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Avaliação do impacto do stress agudo na reatividade microvascular

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Resumo:O stress agudo tem sido reconhecido como um fator de risco associado ao aumento da incidência de eventos cardiovasculares. Resultados recentes sugerem que a disfunção endotelial está envolvida no mecanismo fisiopatológico que leva a doenças cardiovasculares em situações de stress, processo que parece ser mediado pelo sistema nervoso simpático (SNS). Estudos fisiológicos têm utilizado diversos testes como estímulos de stress para induzir ativação simpática e permitir investigar os seus efeitos a nível cardiovascular. Considerando a sua representatividade fisiológica e acessibilidade, a rede microvascular da pele e respetiva regulação simpática é passível de ser avaliada através de tecnologias não invasivas, como a fotopletismografia (PPG) e a atividade eletrodérmica (EDA). O objetivo deste estudo foi o de avaliar o impacto do stress agudo na reatividade microvascular, nomeadamente na função endotelial, recorrendo a tecnologias de medição não invasivas. Foram incluídos 25 indivíduos jovens saudáveis de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 20 e os 27 anos (21,8 ± 2,0). Realizaram-se dois protocolos de oclusão suprassistólica, destinados a evocar reatividade microvascular endotelial, um deles em condições de repouso e o outro sob stress mental, criado pela realização do teste de Stroop. O membro ocludido e a ordem de realização dos dois protocolos foram ambos aleatorizados. Foram registados bilateralmente nos dedos da mão o fluxo sanguíneo local e frequência cardíaca (FC) por PPG, a temperatura da pele e a EDA. Os resultados mostraram que durante o teste de stress mental o fluxo sanguíneo e a temperatura da pele reduziram significativamente em ambos os membros, enquanto que a EDA e a FC aumentaram. A magnitude da hiperémia reativa foi significativamente menor no protocolo de oclusão durante o teste de stress mental. Considerando que a redução de perfusão se deve a uma vasoconstrição sistémica secundária à ativação do SNS, estes resultados revelam que o stress agudo afeta a reatividade microvascular. Ao contrapor os mecanismos vasodilatadores da hiperémia reativa, esta vasoconstrição poderá constituir um mecanismo fisiopatológico que leva à disfunção endotelial microvascular induzida pelo stress. Desta forma a disfunção microvascular poderá vir a ser usada como indicador precoce do desenvolvimento de disfunção macrovascular.
Autores principais:Lavrador, Nicole Sousa
Assunto:Stress agudo Microcirculação Oclusão suprassistólica Sistema nervoso simpático
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O stress agudo tem sido reconhecido como um fator de risco associado ao aumento da incidência de eventos cardiovasculares. Resultados recentes sugerem que a disfunção endotelial está envolvida no mecanismo fisiopatológico que leva a doenças cardiovasculares em situações de stress, processo que parece ser mediado pelo sistema nervoso simpático (SNS). Estudos fisiológicos têm utilizado diversos testes como estímulos de stress para induzir ativação simpática e permitir investigar os seus efeitos a nível cardiovascular. Considerando a sua representatividade fisiológica e acessibilidade, a rede microvascular da pele e respetiva regulação simpática é passível de ser avaliada através de tecnologias não invasivas, como a fotopletismografia (PPG) e a atividade eletrodérmica (EDA). O objetivo deste estudo foi o de avaliar o impacto do stress agudo na reatividade microvascular, nomeadamente na função endotelial, recorrendo a tecnologias de medição não invasivas. Foram incluídos 25 indivíduos jovens saudáveis de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 20 e os 27 anos (21,8 ± 2,0). Realizaram-se dois protocolos de oclusão suprassistólica, destinados a evocar reatividade microvascular endotelial, um deles em condições de repouso e o outro sob stress mental, criado pela realização do teste de Stroop. O membro ocludido e a ordem de realização dos dois protocolos foram ambos aleatorizados. Foram registados bilateralmente nos dedos da mão o fluxo sanguíneo local e frequência cardíaca (FC) por PPG, a temperatura da pele e a EDA. Os resultados mostraram que durante o teste de stress mental o fluxo sanguíneo e a temperatura da pele reduziram significativamente em ambos os membros, enquanto que a EDA e a FC aumentaram. A magnitude da hiperémia reativa foi significativamente menor no protocolo de oclusão durante o teste de stress mental. Considerando que a redução de perfusão se deve a uma vasoconstrição sistémica secundária à ativação do SNS, estes resultados revelam que o stress agudo afeta a reatividade microvascular. Ao contrapor os mecanismos vasodilatadores da hiperémia reativa, esta vasoconstrição poderá constituir um mecanismo fisiopatológico que leva à disfunção endotelial microvascular induzida pelo stress. Desta forma a disfunção microvascular poderá vir a ser usada como indicador precoce do desenvolvimento de disfunção macrovascular.