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Avaliação da citotoxidade e genotoxidade da glicidamida em células mamárias humanas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Nos últimos anos, têm sido observadas quantidades relevantes de acrilamida (AA) num grande número de alimentos ricos em amido após processamento térmico (ex. batatas fritas). Estes dados recentes sugerem que o consumo oral de AA é um factor de risco adicional para o cancro. Neste contexto, a AA tem sido apontada como um potencial agente cancerígeno para o tecido mamário, uma vez que em estudos efectuados com roedores foram observados tumores benignos e malignos da glândula mamária. Um número considerável de evidências apontam para que o metabolito glicidamida (GA), um epóxido gerado pela biotransformação presumivelmente via CYP2E1, desempenhe um papel central na cancerigénese associada à exposição a AA. O trabalho aqui descrito mostra os efeitos citotóxicos e genotóxicos induzidos pela GA em células humanas MCF10A. Estas células mimetizam as células mamárias ductais e têm sido amplamente adoptadas como modelo celular de referência de células de mama não tumorais. As metodologias utilizadas neste trabalho incluem a avaliação da viabilidade celular utilizando o ensaio de redução do MTT, a geração de espécies reactivas de oxigénio (ROS), utilizando o ensaio da dihidrorodamina 123 e a avaliação de genotoxicidade utilizando o teste do micronúcleo em células MCF10A com a citocinese bloqueada. A GA induziu um decréscimo dependente da concentração da viabilidade celular em células MCF10A. A pré-incubação com butionina sulfoximina (BSO), um inibidor da síntese de glutationo reduzido (GSH), provocou um marcado decréscimo na viabilidade das células tratadas com 1,0 mM de GA (P<0,01), enquanto a incubação concomitante de GSH com GA (3,0 mM) apresentou um ligeiro aumento da viabilidade celular. A coincubação com superóxido dismutase peguilada (SOD-PEG), catalase peguilada (CATPEG), ou um antioxidante catalítico sintético (SOD mimético) não mostrou alterar a viabilidade celular das células MCF10A expostas à GA. Adicionalmente, o tratamento com diferentes concentrações de GA não aumentou os níveis de ROS nas células MCF10A. A exposição de células MCF10A à GA levou a um aumento na frequência de células binucleadas micronucleadas (%MNBN), especialmente para a concentração 1,0 mM (~2 vezes, P <0,01). Para a maior concentração de GA testada (2,0 mM) foi observada uma redução forte da % de células binucleadas, mostrando uma interferência importante ao nível da divisão celular. Em resumo, estes resultados mostram que a GA é citotóxica e genotóxica para as células MCF10A, sendo o GSH importante para a redução da toxicidade da GA. Além disso, a geração de ROS não parece ser um mecanismo relevante para os efeitos celulares induzidos pela GA em células MCF10A.
Autores principais:Bandarra, Susana Isabel Casaca Figueiredo
Assunto:Acrilamida Glicidamida Células mamárias MCF10A Citotoxicidade Genotoxicidade Teses de Mestrado - 2010
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Nos últimos anos, têm sido observadas quantidades relevantes de acrilamida (AA) num grande número de alimentos ricos em amido após processamento térmico (ex. batatas fritas). Estes dados recentes sugerem que o consumo oral de AA é um factor de risco adicional para o cancro. Neste contexto, a AA tem sido apontada como um potencial agente cancerígeno para o tecido mamário, uma vez que em estudos efectuados com roedores foram observados tumores benignos e malignos da glândula mamária. Um número considerável de evidências apontam para que o metabolito glicidamida (GA), um epóxido gerado pela biotransformação presumivelmente via CYP2E1, desempenhe um papel central na cancerigénese associada à exposição a AA. O trabalho aqui descrito mostra os efeitos citotóxicos e genotóxicos induzidos pela GA em células humanas MCF10A. Estas células mimetizam as células mamárias ductais e têm sido amplamente adoptadas como modelo celular de referência de células de mama não tumorais. As metodologias utilizadas neste trabalho incluem a avaliação da viabilidade celular utilizando o ensaio de redução do MTT, a geração de espécies reactivas de oxigénio (ROS), utilizando o ensaio da dihidrorodamina 123 e a avaliação de genotoxicidade utilizando o teste do micronúcleo em células MCF10A com a citocinese bloqueada. A GA induziu um decréscimo dependente da concentração da viabilidade celular em células MCF10A. A pré-incubação com butionina sulfoximina (BSO), um inibidor da síntese de glutationo reduzido (GSH), provocou um marcado decréscimo na viabilidade das células tratadas com 1,0 mM de GA (P<0,01), enquanto a incubação concomitante de GSH com GA (3,0 mM) apresentou um ligeiro aumento da viabilidade celular. A coincubação com superóxido dismutase peguilada (SOD-PEG), catalase peguilada (CATPEG), ou um antioxidante catalítico sintético (SOD mimético) não mostrou alterar a viabilidade celular das células MCF10A expostas à GA. Adicionalmente, o tratamento com diferentes concentrações de GA não aumentou os níveis de ROS nas células MCF10A. A exposição de células MCF10A à GA levou a um aumento na frequência de células binucleadas micronucleadas (%MNBN), especialmente para a concentração 1,0 mM (~2 vezes, P <0,01). Para a maior concentração de GA testada (2,0 mM) foi observada uma redução forte da % de células binucleadas, mostrando uma interferência importante ao nível da divisão celular. Em resumo, estes resultados mostram que a GA é citotóxica e genotóxica para as células MCF10A, sendo o GSH importante para a redução da toxicidade da GA. Além disso, a geração de ROS não parece ser um mecanismo relevante para os efeitos celulares induzidos pela GA em células MCF10A.