Publicação
Concepções de e autorregulação da aprendizagem do desenho artístico em estudantes universitários
| Resumo: | Esta dissertação enquadra-se no cruzamento de duas teorias sobre a aprendizagem acadêmica: a teoria das Abordagens à Aprendizagem (Students’ Approaches to Learning – SAL) e a teoria da Aprendizagem Autorregulada (Self-Regulated Learning - SRL), tendo por objetivo explorar as concepções sobre a aprendizagem do desenho artístico, a autorregulação dessa aprendizagem e a relação entre ambas em estudantes universitários. A dissertação é constituída por uma introdução teórica por três estudos empíricos, por uma conclusão, finalizando com as referências bibliográficas e os anexos. O primeiro estudo, de cariz fenomenográfico, teve como objetivo mapear e explorar a representatividade das concepções de estudantes universitários sobre a aprendizagem do desenho artístico. Um grupo de dezesseis estudantes de uma disciplina livre de desenho foi entrevistado sobre a natureza, o processo, o contexto, os fatores, as funções e os problemas da aprendizagem do desenho artístico. As respostas, que foram submetidas a uma análise de conteúdo temática, evidenciaram, como resultado principal, a distinção entre uma representação mental da aprendizagem do desenho como algo mais passivo (i.e., cópia ou representação de realidades observadas; através de técnicas e da prática; no ambiente académico) e algo mais ativo (i.e., expressão pessoal; através da compreensão do que se percepciona e de mudanças pessoais; no ambiente amplo). Emergiu ainda outra representação mental básica, de meio-termo, que define a aprendizagem do desenho como algo de intermédio (i.e., desenvolvimento perceptivo; representação de percepções ou da imaginação; criação de técnicas). Secundariamente, os resultados apontaram uma diferenciação ampla de representações mentais quanto aos fatores, funções e problemas da aprendizagem do desenho. O segundo estudo com a mesma amostra, teve o objetivo de verificar a possível existência, para a aprendizagem do desenho artístico, de duas formas de aprendizagem identificadas para a aprendizagem académica em geral: “heterorregulada” e “autorregulada”. Pretendeu ainda explorar qualitativamente e quantitativamente as estratégias de aprendizagem “autorregulada” possivelmente utilizadas na aprendizagem do desenho artístico. Para o efeito, aquele mesmo grupo de estudantes foi igualmente entrevistado, com base numa versão adaptada do Self-Regulated Learning Interview Schedule (SRLIS) de Zimmerman e Martinez-Pons (1986). As respostas dadas a essa entrevista, que também foram submetidas a uma análise de conteúdo temática, evidenciaram, para além de uma representação mental indefinida (i.e., vaga) sobre as estratégias que se utiliza para a aprendizagem do desenho , a existência, quer de uma aprendizagem “heterorregulada” quer de uma aprendizagem “autorregulada” do desenho, que por sua vez se diferencia numa variedade de estratégias (i.e., autoavaliação; organização e transformação; planificação e formulação de metas; busca de informação; supervisão e tomada de registos; estruturação do ambiente; revisão e memorização; procura de assistência; autocontrole). O terceiro estudo, igualmente com a mesma amostra, procurou investigar a relação da concepção de aprendizagem do desenho artístico com a autorregulação dessa aprendizagem, explorando a relação das categorias resultantes da análise de conteúdo das respostas conferidas às entrevistas do primeiro e do segundo estudo. Para o efeito foram calculadas as coocorrências das categorias, assim como o teste de Fisher entre as categorias das duas variáveis. Os resultados indicaram que as estratégias de aprendizagem do desenho nem sempre são convergentes com as concepções sobre aquela aprendizagem, o que é lido em função de possíveis exigências do contexto de aprendizagem e da natureza da tarefa de desenho. Por outro lado, apesar de uma concepção ativa da aprendizagem do desenho não se relacionar positiva e significativamente com uma autorregulação dessa aprendizagem, tende a relacionar-se negativamente com a heterorregulação daquela aprendizagem. No mesmo sentido, apurou-se uma tendência de associação positiva entre uma concepção ampla de aprendizagem do desenho e a sua autorregulação. |
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| Autores principais: | Freire, Luiz Gustavo Lima |
| Assunto: | Teses de doutoramento - 2018 Estratégias de aprendizagem Desenho Autorregulação Aprendizagem |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Esta dissertação enquadra-se no cruzamento de duas teorias sobre a aprendizagem acadêmica: a teoria das Abordagens à Aprendizagem (Students’ Approaches to Learning – SAL) e a teoria da Aprendizagem Autorregulada (Self-Regulated Learning - SRL), tendo por objetivo explorar as concepções sobre a aprendizagem do desenho artístico, a autorregulação dessa aprendizagem e a relação entre ambas em estudantes universitários. A dissertação é constituída por uma introdução teórica por três estudos empíricos, por uma conclusão, finalizando com as referências bibliográficas e os anexos. O primeiro estudo, de cariz fenomenográfico, teve como objetivo mapear e explorar a representatividade das concepções de estudantes universitários sobre a aprendizagem do desenho artístico. Um grupo de dezesseis estudantes de uma disciplina livre de desenho foi entrevistado sobre a natureza, o processo, o contexto, os fatores, as funções e os problemas da aprendizagem do desenho artístico. As respostas, que foram submetidas a uma análise de conteúdo temática, evidenciaram, como resultado principal, a distinção entre uma representação mental da aprendizagem do desenho como algo mais passivo (i.e., cópia ou representação de realidades observadas; através de técnicas e da prática; no ambiente académico) e algo mais ativo (i.e., expressão pessoal; através da compreensão do que se percepciona e de mudanças pessoais; no ambiente amplo). Emergiu ainda outra representação mental básica, de meio-termo, que define a aprendizagem do desenho como algo de intermédio (i.e., desenvolvimento perceptivo; representação de percepções ou da imaginação; criação de técnicas). Secundariamente, os resultados apontaram uma diferenciação ampla de representações mentais quanto aos fatores, funções e problemas da aprendizagem do desenho. O segundo estudo com a mesma amostra, teve o objetivo de verificar a possível existência, para a aprendizagem do desenho artístico, de duas formas de aprendizagem identificadas para a aprendizagem académica em geral: “heterorregulada” e “autorregulada”. Pretendeu ainda explorar qualitativamente e quantitativamente as estratégias de aprendizagem “autorregulada” possivelmente utilizadas na aprendizagem do desenho artístico. Para o efeito, aquele mesmo grupo de estudantes foi igualmente entrevistado, com base numa versão adaptada do Self-Regulated Learning Interview Schedule (SRLIS) de Zimmerman e Martinez-Pons (1986). As respostas dadas a essa entrevista, que também foram submetidas a uma análise de conteúdo temática, evidenciaram, para além de uma representação mental indefinida (i.e., vaga) sobre as estratégias que se utiliza para a aprendizagem do desenho , a existência, quer de uma aprendizagem “heterorregulada” quer de uma aprendizagem “autorregulada” do desenho, que por sua vez se diferencia numa variedade de estratégias (i.e., autoavaliação; organização e transformação; planificação e formulação de metas; busca de informação; supervisão e tomada de registos; estruturação do ambiente; revisão e memorização; procura de assistência; autocontrole). O terceiro estudo, igualmente com a mesma amostra, procurou investigar a relação da concepção de aprendizagem do desenho artístico com a autorregulação dessa aprendizagem, explorando a relação das categorias resultantes da análise de conteúdo das respostas conferidas às entrevistas do primeiro e do segundo estudo. Para o efeito foram calculadas as coocorrências das categorias, assim como o teste de Fisher entre as categorias das duas variáveis. Os resultados indicaram que as estratégias de aprendizagem do desenho nem sempre são convergentes com as concepções sobre aquela aprendizagem, o que é lido em função de possíveis exigências do contexto de aprendizagem e da natureza da tarefa de desenho. Por outro lado, apesar de uma concepção ativa da aprendizagem do desenho não se relacionar positiva e significativamente com uma autorregulação dessa aprendizagem, tende a relacionar-se negativamente com a heterorregulação daquela aprendizagem. No mesmo sentido, apurou-se uma tendência de associação positiva entre uma concepção ampla de aprendizagem do desenho e a sua autorregulação. |
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