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Viver na interface terra-mar : dinâmicas históricas da vegetação e potenciais efeitos da subida do nível do mar na costa da Guiné-Bissau
| Resumo: | A Guiné-Bissau é um país com uma extensa zona costeira de baixa altitude, onde vive grande parte da população, composta essencialmente por mangais e arrozais. É aqui que o arroz de mangal, um importante produto alimentar do país, é produzido há séculos. Por causa da baixa altimetria do país, a costa guineense é extremamente vulnerável à subida do nível médio do mar (SNMM) resultante das alterações climáticas. Este estudo, conduzido na área costeira de Ondame, tem dois grandes objetivos: 1) mapear as alterações históricas do coberto do solo, nomeadamente entre mangal e arrozal, entre 1949 e 2022; e 2) analisar as potenciais consequências ambientais e sociais, devido à SNMM, para diferentes cenários futuros. Para cumprir o primeiro objetivo, utilizaram-se imagens aéreas e de satélite de cinco datas para interpretação visual e vetorização manual das classes de ocupação do solo que, quando analisadas espáciotemporalmente, permitiram avaliar as suas alterações históricas. Para o segundo objetivo, produziu-se primeiramente um Modelo Digital de Superfície (MDS) de alta resolução, com imagens obtidas por drone, que permitiu a produção de cartografia probabilística para 2060 e 2100 usando cinco modelos de inundação. A classificação do coberto foi validada numa campanha in situ, em janeiro de 2023, na qual também se levantaram coordenadas de pontos de controlo para a produção do MDS e se realizaram observações de maré para calibrar os modelos de inundação. Os resultados demonstram uma redução de 60.8% das áreas de arrozal entre 1949 e 2022 (89% das quais foram convertidas em mangal) e que, nos cinco cenários de inundação analisados, há uma enorme percentagem de arrozais com uma probabilidade elevada de inundação futura. Estes resultados confirmam a tendência conhecida de abandono de produção de arroz de mangal no país e realçam os grandes desafios que este tipo de orizicultura enfrentará no futuro. |
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| Autores principais: | Matias, Madalena da Cunha |
| Assunto: | África Ocidental Alteração do coberto e uso do solo Alterações climáticas Ecossistemas costeiros Subida do nível do mar Teses de mestrado - 2024 |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A Guiné-Bissau é um país com uma extensa zona costeira de baixa altitude, onde vive grande parte da população, composta essencialmente por mangais e arrozais. É aqui que o arroz de mangal, um importante produto alimentar do país, é produzido há séculos. Por causa da baixa altimetria do país, a costa guineense é extremamente vulnerável à subida do nível médio do mar (SNMM) resultante das alterações climáticas. Este estudo, conduzido na área costeira de Ondame, tem dois grandes objetivos: 1) mapear as alterações históricas do coberto do solo, nomeadamente entre mangal e arrozal, entre 1949 e 2022; e 2) analisar as potenciais consequências ambientais e sociais, devido à SNMM, para diferentes cenários futuros. Para cumprir o primeiro objetivo, utilizaram-se imagens aéreas e de satélite de cinco datas para interpretação visual e vetorização manual das classes de ocupação do solo que, quando analisadas espáciotemporalmente, permitiram avaliar as suas alterações históricas. Para o segundo objetivo, produziu-se primeiramente um Modelo Digital de Superfície (MDS) de alta resolução, com imagens obtidas por drone, que permitiu a produção de cartografia probabilística para 2060 e 2100 usando cinco modelos de inundação. A classificação do coberto foi validada numa campanha in situ, em janeiro de 2023, na qual também se levantaram coordenadas de pontos de controlo para a produção do MDS e se realizaram observações de maré para calibrar os modelos de inundação. Os resultados demonstram uma redução de 60.8% das áreas de arrozal entre 1949 e 2022 (89% das quais foram convertidas em mangal) e que, nos cinco cenários de inundação analisados, há uma enorme percentagem de arrozais com uma probabilidade elevada de inundação futura. Estes resultados confirmam a tendência conhecida de abandono de produção de arroz de mangal no país e realçam os grandes desafios que este tipo de orizicultura enfrentará no futuro. |
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