Publicação
As Lettres Portugaises na literatura portuguesa contemporânea : reescritas
| Resumo: | Publicadas em 1669, as Lettres Portugaises constituíram um admirável sucesso livresco, marcando o gosto de uma época, e a história dos amores sacrílegos de uma freira portuguesa com um oficial francês cativou e continua a cativar leitores e escritores de todos os tempos. O mistério da identidade da freira, suposta autora, e o anonimato do destinatário e do tradutor das cartas manteve viva a especulação e o interesse por esta correspondência, permitindo o debate nacional e internacional durante longos anos. Neste contexto, a tese «As Lettres Portugaises na Literatura Portuguesa Contemporânea: Reescritas» propõe-se estudar os diversos textos escritos a partir das Lettres na literatura portuguesa do século XX, sob a forma de traduções e reescritas, analisando as especificidades de cada um e o modo como se apropriaram do original, manipularam o texto, figuraram representações do mito, constituindo-se, simultaneamente, num corpus capaz de integrar e enriquecer o cânone. É essa a avaliação que será realizada ao longo do trabalho, a partir de um corpus configurado de forma inédita, fazendo dialogar textos genológica e esteticamente diversos. Assim, as duas Partes que enquadram os principais argumentos da tese demonstram que a questão da autoria ou da ficcionalidade do texto, actualmente ultrapassada e atribuída a Guilleragues, foi responsável pela apropriação cultural e literária da personagem da freira em Portugal, pela invenção da tradição mítica e pela proliferação de traduções, estudos, textos e comentários em volta da autoria portuguesa e dos traços de sentimentalismo lusitano presentes nas cartas. A reconstituição histórica do que poderia ter sido a vida da religiosa no convento da Conceição de Beja e a revisão do episódio amoroso, através de variadas reescritas, em diferentes géneros literários, na literatura portuguesa contemporânea também contribuíram, como fica demonstrado, para a sedimentação da figura de Mariana Alcoforado em Portugal. Ainda que possam manter-se no âmbito da tradição mítica alcoforadista, estas reescritas forjadas a partir das Lettres apresentam novas perspectivas acerca do mito, diferentes pontos de vista e constituem outras interpretações, por vezes subversivas, que, questionando o cânone, fazem da obra um clássico. |
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| Autores principais: | Silva, Manuela Sofia da Conceição |
| Assunto: | Lettres portugaises - Apreciação - Portugal - séc.20 Literatura francesa - séc.17 - História e crítica Literatura portuguesa - séc.20 - História e crítica Literatura e mito Cânones literários Teses de doutoramento - 2018 |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Publicadas em 1669, as Lettres Portugaises constituíram um admirável sucesso livresco, marcando o gosto de uma época, e a história dos amores sacrílegos de uma freira portuguesa com um oficial francês cativou e continua a cativar leitores e escritores de todos os tempos. O mistério da identidade da freira, suposta autora, e o anonimato do destinatário e do tradutor das cartas manteve viva a especulação e o interesse por esta correspondência, permitindo o debate nacional e internacional durante longos anos. Neste contexto, a tese «As Lettres Portugaises na Literatura Portuguesa Contemporânea: Reescritas» propõe-se estudar os diversos textos escritos a partir das Lettres na literatura portuguesa do século XX, sob a forma de traduções e reescritas, analisando as especificidades de cada um e o modo como se apropriaram do original, manipularam o texto, figuraram representações do mito, constituindo-se, simultaneamente, num corpus capaz de integrar e enriquecer o cânone. É essa a avaliação que será realizada ao longo do trabalho, a partir de um corpus configurado de forma inédita, fazendo dialogar textos genológica e esteticamente diversos. Assim, as duas Partes que enquadram os principais argumentos da tese demonstram que a questão da autoria ou da ficcionalidade do texto, actualmente ultrapassada e atribuída a Guilleragues, foi responsável pela apropriação cultural e literária da personagem da freira em Portugal, pela invenção da tradição mítica e pela proliferação de traduções, estudos, textos e comentários em volta da autoria portuguesa e dos traços de sentimentalismo lusitano presentes nas cartas. A reconstituição histórica do que poderia ter sido a vida da religiosa no convento da Conceição de Beja e a revisão do episódio amoroso, através de variadas reescritas, em diferentes géneros literários, na literatura portuguesa contemporânea também contribuíram, como fica demonstrado, para a sedimentação da figura de Mariana Alcoforado em Portugal. Ainda que possam manter-se no âmbito da tradição mítica alcoforadista, estas reescritas forjadas a partir das Lettres apresentam novas perspectivas acerca do mito, diferentes pontos de vista e constituem outras interpretações, por vezes subversivas, que, questionando o cânone, fazem da obra um clássico. |
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