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Velhos amigos, novos adversários : as disputas, alianças e reconfigurações empresariais na elite política moçambicana

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este estudo procura perceber até que ponto o surgimento de grupos económicos sustentados pelo acesso privilegiado ao Estado moçambicano se encontra dependente das lógicas e dinâmicas internas de acesso ao poder dentro do partido Frelimo. Desde a independência de Moçambique o país teve quatro Presidentes da República que simultaneamente ocupavam o cargo de presidente do partido Frelimo. Após a liberalização da economia e adesão ao capitalismo, o controlo do poder político permitiu acumulação do poder económico, tornando parte considerável das elites políticas também elites económicas. O estudo demostra que a ascensão ao poder de um novo Presidente da República traz consigo oportunidades para a reconfiguração dos principais beneficiários no processo de acumulação de capital. Este facto acirra as disputas e tensões entre as elites políticas do partido Frelimo porque, o controlo do Estado permite o acesso privilegiado as oportunidades de acumulação de capital, mas para controlar o Estado é preciso que antes se tenha o controlo do partido, pois é o partido que controla o Estado. As disputas e tensões internas pelo controlo da Frelimo fazem com que a competição política seja enorme, agravado pela existência de vários Patrões dentro do partido, cada um com as suas respectivas redes clientelares que não são estanques e onde os seus Clientes disputam protagonismo para ganhar visibilidade perante os seus Patrões ou então serem cooptados pelas redes que se mostram dominantes num determinado momento. A avidez pela acumulação de capital faz com que as disputas não se circunscrevam somente ao âmbito político, pois como a economia é pequena e, existe uma enorme concentração dos sectores economicamente rentáveis, os políticos/empresários tornam-se também concorrentes nos negócios, e quando assim o é, aquele que detém maior poder político vence, mesmo que isso implique o desrespeito pelos direitos contratuais e de propriedade.
Autores principais:Cortês, Edson Robert de Oliveira, 1979-
Assunto:Teses de doutoramento - 2018
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este estudo procura perceber até que ponto o surgimento de grupos económicos sustentados pelo acesso privilegiado ao Estado moçambicano se encontra dependente das lógicas e dinâmicas internas de acesso ao poder dentro do partido Frelimo. Desde a independência de Moçambique o país teve quatro Presidentes da República que simultaneamente ocupavam o cargo de presidente do partido Frelimo. Após a liberalização da economia e adesão ao capitalismo, o controlo do poder político permitiu acumulação do poder económico, tornando parte considerável das elites políticas também elites económicas. O estudo demostra que a ascensão ao poder de um novo Presidente da República traz consigo oportunidades para a reconfiguração dos principais beneficiários no processo de acumulação de capital. Este facto acirra as disputas e tensões entre as elites políticas do partido Frelimo porque, o controlo do Estado permite o acesso privilegiado as oportunidades de acumulação de capital, mas para controlar o Estado é preciso que antes se tenha o controlo do partido, pois é o partido que controla o Estado. As disputas e tensões internas pelo controlo da Frelimo fazem com que a competição política seja enorme, agravado pela existência de vários Patrões dentro do partido, cada um com as suas respectivas redes clientelares que não são estanques e onde os seus Clientes disputam protagonismo para ganhar visibilidade perante os seus Patrões ou então serem cooptados pelas redes que se mostram dominantes num determinado momento. A avidez pela acumulação de capital faz com que as disputas não se circunscrevam somente ao âmbito político, pois como a economia é pequena e, existe uma enorme concentração dos sectores economicamente rentáveis, os políticos/empresários tornam-se também concorrentes nos negócios, e quando assim o é, aquele que detém maior poder político vence, mesmo que isso implique o desrespeito pelos direitos contratuais e de propriedade.