização da atividade docente na carreira médica e universitária. Tal requer uma mudança de paradigma, no qual se atribua uma relevância semelhante ao papel de Médico, Investigador e, sobretudo, Professor.