Publicação

Indicadores de bem-estar indígena baseados na abordagem da capacidade: Estudo de caso no Cerrado brasileiro

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Este trabalho propôs uma discussão em torno da utilização de indicadores de bem-estar para povos indígenas amparada na abordagem da capacidade de Amartya Sen, com vistas a compreender quais indicadores se adequam à realidade indígena no Cerrado brasileiro. Para isso, optou-se pela realização de um estudo de caso com os indígenas Krahô-Kanela residentes na aldeia Catàmjê (localizada no estado do Tocantins – Brasil). Desta forma, utilizou-se como base inicial indicadores de bem-estar humano utilizados junto a povos indígenas da Amazônia, os quais foram submetidos a adequações que consideraram outras contribuições teóricas sobre o tema, bem como questões atinentes aos direitos indígenas e ao contexto local. Com vistas à obtenção da perceção de bem-estar indígena, a primeira etapa do trabalho de campo restringiu-se à realização de entrevistas semiestruturadas com ênfase no método de pesquisa etnográfica de futuros, que ajudou a compreender o bem-estar almejado pelos habitantes dessa aldeia. Deste modo, foram propostas novas capacidades e indicadores para o grupo em estudo, sendo validados pela comunidade por meio de uma sessão de focus group, que demonstrou efetividade na garantia da participação coletiva. Assim, esses 30 indicadores vinculados a 8 capacidades foram aplicados através de entrevistas estruturadas, possibilitando a avaliação do bemestar indígena da aldeia Catàmjê. Considerando os resultados obtidos, foi possível avaliar a adequabilidade dos indicadores de bem-estar indígena baseados na abordagem da capacidade à realidade indígena do Cerrado brasileiro. Salienta-se que a avaliação do bem-estar indígena realizada por meio da abordagem da capacidade tende a apontar demandas específicas das comunidades expressas de maneira quantitativa e qualitativa com um alto grau de aprofundamento, possibilitando o fornecimento de dados detalhados que podem auxiliar a proposição de políticas públicas indigenistas mais eficazes.
Autores principais:Machado Filho, Luiz Carlos
Assunto:Indicadores de Bem-estar Humano; Abordagem da Capacidade; Povos Indígenas; Krahô-Kanela; Cerrado Brasileiro; Human Well-being Indicators; Capability Approach; Indigenous Peoples; Krahô-Kanela; Brazilian Cerrado.
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este trabalho propôs uma discussão em torno da utilização de indicadores de bem-estar para povos indígenas amparada na abordagem da capacidade de Amartya Sen, com vistas a compreender quais indicadores se adequam à realidade indígena no Cerrado brasileiro. Para isso, optou-se pela realização de um estudo de caso com os indígenas Krahô-Kanela residentes na aldeia Catàmjê (localizada no estado do Tocantins – Brasil). Desta forma, utilizou-se como base inicial indicadores de bem-estar humano utilizados junto a povos indígenas da Amazônia, os quais foram submetidos a adequações que consideraram outras contribuições teóricas sobre o tema, bem como questões atinentes aos direitos indígenas e ao contexto local. Com vistas à obtenção da perceção de bem-estar indígena, a primeira etapa do trabalho de campo restringiu-se à realização de entrevistas semiestruturadas com ênfase no método de pesquisa etnográfica de futuros, que ajudou a compreender o bem-estar almejado pelos habitantes dessa aldeia. Deste modo, foram propostas novas capacidades e indicadores para o grupo em estudo, sendo validados pela comunidade por meio de uma sessão de focus group, que demonstrou efetividade na garantia da participação coletiva. Assim, esses 30 indicadores vinculados a 8 capacidades foram aplicados através de entrevistas estruturadas, possibilitando a avaliação do bemestar indígena da aldeia Catàmjê. Considerando os resultados obtidos, foi possível avaliar a adequabilidade dos indicadores de bem-estar indígena baseados na abordagem da capacidade à realidade indígena do Cerrado brasileiro. Salienta-se que a avaliação do bem-estar indígena realizada por meio da abordagem da capacidade tende a apontar demandas específicas das comunidades expressas de maneira quantitativa e qualitativa com um alto grau de aprofundamento, possibilitando o fornecimento de dados detalhados que podem auxiliar a proposição de políticas públicas indigenistas mais eficazes.