Publicação

Avaliação ecocardiográfica e auscultação electrónica de 27 casos de gatos por presença de sopro à auscultação cardíaca convencional

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Contexto: ao longo dos anos, as doenças cardíacas do paciente felino têm recebido menos atenção do que as doenças cardíacas em cães pela classe médico-veterinária (Fuentes, 2015). Numa avaliação comparativa sobre o tema, o Journal of Veterinary Cardiology conteve cerca de quatro vezes mais estudos relacionados com cães do que com gatos durante os últimos dez anos (Fuentes, 2015). Para além disso, a presença de sopro à auscultação num cão é um indicador de doença cardíaca muito mais fidedigno do que um sopro ouvido num gato (Wagner, Fuentes, Payne, McDermott & Brodbelt, 2010), o que dificulta ainda mais a interpretação deste som que, muitas vezes, é dinâmico (Dirven, Cornelissen, Barendse, Van Mook & Sterenborg, 2010). Objectivos [principais (P) e secundários (S)] deste estudo: Ρ Compreender a prevalência das doenças cardíacas numa população representativa de gatos que se apresentaram à consulta com sopro à auscultação; Ρ Aferir qualitativamente a relevância clínica do uso do estetoscópio electrónico quando comparado com o método convencional; Ρ Tentativa de compreender a presença de sopro cardíaco em gatos cujos exames ecocardiográficos não fundamentam a presença de sopro; S Calcular a sensibilidade e especificidade da auscultação cardíaca em gatos; S Tentar compreender a ausência de sopro cardíaco em gatos cujos exames ecocardiográficos fundamentam a presença de sopro; S Sensibilizar a classe médico-veterinária para a importância de uma auscultação detalhada no paciente felino. Principais conclusões e relevância clínica: cerca de 70% (n=20) dos 27 gatos com sopro cardíaco apresentaram algum tipo de hipertrofia do ventrículo esquerdo (SIVd ≥ 0,50cm), destes, 50% (n=10) possuíam concomitantemente algum grau de regurgitação valvular, sendo a regurgitação mitral a mais prevalente. Apenas um gato se apresentou com sopro (II/VI) e sem achados ecocardiográficos significativos, podendo este dever-se à sedação administrada, a alterações hemodinâmicas (anemia, estados infecciosos) ou outras alterações sistémicas. Dos 27 gatos, houve apenas dois casos (7%) de cardiomiopatia restritiva e um caso (4%) de cardiomiopatia dilatada. Sete porcento (n=2) apresentou doença cardíaca congénita. O uso do estetoscópio electrónico provou-se indispensável, principalmente, na detecção de ruídos de galope e na análise morfológica das ondas e seu relacionamento com a doença cardíaca presente; na classificação da intensidade de sopros, contudo, mostrou-se ineficiente.
Autores principais:Gomes, Ana Rita de Abreu
Assunto:Gato sopro cardiomiopatia felina ecocardiografia estetoscópio electrónico Cat murmur feline cardiomyopathy echocardiography electronic stethoscope
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Contexto: ao longo dos anos, as doenças cardíacas do paciente felino têm recebido menos atenção do que as doenças cardíacas em cães pela classe médico-veterinária (Fuentes, 2015). Numa avaliação comparativa sobre o tema, o Journal of Veterinary Cardiology conteve cerca de quatro vezes mais estudos relacionados com cães do que com gatos durante os últimos dez anos (Fuentes, 2015). Para além disso, a presença de sopro à auscultação num cão é um indicador de doença cardíaca muito mais fidedigno do que um sopro ouvido num gato (Wagner, Fuentes, Payne, McDermott & Brodbelt, 2010), o que dificulta ainda mais a interpretação deste som que, muitas vezes, é dinâmico (Dirven, Cornelissen, Barendse, Van Mook & Sterenborg, 2010). Objectivos [principais (P) e secundários (S)] deste estudo: Ρ Compreender a prevalência das doenças cardíacas numa população representativa de gatos que se apresentaram à consulta com sopro à auscultação; Ρ Aferir qualitativamente a relevância clínica do uso do estetoscópio electrónico quando comparado com o método convencional; Ρ Tentativa de compreender a presença de sopro cardíaco em gatos cujos exames ecocardiográficos não fundamentam a presença de sopro; S Calcular a sensibilidade e especificidade da auscultação cardíaca em gatos; S Tentar compreender a ausência de sopro cardíaco em gatos cujos exames ecocardiográficos fundamentam a presença de sopro; S Sensibilizar a classe médico-veterinária para a importância de uma auscultação detalhada no paciente felino. Principais conclusões e relevância clínica: cerca de 70% (n=20) dos 27 gatos com sopro cardíaco apresentaram algum tipo de hipertrofia do ventrículo esquerdo (SIVd ≥ 0,50cm), destes, 50% (n=10) possuíam concomitantemente algum grau de regurgitação valvular, sendo a regurgitação mitral a mais prevalente. Apenas um gato se apresentou com sopro (II/VI) e sem achados ecocardiográficos significativos, podendo este dever-se à sedação administrada, a alterações hemodinâmicas (anemia, estados infecciosos) ou outras alterações sistémicas. Dos 27 gatos, houve apenas dois casos (7%) de cardiomiopatia restritiva e um caso (4%) de cardiomiopatia dilatada. Sete porcento (n=2) apresentou doença cardíaca congénita. O uso do estetoscópio electrónico provou-se indispensável, principalmente, na detecção de ruídos de galope e na análise morfológica das ondas e seu relacionamento com a doença cardíaca presente; na classificação da intensidade de sopros, contudo, mostrou-se ineficiente.