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Psoríase; novas abordagens terapêuticas

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Resumo:A psoríase é uma doença inflamatória crónica, não contagiosa, que afeta 2 a 3% da população mundial. É de natureza autoimune, o que significa que surge quando o sistema imunitário emite sinais de hiperproliferação das células da pele e, consequentemente, ocorre inflamação que resulta em placas com prurido ou dor, escamas e inflamação em qualquer parte do corpo. Embora a sua origem não esteja totalmente esclarecida, a genética e os fatores ambientais parecem ter papéis importantes para esta alteração do sistema imunitário. Recentemente, o mecanismo fisiopatológico foi esclarecido substancialmente, sendo demonstrado que as células Th17 desempenham um papel fundamental, o que se traduziu numa evolução da terapêutica da psoríase. Existem cinco tipos de psoríase que diferem na localização e características das lesões. Para além disto, estudos recentes sugerem que apresentam diferentes perfis genéticos, o que poderá influenciar a abordagem terapêutica. Atualmente, ainda não existe uma cura definitiva para a psoríase, mas sim um conjunto variado de tratamentos, cujo uso isolado ou em associação permite controlar os sintomas. Sendo assim, os objetivos da terapêutica para esta doença são: controlar rapidamente a doença, diminuir a BSA (área de superfície corporal), diminuir o prurido, a descamação e a espessura das lesões, manter o doente em remissão a longo prazo e evitar recaída, evitar efeitos adversos e, assim, melhorar a qualidade de vida do doente. O tratamento é escolhido tendo por base a gravidade da doença, comorbilidades relevantes, preferência, eficácia e avaliação da resposta individual do doente. As terapêuticas disponíveis para a psoríase são tópicas, fototerapia e sistémicas. Estas últimas incluem fármacos imunossupressores, como o metotrexato e a ciclosporina e agentes biológicos. Os recentes avanços no conhecimento do mecanismo fisiopatológico da doença permitiram o desenvolvimento de novas terapêuticas, principalmente biológicas. Esta representa a área em que se verificam os progressos mais recentes, devido à multiplicidade de alvos terapêuticos descobertos, tais como TNF-alfa, IL-17A, IL-12 e IL23, o que resultou no desenvolvimento de múltiplos anticorpos monoclonais, tendo como alvo estes mediadores chave da cascata inflamatória envolvida na psoríase, o que torna esta terapêutica altamente direcionada e especializada. No entanto, é cara, a via de administração não é a mais cómoda e pode ocorrer uma diminuição da eficácia ao longo do tratamento. Por esta razão é importante o desenvolvimento de pequenas moléculas cuja administração seja via oral, a produção seja menos dispendiosa e que sejam potencialmente tão eficazes como as biológicas. Além disto, a introdução de agentes biossimilares no mercado e a sua melhor acessibilidade financeira, poderá alterar, ainda mais, o tratamento da psoríase.
Autores principais:Correia, Adriana Ferreira
Assunto:Psoríase Novas terapêuticas Agentes biológicos Sistema imunitário Citocinas Mestrado Integrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A psoríase é uma doença inflamatória crónica, não contagiosa, que afeta 2 a 3% da população mundial. É de natureza autoimune, o que significa que surge quando o sistema imunitário emite sinais de hiperproliferação das células da pele e, consequentemente, ocorre inflamação que resulta em placas com prurido ou dor, escamas e inflamação em qualquer parte do corpo. Embora a sua origem não esteja totalmente esclarecida, a genética e os fatores ambientais parecem ter papéis importantes para esta alteração do sistema imunitário. Recentemente, o mecanismo fisiopatológico foi esclarecido substancialmente, sendo demonstrado que as células Th17 desempenham um papel fundamental, o que se traduziu numa evolução da terapêutica da psoríase. Existem cinco tipos de psoríase que diferem na localização e características das lesões. Para além disto, estudos recentes sugerem que apresentam diferentes perfis genéticos, o que poderá influenciar a abordagem terapêutica. Atualmente, ainda não existe uma cura definitiva para a psoríase, mas sim um conjunto variado de tratamentos, cujo uso isolado ou em associação permite controlar os sintomas. Sendo assim, os objetivos da terapêutica para esta doença são: controlar rapidamente a doença, diminuir a BSA (área de superfície corporal), diminuir o prurido, a descamação e a espessura das lesões, manter o doente em remissão a longo prazo e evitar recaída, evitar efeitos adversos e, assim, melhorar a qualidade de vida do doente. O tratamento é escolhido tendo por base a gravidade da doença, comorbilidades relevantes, preferência, eficácia e avaliação da resposta individual do doente. As terapêuticas disponíveis para a psoríase são tópicas, fototerapia e sistémicas. Estas últimas incluem fármacos imunossupressores, como o metotrexato e a ciclosporina e agentes biológicos. Os recentes avanços no conhecimento do mecanismo fisiopatológico da doença permitiram o desenvolvimento de novas terapêuticas, principalmente biológicas. Esta representa a área em que se verificam os progressos mais recentes, devido à multiplicidade de alvos terapêuticos descobertos, tais como TNF-alfa, IL-17A, IL-12 e IL23, o que resultou no desenvolvimento de múltiplos anticorpos monoclonais, tendo como alvo estes mediadores chave da cascata inflamatória envolvida na psoríase, o que torna esta terapêutica altamente direcionada e especializada. No entanto, é cara, a via de administração não é a mais cómoda e pode ocorrer uma diminuição da eficácia ao longo do tratamento. Por esta razão é importante o desenvolvimento de pequenas moléculas cuja administração seja via oral, a produção seja menos dispendiosa e que sejam potencialmente tão eficazes como as biológicas. Além disto, a introdução de agentes biossimilares no mercado e a sua melhor acessibilidade financeira, poderá alterar, ainda mais, o tratamento da psoríase.