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Infeção associada aos cuidados de saúde numa unidade de cuidados intensivos neonatais (2010-2014)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução - Dada a fragilidade da população neonatal, as IACS constituem atualmente um desafio nas UCIN, nomeadamente pelo seu efeito negativo na morbi-mortalidade deste grupo etário. O uso de procedimentos invasivos, o internamento prolongado e o uso de antibioterapia de largo espetro são alguns dos fatores de risco intimamente associados a IACS, nomeadamente a sépsis tardia. Torna-se assim essencial conhecer e monitorizar as caraterísticas dos internamentos no serviço, as suas práticas, a flora prevalente e as resistências aos antibióticos encontradas, de maneira a identificar potenciais problemas e atuar sobre os mesmos, tendo sempre como objetivo a prevenção e o controlo destas infeções. Métodos - Foram analisados dados de 1699 RN internados na UCIN do Hospital de Santa Maria, relativos a um período de 5 anos (2010-2014). A colheita de dados foi feita de forma retrospetiva, através da análise dos resultados da base de dados do Programa Nacional de Controlo da Infeção (PNCI) - Vigilância da Infeção nas UCIN. Resultados e discussão - A utilização de dispositivos invasivos apresentou uma tendência decrescente ao longo dos anos, a par da infeção hospitalar. Do mesmo modo, a densidade de incidência de sépsis tardia mostrou um decréscimo mais evidente nos últimos dois anos do estudo. Os agentes etiológicos responsáveis por sépsis tardia, mais prevalentes, foram o grupo SCN. Comparativamente, apesar de bastante menos prevalentes, no grupo dos Gram negativos a Pseudomonas aeruginosa e a Klebsiella spp foram os principais agentes encontrados. A infeção fúngica apresentou valores bastante inferiores aos descritos na literatura. Relativamente à susceptibilidade aos antibióticos, a Klebisella spp revelou-se como o microorganismo mais preocupante, com resistências à maioria das classes de AB utilizadas. Do mesmo modo, foram encontradas estirpes multirresistentes de Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli, entre outras. A mortalidade por infeção hospitalar manteve-se sempre igual ou menor que 1,1%, bastante inferior à maioria dos dados publicados. Conclusão - A melhoria generalizada de todos os indicadores foi resultado de implementação de medidas preventivas, associadas a ações de formação específicas, bem como de esforços cada vez maiores, por parte da equipa de profissionais de saúde, no sentido de melhorar os cuidados prestados e diminuir a infeção nosocomial. Este estudo permitiu perceber a evolução da realidade da unidade, bem como identificar os microorganismos mais preocupantes, mostrando assim a necessidade de uma vigilância atenta nos próximos anos, com revisões periódicas epidemiológicas e modificação da política antibiótica empírica.
Autores principais:Órfão, Filipa Isabel Fernandes
Assunto:Cuidados críticos Serviços de neonatologia Infecção puerperal Pediatria
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução - Dada a fragilidade da população neonatal, as IACS constituem atualmente um desafio nas UCIN, nomeadamente pelo seu efeito negativo na morbi-mortalidade deste grupo etário. O uso de procedimentos invasivos, o internamento prolongado e o uso de antibioterapia de largo espetro são alguns dos fatores de risco intimamente associados a IACS, nomeadamente a sépsis tardia. Torna-se assim essencial conhecer e monitorizar as caraterísticas dos internamentos no serviço, as suas práticas, a flora prevalente e as resistências aos antibióticos encontradas, de maneira a identificar potenciais problemas e atuar sobre os mesmos, tendo sempre como objetivo a prevenção e o controlo destas infeções. Métodos - Foram analisados dados de 1699 RN internados na UCIN do Hospital de Santa Maria, relativos a um período de 5 anos (2010-2014). A colheita de dados foi feita de forma retrospetiva, através da análise dos resultados da base de dados do Programa Nacional de Controlo da Infeção (PNCI) - Vigilância da Infeção nas UCIN. Resultados e discussão - A utilização de dispositivos invasivos apresentou uma tendência decrescente ao longo dos anos, a par da infeção hospitalar. Do mesmo modo, a densidade de incidência de sépsis tardia mostrou um decréscimo mais evidente nos últimos dois anos do estudo. Os agentes etiológicos responsáveis por sépsis tardia, mais prevalentes, foram o grupo SCN. Comparativamente, apesar de bastante menos prevalentes, no grupo dos Gram negativos a Pseudomonas aeruginosa e a Klebsiella spp foram os principais agentes encontrados. A infeção fúngica apresentou valores bastante inferiores aos descritos na literatura. Relativamente à susceptibilidade aos antibióticos, a Klebisella spp revelou-se como o microorganismo mais preocupante, com resistências à maioria das classes de AB utilizadas. Do mesmo modo, foram encontradas estirpes multirresistentes de Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli, entre outras. A mortalidade por infeção hospitalar manteve-se sempre igual ou menor que 1,1%, bastante inferior à maioria dos dados publicados. Conclusão - A melhoria generalizada de todos os indicadores foi resultado de implementação de medidas preventivas, associadas a ações de formação específicas, bem como de esforços cada vez maiores, por parte da equipa de profissionais de saúde, no sentido de melhorar os cuidados prestados e diminuir a infeção nosocomial. Este estudo permitiu perceber a evolução da realidade da unidade, bem como identificar os microorganismos mais preocupantes, mostrando assim a necessidade de uma vigilância atenta nos próximos anos, com revisões periódicas epidemiológicas e modificação da política antibiótica empírica.